Seria muito estranho para alguém que não esteja familiarizado com os símbolos de linguagem e significado que nós, discípulos de Jesus, usamos de modo assumido e impensado. Sim! Os usamos como se fossem óbvios, sem pensarmos em como certas coisas soam ou soariam para pessoas que nada soubessem acerca dos símbolos do mundo cristão.

Uma frase como: “O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, sendo que Dele todas as coisas procedem e Nele subsistem” — lida por um alienígena à cultura humana, o faria concluir que os terráqueos crêem que o Universo e os Multiversos foram criados a partir de um animal infante, um filhote de ovelha, um cordeiro, e que sem tal cordeiro tudo se despedaçaria.

Digo isto apenas para ilustrar a afirmação de que tudo o que se tem na Escritura é Palavra de Deus em linguagem humana culturalmente fixada, embora, quando a própria Palavra se serve de tais limitações, em geral ela vem a dizer a mesma coisa usando outras imagens, a fim de estabelecer o significado e não o símbolo ou arquétipo como imagem diminutiva.

Ora, ficar distante daquilo que para nós já é simbolicamente tão sentido, e olhar para o que está apenas escrito, sem que ao escrito se faça a projeção do sentido espiritual projetado sobre o símbolo, nos põe na posição de dizer: “Os terráqueos cristãos criam que Deus era um cordeiro”.

É assim que bilhões de pessoas no mundo lêem o que os cristãos dizem e escrevem. Por isso, ainda que sempre usando os símbolos da Escritura a fim de expressar o sentido da Palavra de Deus midiatizada pela linguagem e cultura humana, deve-se tentar sempre dizer duas ou três vezes a mesma coisa usando meios abstratos de expressar a mesma verdade, ou, então, buscando servir-se de imagens que sejam comuns à percepção humana universal.

Nesse sentido da universalização da Palavra como conceito humano, ninguém foi mais distante do que o ex-pescador e velho discípulo, João, quando simplesmente disse que Deus é amor.

Sim! Porque amor, mesmo que alguém não saiba o que ele é, sendo a ele exposto, não tem como não saber do que se trata, ainda que venha a odiá-lo.

Dizer que o Amor criou tudo, e que antes de criar o Amor se sacrificou pelo que ainda haveria a existir, a fim de que tudo o que fosse criado por Amor, já o fosse sob o signo do Amor, faz sentido em qualquer lugar da Terra ou fora dela.

Dizer que a vida procede do Amor, pois, a vida não existiria sem amor, portanto, sendo o Amor a fonte da Vida e da Vida, é algo que qualquer um pode entender.

Dizer que Amor só tem um mandamento: amor — é algo que faz sentido de simples e infinita profundidade.

Dizer que o sentido da vida é amar a si mesmo, ao próximo; e, no próximo, a Deus, passa a ser a realidade mais límpida, pois, Deus é amor.

Portanto, dizer que aquele que conhece o Amor, ama; e que aquele que odeia jamais conheceu o amor; pois, quem ama conhece o Amor; e quem não ama jamais o conheceu — acaba com as sabatinas da religião, e com todos os dogmas, e apenas põe todo homem diante da decisão de amar ou não amar, pois, não há mais nenhuma questão.

Assim, se Deus é amor, quando se fala do Cordeiro morto antes da fundação do mundo, não se fala da morte de uma ovelhinha cósmica, mas sim do amor em movimento, pois, o movimento do amor é sempre se dar e criar de si mesmo mais e mais — tudo porque vida é entrega; e entrega que é vida, é entrega em amor.

O Amor não julgou como usurpação ser o próprio Deus, e, assim, se esvaziou, e se entregou, e morreu em entrega de serviço a Deus, e, assim, o Amor ganhou o nome que está acima de todo nome, pois ao morrer em entrega pela vida, Deus exaltou o Amor, pois Deus é Amor.

Esta é a verdade. Sem os termos de sempre. Porém, sempre ela mesma. E quem nela crê jamais é confundido.

Caio