Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Instagram Silas Malafaia e Agência Senado)
Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Instagram Silas Malafaia e Agência Senado)

O pastor Silas Malafaia afirmou que irá se pronunciar sobre o áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, mas disse que aguardará primeiro uma explicação pública do parlamentar antes de comentar o caso. “Vou aguardar a fala dele e me posicionar. Não sou omisso nem covarde”, declarou o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

A crise ganhou força após a divulgação de gravações nas quais Flávio aparece tratando de recursos para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagens, as conversas envolviam negociações com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Nos bastidores do meio evangélico e bolsonarista, o episódio provocou desconforto e silêncio entre lideranças religiosas tradicionalmente alinhadas à família Bolsonaro. Reportagem do portal Fuxico Gospel destacou que vários pastores influentes, conhecidos pelo apoio público ao bolsonarismo, evitaram comentar o assunto nas redes sociais ou em entrevistas após a repercussão do áudio.

Claudio Duarte, Josué Valandro Jr., Josué Gonçalves e Teo Hayashi são os pastores apontados pela reportagem do Fuxico Gospel que silenciaram.

O silêncio dessas lideranças gerou questionamentos entre apoiadores conservadores, especialmente porque muitos desses mesmos líderes costumam se manifestar rapidamente em pautas políticas envolvendo o governo federal, o Supremo Tribunal Federal ou adversários ideológicos da direita.

Interlocutores ouvidos pelo Fuxico Gospel afirmaram ainda que Malafaia teria ficado profundamente irritado com a repercussão negativa causada pela gravação. Segundo a publicação, aliados próximos ao pastor avaliam que o episódio atingiu diretamente a imagem moral construída pelo grupo conservador nos últimos anos.

Apesar disso, integrantes da base bolsonarista saíram em defesa do senador. A pastora Renata Vieira classificou como “narrativa criminosa” a tentativa de associar Flávio Bolsonaro a irregularidades pelo fato de buscar patrocínio privado para o filme. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que não existe ilegalidade em políticos dialogarem com empresários e disse que a direita está sendo alvo de perseguição política.

Renata argumentou ainda que, sem acesso a mecanismos públicos de incentivo cultural, produções ligadas ao campo conservador acabam dependendo exclusivamente da iniciativa privada. Segundo ela, transformar negociações de patrocínio em suspeita criminal seria uma tentativa de desgastar a direita em ano pré-eleitoral.

O próprio Flávio Bolsonaro reconheceu a autenticidade das conversas e sustenta que não houve qualquer irregularidade. Aliados do senador afirmam que a estratégia será reforçar que o pedido de apoio financeiro ocorreu antes de Daniel Vorcaro passar a ser alvo de investigações mais amplas envolvendo o Banco Master.

Enquanto isso, o caso segue ampliando tensões dentro da direita e do segmento evangélico. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou os impactos do episódio e afirmou não ver risco para a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, porém, integrantes do partido admitem preocupação com o desgaste político provocado pela divulgação dos áudios.

Folha Gospel com informações de Metrópoles e Fuxico Gospel

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