Fernando Haddad acusa José Serra de ‘instrumentalizar’ pastores evangélicos, como Silas Malafaia, para atacá-lo; tucano cita nomeação de bispo da Igreja Universal para ministério de Dilma.

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, acusou ontem seu adversário no 2.º turno, o tucano José Serra, de “instrumentalizar” pastores evangélicos a fim de atacar sua honra. Em resposta, o candidato do PSDB citou a relação de petistas com o PRB, ligado à Igreja Universal – um integrante do partido ocupa um ministério do governo Dilma Rousseff.

Anteontem, após se reunir com Serra, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disse ao jornal Folha de S. Paulo que ia “arrebentar” o candidato petista, relacionando-o ao kit anti-homofobia elaborado pela sua gestão no Ministério da Educação. O material, apelidado de “kit gay” por evangélicos, foi vetado pela presidente Dilma Rousseff após pressão da bancada evangélica.

No encontro com Silas Malafaia, também estava o pastor Jabes de Alencar, presidente do Conselho de Pastores de São Paulo, que reúne cerca de 6 mil líderes de igrejas evangélicas.

[b]2010[/b]

Ontem, antes de liderar uma carreata por Cidade Tiradentes, bairro do extremo leste da cidade, Haddad afirmou: “Minha família está muito indignada com a atitude do Serra de instrumentalizar pastores para me atacar na minha honra”. O petista fez um paralelo com a campanha presidencial de 2010, quando líderes evangélicos espalharam rumores de que Dilma, se eleita, promoveria a legalização do aborto. O tema afetou a campanha da atual presidente e a obrigou a divulgar uma carta-compromisso contra o aborto. Na época, petistas atribuíram a Serra a iniciativa de trazer o tema à tona.

“Ele foi derrotado em 2010 em função desse comportamento e eu entendia que ele tinha aprendido a lição, mas, pelo jeito, o Serra não aprende nunca, é o velho Serra de sempre”, disse Haddad.

A campanha de Haddad tem usado imagens da família do candidato desde o início da disputa, nos programas eleitorais e eventos públicos, com o objetivo de aumentar a empatia com eleitor

Sua mulher, a dentista e professora universitária Ana Estela, de 45 anos, realiza agendas públicas individuais. A partir desta semana, seu filho mais velho, o estudante Frederico, de 20 anos, também passará a realizar eventos divulgados publicamente.

[b]Apoio[/b]

Após caminhada ontem em Pirituba, zona norte, Serra afirmou não ver nenhum problema no apoio de Malafaia à sua candidatura. “Eu lembraria que o governo do PT tem um ministro de uma igreja, nomeado a partir de uma negociação política”, disse o tucano, referindo-se ao ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella (PRB), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho de Edir Macedo, fundador da igreja e dono da Rede Record.

Serra afirmou que não assumiu nenhum compromisso com o pastor em troca do apoio e tentou se diferenciar do discurso de Malafaia. “Não vou ficar repercutindo bobagens. Eu não assumi nenhum tipo de compromisso com o pastor Malafaia”, disse Serra. “Ele me apoia, não pedi nada em troca. Várias coisas que ele coloca não são pauta da minha campanha”, afirmou.

Malafaia, que declarou apoio a Serra, tem dito que Haddad apoia ativistas gays e, citando o kit anti-homofobia –que ficou conhecido como kit gay–, afirmou na última terça-feira (9) que [url=https://folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=23578]iria “arrebentar” o petista[/url].

A campanha tucana pretende explorar o kit anti-homofobia para atrapalhar o crescimento de Haddad na parcela do eleitorado evangélico que votou em Celso Russomanno (PRB) no primeiro turno, mas Serra não deverá vocalizar diretamente essa crítica, que ficará a cargo de apoiadores.

A cartilha contra a homofobia, apelidada de kit gay por alguns segmentos religiosos, seria distribuída em escolas pelo Ministério da Educação em 2011, na gestão Haddad. A presidente Dilma Rousseff, porém, decidiu suspender a distribuição após protestos de religiosos no Congresso.

Haddad afirma que, antes de decidir se candidatar à Prefeitura, fora “alertado” por Dilma de que seria alvo de ataques do gênero.

[b]Fonte: Estadão e UOL[/b]