A Câmara dos Lordes começou a debater um projeto de lei que permitirá que médicos ajudem pessoas com doenças terminais a morrer, uma medida que enfrenta forte oposição na opinião pública e não conta com o apoio do governo.

A Câmara dos Lordes começou a debater um projeto de lei que permitirá que médicos ajudem pessoas com doenças terminais a morrer, uma medida que enfrenta forte oposição na opinião pública e não conta com o apoio do governo.

A discussão envolve desde questões espirituais às práticas, incluindo teologia cristã e o preço do serviço de saúde. Mais de 90 nobres se inscreveram para tratar do assunto, incluindo uma falange de bispos, liderados pelo arcebispo de Canterbury, Rowan Williams.

“Como uma sociedade com compaixão, não podemos ficar sentados e permitir, de forma complacente, que pacientes com doenças terminais, sofrendo de modo insuportável, continuem a sofrer para o bem da sociedade”, disse Lorde Joel Joffe, em apoio à medida. “Devemos encontrar uma solução para o sofrimento insuportável de pacientes cujas necessidades não podem ser atendidas pelo tratamento paliativo”.

Tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido são proibidos no Reino Unido. A Lei da Morte Assistida para Doentes Terminais permitiria que médicos receitassem medicamentos que a pessoa doente poderia tomar para acabar com a vida.

O arcebispo Williams disse que, apesar de muitos na comunidade religiosa se oporem à lei, o combate não se deve apenas a questões religiosas. “Sabemos que nosso Serviço Nacional de Saúde está sob grave pressão financeira, e embora o padrão de atendimento paliativo britânico seja um dos melhores do mundo, sua distribuição é injusta”, disse ele. “Que incentivo haverá para melhorar e ampliar o padrão, se houver um modo mais simples e barato de resolver essas pressões?”

Junto ao cardeal Cormac Murphy-O’Connor, líder da Igreja Católica Romana na Inglaterra e país de Gales, e Sir Jonathan Sacks, rabino das Congregações Hebréias Unidas da Comunidade Britânica, Williams assina uma carta publicada no “The Times” pedindo a rejeição da lei.

Fonte: Último Segundo