Em carta dirigida às igrejas brasileiras, o Comitê Executivo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) manifestou preocupação com o aumento da violência no Brasil e instou-as a dar testemunho da esperança e significado às pessoas nesse período de medo e terror.

Em carta dirigida às igrejas brasileiras, o Comitê Executivo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), reunido em Genebra nos dias 16 a 19 de maio, manifestou preocupação com o aumento da violência no Brasil e instou-as a dar testemunho da esperança e significado às pessoas nesse período de medo e terror.

“Enquanto ressoam os disparos de armas de fogo e a violência, esperamos que o chamado das igrejas e da sociedade civil pela paz e fim para a violência prevaleça”, diz a carta assinada pelo moderador do CMI, o pastor luterano Walter Altmann, do Brasil, e o secretário geral do organismo ecumênico, o pastor metodista Samuel Kobia, do Quênia.

A manifestação do CMI reporta-se à violência “sem precedentes” instaurada em São Paulo na sexta-feira, 12, por grupos criminosos, liderados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), e que resultou na morte de mais de uma centena de pessoas e destruição do patrimônio público.

“É pertinente que as igrejas não estejam somente chocadas pelas ações de uma organização criminal, mas também percebam a insuficiência do sistema legal e a superlotação das prisões. As reformas têm sido difíceis devido à corrupção, impunidade e falta de vontade política”, assinala a carta do CMI.

Balanço da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, divulgado ontem à noite, registra 293 ataques contra instituições públicas e privadas, a servidores públicos de corporações militares e civis, iniciadas às 20h da última sexta-feira. Nos confrontos morreram 107 pessoas, das quais 41 policiais e quatro civis.

O Comitê Executivo do CMI une-se às igrejas do Brasil oferecendo sinceras condolências aos familiares das vítimas dessas agressões. Lembra, também, que o foco da Década para a Superação da Violência em 2006 é a América Latina, evento que pode contribuir para “superar esse flagelo de violência que está destruindo nossas sociedades”.

Essa foi a primeira reunião do Comitê Executivo do CMI depois da realização da IX Assembléia do organismo ecumênico internacional, realizada em Porto Alegre, de 14 a 23 de fevereiro, e a primeira reunião presidida pelo novo moderador, Walter Altmann, escolhido na ocasião. O Comitê Executivo é constituído por 23 conselheiros eleitos para o Comitê Central do CMI, que tem, no seu todo, 152 integrantes.

O CMI define-se como uma fraternidade de igrejas que confessam Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Ele reúne 348 igrejas protestantes, ortodoxas e anglicanas, que somam 590 milhões de cristãos em 110 países.

Fonte: ALC