A perseguição dos evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) contra a comunidade do candomblé foi citada neste domingo durante conversa entre o candidato ACM Neto (DEM) e líderes do Terreiro da Casa Branca, um dos mais tradicionais e o primeiro a ser tombado na Bahia.

Depois de ser recebido pela ialorixá da casa, Altamira Cecília, a Mãe Tatá, ACM Neto foi questionado sobre sua posição política em relação ao povo de santo, já que seu vice, Márcio Marinho (PR), é bispo da Universal.

O candidato petista, Walter Pinheiro também foi apontado por ter se esquivado às câmaras fotográficas quando visitou o Terreiro Alaketu, de Mãe Jojó; e o prefeito-candidato João Henrique Carneiro (PMDB) foi citado como o gestor que permitiu a demolição, pela Sucom, do terreiro Oyá Onipó, de Mãe Rosa, no Imbuí. O povo de santo só poupou os candidatos Antonio Imbassahy (PSDB) e Hilton Coelho (PSOL).

“Sou de Oxossi, por isso sou direto. Eu não voto em você porque sou do candomblé e seu vice é da Igreja Universal, que persegue a minha religião. Quero que você se posicione diante disso, qual é a sua proposta diante do povo de santo?”, questionou de forma enfática o ogã Antonio Luiz Figueiredo, vice-presidente da Associação do terreiro. ACM Neto, que tão logo chegou ao terreiro foi informado de que seria recebido porque seu avô, senador Antonio Carlos Magalhães, ajudou os candomblés de Salvador, saiu em defesa de seu plano de governo ecumênico e de Márcio Marinho.

Defesa

“Ele (Marinho) é uma pessoa muito tolerante, compreensiva e tem agregado muito na nossa caminhada. Não posso exigir dele que repense a sua doutrina, da mesma forma como ele respeita minhas convicções. Não vejo problema dele não estar aqui. O pensamento de prefeito, caso eleito seja, é o pensamento da diversidade”, disse Neto. Mas outro ogã, Willys Andrade, tomou da palavra apontando uma contradição na fala do candidato democrata. “Talvez pelo fato dele não estar presente seja contraditório à questão da diversidade. Eu esperava que o vice-prefeito estivesse aqui”.

Neto discordou ao alegar que “toda a expectativa tem de girar em torno do prefeito, que é quem decide”, e chegou a confessar que sequer pensou em convidar o bispo para a visita, porque conhece suas convicções. “Se eu dissesse para vir estaria contrariando a minha diversidade”.
O ogã Willys disse, ainda, que conhece muita gente do candomblé que até gostaria, mas não votará em Neto por causa do vice, o que foi avalizado por algumas senhoras do candomblé que participavam da reunião.

ACM Neto preferiu defender que tem procurado mostrar que, desde os tempos de seu avô, “há uma história e tradição de respeito a todas as religiões”. O ecumenismo é, inclusive, um dos pontos enfatizados pelo candidato na propaganda eleitoral nas emissoras de TV.

Na prática, ACM Neto diz que se empenha para cumprir esse princípio. Neste domingo mesmo participou de uma missa na Igreja da Piedade; ao meio-dia esteve no terreiro da Casa Branca e no final da tarde teve encontro com evangélicos da Igreja Universal, que reuniu cerca de 6 mil pessoas, segundo a coordenação da campanha do candidato.

Fonte: A Tarde Online