SEM JESUS eu sou assim…

Como está escrito:

Não há justo, nem sequer um.

Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.

Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis.

Não há quem faça o bem, não há nem um só.

A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; a sua boca está cheia de maldição e amargura.

Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.

Nos seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz.

Não há temor de Deus diante dos seus olhos.

Paulo aos Romanos

Assim sou eu, assim é você, assim somos nós, assim é o mundo.

Alguém lê e diz: Exagero! O homem não é assim; pois, sou homem e assim não sou!

Esse, entretanto, nunca se viu. Um cego imagina sua própria aparência e a de outros com muito mais exatidão do que o homem enxerga a si mesmo.

Nossa visão de nós mesmos é sempre moral e sempre vinculada a nós mesmos como referencias do que seja bem e mal em nós e fora de nós.

Entretanto… — Vergonha não é Verdade; é culpa. E nem sempre a culpa conduz alguém à Verdade. Aliás, está escrito que é a Bondade de Deus o que nos leva da culpa sem verdade ao arrependimento na verdade.

Toda-via…

Comemos do fruto da Árvore. Por isso, sentimos vergonha, mas não abraçamos a verdade. Daí… — mesmo Adão ter tentando transferir a culpa de tudo para a mulher e esta para a serpente. Vergonha sem Verdade.

Ora, se em lenho verde não enxergamo-nos a nós mesmos em Adão, por que haveríamos de pensar que os bilhões de Adões adoecidos e piorados, em estado de lenho seco como hoje estamos, ver-nos-íamos melhor?

De fato homem algum aceita a descrição acima. Um judeu da época diria: Jamais. Um grego diria: Nem o pior dos deuses é assim. Um humanista pós-moderno dirá: É a desgraça da culpa insuflada pela droga da religião da idade da pedra.

Entretanto, quem fala acima não é homem do homem e nem um homem de si mesmo; pois, o homem que assim se visse, não escreveria jamais tal coisa, antes a esconderia; e, aquele que honestamente assim se visse, matar-se-ia; a outra alternativa não existe sem revelação na Graça.

De fato quem fala é Deus. É Ele quem diz que somos assim em vista de quem fomos feitos e capacitados a ser. Sim! É Ele quem nos diz quem não somos quando medidos ante o homem Jesus.

Na realidade por mais que uma figura como Jesus tivesse que ser vista com alegria e simpatia, o que Ele gera, apesar de todo o bem que espalha, é o oposto.

É inegável que Jesus divide a humanidade sempre que alguém fica cara a cara com Ele e tem que se decidir.

Entretanto, o que espanta é ver que existe um ódio estranho, um ente impessoal latente na natureza humana e que odeia a Jesus assim como o homem odeia a Vida; e tudo faz para se matar enquanto diz buscar viver…

Os da sinagoga de Nazaré bem ilustram essa minha afirmação.

Sim! Porque diante de Jesus e de Seu ensino e ousadia profética de dizer que naquele dia Isaías 61 ganhava seu cumprimento Nele, os da assembléia manifestaram-se com uma admiração que os fez “maravilharem-se”; e, logo depois, com ódio, tentarem empurrá-Lo do penhasco da cidade.

E por quê?

Ora, mesmo que não queiramos admitir, temos, entretanto, que afirmar que a exposição ao Evangelho, a Jesus e à Palavra, caso não se faça acompanhar de fé, é insuportável; pois, nos faz sentir [quase nunca ver] que somos conforme acima descritos.

Foi essa revelação que fez Pedro ser honesto com sua condição de corrompido, e necessidade de acolhimento na Graça, ao expulsar Jesus de si mesmo agarrando-o para sempre em si.

“Arreda-te de mim; pois, eu sou pecador” — disse Pedro.

Mas que psicologia tem a coragem de expor o homem de tal forma?

Ou que filosofia? Ora, pela pior visão filosófica, o homem seria apenas um nada, uma náusea da consciência-acidente.

Mas o que se diz acima não é tão bom assim. Pois, o que está dito e escrito é que o homem ficou assim; e assim se mantém; de tal modo que optou pela cegueira, posto que em seu narcisismo, desfila como um deus, e se imagina como uma divindade de tão bom que é por… — pagar as contas, cumprir seus deveres sociais e religiosos, e, se possível, evitar confusão.

Eu, no entanto, sei por mim mesmo que não há justo, nem sequer um; que não há quem entenda; e que não há quem busque a Deus.

Sim! Sei a partir de mim mesmo que todos se extraviaram; e que juntamente se fizeram inúteis.

Olho para mim e vejo que não há quem faça o bem, não há nem um só.

Ah! Minha garganta! Deixada a si própria é um sepulcro aberto…

E a língua? Ora, esta é mestra em destilar engano e peçonha de áspides [que fica guardada debaixo dos nossos lábios].

Por isso é que a nossa boca é tão cheia de maldição e amargura.

E quando olho para o meu caminho e para o caminho humano, como posso eu negar que nossos pés são ligeiros para derramar sangue e não para socorrer ao próximo?

Assim, como posso também negar que o que me habita e a todos os humanos [vide a Humanidade; o mundo] é caminho de destruição e miséria?

Sim! É possível negar que nós não conhecemos o caminho da paz?

Ou negar que não há temor de Deus diante dos nossos olhos?

Quem disser que não é assim tanto nunca conheceu a Deus como não entende a profundidade do mal que emana até de nossas melhores virtudes.

Ora, digo isto não para esmagar.

Pelo contrário: mataria eu a mim mesmo?

Esta não é minha intenção!

Digo o que digo apenas porque sei que onde abundou o pecado superabundou a Graça.

Entretanto, sem consciência honesta de quem se é sem a Graça, jamais se provará a abundancia da Graça que nasce de tal reconhecimento.

Sem este primeiro passo não dá nem para iniciar a falar sobre o significado de nossa tão grande salvação.

Nele, que diz o que nos tornamos sem Ele, a fim de nos mostrar quem Nele já somos,

Caio