Fogo destrói Igreja Católica no Canadá
Fogo destrói Igreja Católica no Canadá

Após a descoberta de 182 novas sepulturas anônimas no terreno de uma antiga escola residencial para indígenas administrada pela Igreja, novas igrejas foram incendiadas em territórios indígenas canadenses. A polícia local abriu investigação. No total, já são oito as igrejas queimadas, incluindo as duas últimas em Alberta e Nova Escócia.

A mais recente descoberta foi anunciada pela Lower Kootenay Band, uma tribo da região de mesmo nome, após a descoberta em maio dos restos mortais de 215 crianças em sepulturas anônimas na antiga Kamloops Indian Residential School, na Columbia Britânica, e de outras 751 sepulturas anônimas em outra escola em Marieval em Saskatchewan na última semana.

The Lower Kootenay Band, que representa os primeiros habitantes da região de Lower Kootenay, na Columbia Britânica, e faz parte do conselho da nação Ktunaxa, conduziu pesquisas em Cranbrook, onde a Igreja Católica dirigia uma escola por conta do governo federal de 1912 até o início dos anos ’70. Acredita-se que sejam os restos mortais de membros tribais da Nação Ktunaxa, que inclui Lower Kootenay e outras comunidades vizinhas.

O primeiro-ministro Justin Trudeau, ao comentar a nova descoberta de sepulturas sem nome de nativos muito jovens, falou de “horríveis descobertas” que devem fazer os canadenses refletir sobre as “injustiças históricas e atuais que sofrem os povos indígenas”, ao mesmo tempo em que condenou “a destruição dos lugares de culto”, definindo tal ato como “inaceitável”. “Tem que parar!”, disse com veemência.

As descobertas de vários túmulos de indígenas não identificados levaram algumas localidades a cancelar as comemorações do Canada Day – na quinta-feira – que comemora o dia 1º de julho de 1867, quando três colônias britânicas se uniram.

“A comemoração do Canada Day foi vista como uma falta de consideração com todas as vidas de crianças que foram perdidas e encorajamos todos a considerar o preço que essas crianças tiveram de pagar nas mãos do governo canadense”, disse em um comunicado o chefe da Federação de Nações Indígenas Soberanas de Saskatchewan, Bobby Cameron.

Desde que os primeiros túmulos não identificados foram descobertos, uma dúzia de igrejas em todo o país foram vandalizadas ou queimadas. As autoridades tiveram o cuidado de não vincular os incêndios à descoberta dos túmulos não identificados, mas parte do vandalismo fazia alusão a uma reação.

O papa Francisco, que expressou tristeza em relação aos túmulos, mas não se desculpou em nome da Igreja Católica, concordou em se encontrar com os sobreviventes dos internatos. A Conferência Episcopal dos Bispos Católicos do Canadá (CCCB) comunicou na terça-feira, 29, que uma delegação de povos indígenas do Canadá encontrará o Papa no Vaticano, de 17 a 20 de dezembro.

O governo canadense, assim como as igrejas Presbiteriana, Anglicana e Unida do Canadá, que também administravam internatos, pediram desculpas por suas participações nos abusos.

Até os anos ‘90, cerca de 150.000 jovens nativos Inuit e Metis foram transferidos à força para 139 dessa espécie de internato, onde foram abusados ​​fisicamente e sexualmente por diretores e professores, que também os privaram de sua língua e cultura.

Mais de 4.000 morreram de doenças e abandono, de acordo com a Comissão de Verdade e Reconciliação do Canadá, que concluiu que o Canadá cometeu “genocídio cultural” e, na prática, institucionalizaram a negligência infantil.

Folha Gospel com informações de Vatican News e Estadão