País contabilizou 82 novas entidades religiosas em três meses; censo nacional indica que 16,3% da população com mais de 15 anos se identifica como evangélica ou protestante.
O Chile registrou a criação de 82 entidades religiosas em apenas três meses, uma média próxima de uma nova organização por dia. Os dados foram identificados em uma análise do Diário Oficial chileno realizada pelo veículo Ex-Ante.
O levantamento contabilizou 36 novas entidades em junho, 28 em julho e 18 em agosto. No mesmo período, outras 16 organizações religiosas alteraram seus estatutos, indicando que o movimento envolve tanto a formação de novas comunidades quanto mudanças em instituições já existentes.
As entidades foram registradas em 13 regiões do país, com maior concentração na Região Metropolitana de Santiago, que contabilizou 32 registros. Na sequência aparecem Biobío, com 15; Valparaíso, com nove; e Los Lagos, com seis.
Na capital chilena, as novas organizações estão distribuídas por 22 municípios, incluindo áreas populares como Lo Espejo, La Pintana e Puente Alto.
Chile tem mais de 6 mil entidades religiosas registradas
Segundo o Ministério da Justiça chileno, o país possui 6.160 entidades religiosas com personalidade jurídica registradas desde a aprovação da Lei de Culto, em 1999. A legislação estabeleceu um marco jurídico próprio para confissões religiosas não católicas.
O crescimento das igrejas evangélicas está relacionado, em parte, ao modelo de organização dessas comunidades. Diferentemente da estrutura hierárquica da Igreja Católica, muitas congregações evangélicas funcionam de forma independente e se associam a organizações ou redes nacionais sem depender de uma autoridade central única.
Esse formato permite a formação de comunidades menores, frequentemente ligadas aos bairros onde atuam. Além das atividades religiosas, muitas dessas igrejas se tornam espaços de convivência, apoio e participação comunitária.
Um em cada seis chilenos se declara evangélico ou protestante
Os dados do Censo de 2024 mostram que 2.466.607 pessoas com mais de 15 anos se identificam como evangélicas ou protestantes no Chile, o equivalente a 16,3% dessa população.
A proporção cresceu nas últimas décadas. Em 1992, os evangélicos e protestantes representavam 13,2% da população considerada pelo levantamento; em 2002, o índice chegou a 15,1%.
No mesmo intervalo histórico, a proporção de católicos caiu de 70% para 54%, conforme os números citados na reportagem.
A presença evangélica é especialmente significativa no sul do país. A região de Biobío registra 33,5% de população evangélica ou protestante, seguida por La Araucanía, com 27,4%; Los Ríos, com 25,9%; e Ñuble, com 23,7%.
Os números indicam que as comunidades evangélicas têm presença relevante em diferentes partes do território chileno, embora sua distribuição varie entre as regiões.
Representantes evangélicos ocupam cargos políticos
A expansão das comunidades também é acompanhada por maior visibilidade na vida pública. Segundo a reportagem, candidatos de diferentes correntes políticas têm buscado diálogo com pastores e grupos evangélicos, reconhecendo sua capacidade de organização comunitária e sua participação em debates sobre temas como família, defesa da vida e liberdade religiosa.
No Congresso chileno, pelo menos sete deputados se identificam como evangélicos: Eduardo Durán e Mauro González, do partido Renovación Nacional; Stephan Schubert, Benjamín Lorca e Stephanie Jéldrez, do Partido Republicano; além de Francesca Muñoz e Sara Concha, eleitas pelo Partido Social Cristiano.
No Senado, a reportagem destaca Iván Moreira, da União Democrática Independente (UDI), representante da região de Los Lagos e integrante de uma igreja metodista pentecostal.
A presença evangélica também alcança o governo e a administração municipal. Judith Marín, com trajetória evangélica e ligada ao Partido Social Cristiano, ocupa o Ministério da Mulher. Héctor Muñoz, do mesmo campo político, é prefeito de Concepción.
Apesar da presença de muitos evangélicos entre os apoiadores do presidente José Antonio Kast, o segmento não constitui um bloco político uniforme. A reportagem lembra que, em 2021, um grupo de bispos e pastores declarou apoio ao então candidato Gabriel Boric, demonstrando a diversidade de posicionamentos dentro das igrejas.
Governo abre espaço para atividades evangélicas
A presença religiosa também aparece em iniciativas do governo chileno. Em 2026, foi habilitada uma capela evangélica no Palácio de La Moneda, sede da Presidência, onde são realizados cultos às terças e quintas-feiras, ao meio-dia.
Segundo a Presidência, a medida busca oferecer aos evangélicos um espaço próprio para suas atividades religiosas, assim como já existe um espaço destinado à tradição católica.
Outra iniciativa mencionada pela reportagem é uma linha do Ministério da Habitação para a construção de Centros Comunitários de Culto, aberta a diferentes confissões religiosas. O programa conta com 22 projetos em âmbito nacional.
Cada centro terá 120 metros quadrados. Desse total, até 30 metros quadrados poderão ser destinados à celebração religiosa, enquanto a área restante será utilizada para oficinas, reuniões e atividades sociais.
O ministro da Habitação, Iván Poduje, defendeu a iniciativa destacando o trabalho comunitário realizado por igrejas em bairros vulneráveis.
Crescimento religioso vai além dos registros
Os dados sobre novas entidades, o percentual de pessoas que se declaram evangélicas e a presença de representantes religiosos em cargos públicos mostram diferentes dimensões da atuação evangélica no Chile.
A criação de novas congregações ocorre em um contexto de pluralidade religiosa e de maior visibilidade pública dessas comunidades. Ao mesmo tempo, a diversidade de posicionamentos políticos entre os fiéis e suas lideranças indica que o crescimento religioso não corresponde necessariamente a uma orientação política única.
Folha Gospel com informações de Evangélico Digital







