Crianças cristãs também sofrem perseguição religiosa em países de maioria muçulmana (Foto: Portas Abertas)
Crianças cristãs também sofrem perseguição religiosa em países de maioria muçulmana (Foto: Portas Abertas)

Discriminação religiosa afeta a infância em diferentes países; no Irã, crianças também sofrem com os efeitos do conflito, deslocamentos e dificuldades de acesso à educação e à proteção.

A perseguição contra crianças cristãs ocorre de diferentes formas ao redor do mundo, incluindo discriminação nas escolas, isolamento social, violência e restrições à liberdade religiosa. No Irã, esses desafios são agravados pelos impactos da guerra, que aumentou a vulnerabilidade de crianças e famílias, provocando deslocamentos e prejudicando o acesso a serviços essenciais.

Informações divulgadas pela organização cristã Portas Abertas mostram que a infância pode ser diretamente afetada tanto pela hostilidade contra a fé cristã quanto por crises humanitárias. As consequências vão além das crianças e atingem suas famílias e comunidades, com efeitos sobre a educação, a segurança e o desenvolvimento emocional.

Discriminação nas escolas é uma das principais formas de perseguição

De acordo com uma pesquisa da Lista Mundial da Perseguição, citada pela Portas Abertas, a discriminação ou o assédio no ambiente educacional esteve presente em cerca de 99% dos países que integram os 50 primeiros colocados da lista nos últimos cinco anos.

Em algumas regiões, crianças cristãs enfrentam rejeição por parte de colegas e professores, são excluídas de atividades ou sofrem pressão para abandonar sua identidade religiosa. Há também situações em que menores são impedidos de participar de atividades cristãs ou encontram obstáculos para frequentar a escola.

A perseguição pode incluir ainda isolamento social, ameaças, agressões físicas, abuso psicológico, sequestros e casamentos forçados. Em determinados países, crianças de famílias cristãs enfrentam dificuldades para ter sua identidade religiosa reconhecida legalmente.

Segundo a organização, essas experiências podem prejudicar a autoestima, o desenvolvimento emocional e as oportunidades futuras das crianças. A limitação do acesso à educação também pode gerar consequências econômicas duradouras para as famílias e comunidades cristãs.

Guerra aumenta a vulnerabilidade das crianças no Irã

No Irã, a situação das crianças se tornou ainda mais delicada com a intensificação dos conflitos. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) citados pela Portas Abertas, cerca de 180 crianças morreram durante a intensificação das hostilidades em março de 2026.

A organização também informou que escolas, hospitais e outras estruturas essenciais foram danificados, dificultando o acesso a serviços básicos e ampliando os riscos para a infância.

Além das perdas humanas e dos deslocamentos forçados, a crise afetou o acolhimento de crianças órfãs. Após ataques que atingiram hospitais, centros de assistência e orfanatos, autoridades iranianas transferiram bebês e crianças pequenas de instituições de acolhimento para lares particulares.

A mudança abriu espaço para que famílias e mulheres solteiras assumissem os cuidados de crianças vulneráveis. Apesar dos possíveis benefícios do acolhimento familiar, especialistas apontam desafios relacionados à supervisão, à proteção, à documentação e ao acesso a serviços especializados. As consequências emocionais da guerra e a perda de familiares também estão entre as preocupações.

Família cristã relata dificuldades para matricular o filho

Além dos problemas provocados pelo conflito, famílias cristãs iranianas continuam enfrentando obstáculos relacionados à religião.

Hamid* e Hoda*, nomes alterados por segurança, contaram à Portas Abertas que tiveram dificuldades para matricular o filho em uma escola. Segundo o relato, durante o processo de inscrição, os responsáveis precisam informar a religião da família, e o casal recebeu várias recusas após se identificar como cristão.

“Visitamos uma escola após outra procurando uma vaga para nosso filho. Quando percebiam que éramos cristãos, a matrícula era negada”, contou Hoda.

Depois de um período de oração, a família encontrou uma escola cujo diretor aceitou a matrícula da criança.

“Esse momento nos lembrou como a oração é poderosa. Nosso Senhor continua abrindo portas que pareciam impossíveis”, afirmou.

O relato evidencia como a discriminação religiosa pode interferir em um direito fundamental da infância: o acesso à educação.

Cristã deseja criar orfanato para crianças vulneráveis

A Portas Abertas também apresentou a história de Zeinab*, uma cristã iraniana que vive atualmente em um país vizinho e participa de um programa intensivo de discipulado cristão promovido por um parceiro da organização.

Ela deseja retornar ao Irã no futuro para criar um orfanato cristão voltado ao cuidado de crianças em situação de vulnerabilidade.

“Como mãe, compreendo de forma prática as necessidades das crianças e sei o quanto é importante cuidar delas. Continuarei orando por essa visão até que Deus abra uma porta para que ela se torne realidade”, declarou.

O projeto ainda é apresentado como um desejo de Zeinab, que espera encontrar condições para colocá-lo em prática.

Consequências atingem famílias e comunidades inteiras

A perseguição contra crianças cristãs não se limita às experiências vividas na escola ou em outros espaços sociais. Segundo a Portas Abertas, pais podem ter medo de compartilhar a fé com os filhos ou de levá-los à igreja. Em algumas situações, famílias precisam mudar de localidade para proteger as crianças ou enfrentam marginalização por causa de suas crenças.

Quando a perseguição se soma à guerra, ao deslocamento e à perda de familiares, as necessidades de proteção e apoio se tornam ainda maiores. O impacto emocional pode acompanhar as crianças por muitos anos, afetando seu desenvolvimento e sua vida adulta.

A organização destaca a importância de proteger as crianças afetadas pela discriminação religiosa e pelos conflitos, garantindo condições de acesso à educação, acolhimento e apoio emocional.

Os relatos reunidos pela Portas Abertas mostram que, em diferentes contextos, a infância cristã pode ser marcada por desafios que vão da rejeição cotidiana à violência e à emergência humanitária. No Irã, a combinação entre restrições relacionadas à fé e os efeitos da guerra aumenta a vulnerabilidade de crianças que precisam de segurança, educação e proteção.

Fonte: Portas Abertas

Comentários