O filme “A Bússola Dourada”, lançado oficialmente no ultimo dia 7 de Dezembro causou grande estardalhaço em duas frentes: em primeiro lugar nas bilheterias de cinema onde arrecadou milhões de dólares, e foi para o topo da lista dos mais assistidos ainda no primeiro fim-de-semana; e em segundo lugar, junto à comunidade cristã internacional, que escandalizada com o conteúdo supostamente ateísta do filme, propôs um boicote ao mesmo.

Certamente que essa onda de boicotes a filmes agressivos à fé cristã não é novidade. Não faz muito tempo, evangélicos do mundo todo saíram às ruas para repudiar publicamente o filme “O Código de Da Vinci”. E, se voltarmos ainda mais um pouco podemos lembrar de campanhas similares quando filmes como “A Última Tentação de Cristo” e “Je Vous Salue, Marie”, freqüentaram as telas de cinema.

É engraçado como o povo cristão se ofende tanto com obras artísticas e age de forma tão destemperada, e não tem a mesma reação ou mobilização diante das injustiças sociais e genocídios que pipocam no mundo inteiro a cada instante.

No caso de “A Bússola Dourada”, o problema nem é tanto o filme em si, mas sim a trilogia de livros, nos quais o filme é inspirado. Escritos pelo ingles Phillip Pullman, a série de três livros da chamada “Fronteiras do Universo”, é direcionada ao público infanto-juvenil na mesma linha de “Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien e “Crônicas de Narnia” de C. S. Lewis. A diferença, é que os livros de Pullman têm um toque, e para alguns bem mais do que isso, de ateísmo incutido em suas tramas.

Apesar de negar categoricamente ser propagador do ateísmo, fica difícil não acreditar que há uma intenção oculta nos seus escritos. No final da trilogia, repleta de analogias referentes à Igreja católica , Pullman imagina uma “guerra contra Deus”, vencida pelos personagens principais. No final de tudo “Deus” está morto e a queda do homem no jardim do Éden é reencenada pelos personagens, só que desta vez tendo como conseqüência, a salvação do universo. Se isso não é promover o ateísmo, então eu não sei o que é. Além disso, o escritor tem um ódio visível pelas obras de Tolkien e Lewis, chegando a declarar, quando do centenários de C.S. Lewis, que seus livros são “das coisas mais horrendas e venenosas que já li”. Claramente o fato dos autores citados incutirem valores cristãos em seus livros, serviu como catalisador no seu processo criativo. A trilogia de Pullman busca ser o anti-Tolkien, o anti-Lewis, o anti-Cristo.

A grande questão em relação ao filme “A Bússola Dourada”, como já dissemos antes, não é o filme por si mesmo, já que trata-se apenas de um filme de ficção-fantasia para pré-adolescentes, e pouco traz do conteúdo principal da obra de Pullman. Mas, o problema e despertar no público infantil o desejo de conhecer o restante da série e se enveredar pelo universo sombrio e sem esperança de seus livros.

Sempre tenho a tendência de me posicionar contra boicotes de forma geral, porque penso que na maioria das vezes são medidas extremistas e que promovem mais o ódio e a intolerância do que os valores cristãos. Mas acho que os pais devem ter muito cuidado com as obras de Phillip Pullman, agora bastante promovidas por conta do filme. Nos adultos e com o mínimo de base bíblica podemos refutar suas elucubrações ateístas de forma bem tranqüila; mas as crianças serão expostas a um mundo de fantasia bastante sedutor e cativante, mas que no fundo questiona todos os princípios do cristianismo, e mais importante a pessoa de Cristo, como salvador da humanidade.

Talvez levar seus filhos para visitar um orfanato, fazer uma doação a uma família carente, ou acolher um amiguinho menos favorecido, possa cumprir o papel de ir ao cinema ver um filme bobo e contrário às nossas crenças. Talvez isso possa mesmo tomar o lugar e o tempo de promover um boicote pura e simplesmente, e transformar uma ação vazia, em cristianismo dinâmico e objetivo. Pense nisso.

Um abraço,

Leon Neto

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