Quando Jesus disse que nós, humanos, ao julgarmos os outros julgávamos a nós mesmos, enunciava algo cuja aplicabilidade é absoluta e se estende para todas as camadas de qualquer existência consciente.

Ninguém escapa disso, até que creia que é assim. Então, entendendo que sabe apenas em parte, vê somente em parte, e compreende somente em parte, começa, pelo não julgamento, a saber muito mais, a ver bem mais fundo, e compreender bem mais amplamente; posto que é na ausência de juízo temerário (que é todo juízo humano que sentencie um outro aos olhos de Deus, ou que pretenda definir e congelar para sempre uma alma do próximo), que o amor encontra o seu ambiente; e, sem dúvida, nada aumenta mais a percepção humana que o amor.

Assim, quanto menos se sabe, vê e compreende, mais se julga, mais se condena, mais se executa; e quanto mais se sabe, vê e compreende, menos se julga, menos se condena, e jamais se executa ninguém.

Esse que não julga a outros, julga-se a si mesmo. Entretanto, conforme seu próprio juízo, deve viver sua própria vida, sem se submeter a juízos farisaicos, e, nem tampouco, deve deixar de respeitar a fraqueza de consciências mais fracas.

Ora, tal princípio vai das camadas psicológicas mais obvias às realidades espirituais mais elevadas.

No entanto, admitir que nosso julgamento de outros é apenas a nossa própria visão de nós mesmos e de nosso mundo mais que particular, cria uma definição acerca da “teoria do conhecimento”; ou seja; determina um valor de natureza cognitiva.

Assim, quando as pessoas me perguntam se creio que existe inferno, se creio em sua eternidade, se sei o que é eternidade, se acredito no Tribunal de Cristo como um Lugar, se o Milênio do Apocalipse é de mil anos, e coisas do gênero…—, minha situação fica muito difícil; pois, de fato, creio em inferno, em sua eternidade, no tribunal de Cristo, e em todas as demais coisas que estão afirmadas nas Escrituras.

Todavia, como só vejo, sei, e compreendo a partir de mim mesmo, e como não creio no letrismo da Escritura, mas sim em seu espírito, que é o que produz vida — conforme sou ensinado por Jesus —, então, ao ser indagado se creio em tais coisas, digo que sim. Mas quando sou chamado a explicá-las, além de não poder fazê-lo — o que posso é intuir —, ainda assim, na maioria das vezes, não me faço perceber por grande parte das pessoas.

E por quê? Ora, é que cada um só compreende a partir de si mesmo também. Nesse caso, quando a alma se dilatou pela compreensão que vem do amor (que é feita de pura intuição), então, mesmo sem compreender para poder explicar, tal pessoa discerne para si o que é.

Ora, nesse caso, muitas vezes, tal pessoa ouve muitas coisas que supostamente vêm das Escrituras — só que sempre como letra morta e parada, feita de dogmas e doutrinas —, e, sem saber dizer o porquê, no fundo do coração, não consegue crer naquilo que se diz que ela precisa confessar com a boca para ser crente mesmo.

É algo parecido com “crente” cantando “Pátria amada, idolatrada, salve, salve!”. Canta, mas não crê!

Ora, estou dizendo isto porque creio que os sistemas de julgamento e de compreensão que cada indivíduo possui em relação a si mesmo, e projeta nos outros, também se aplica a tudo o mais; incluindo a “compreensão coletiva” de uma determinada geração.

Exemplo: numa cristandade que fez a eternidade ser apenas um Tempo Sem Fim, o inferno é um tormento num tempo sem fim; e como Tempo demanda Espaço, então, logicamente, o inferno tem que ser um Lugar.

Ora, se se é letrista, então, se lê na Escritura algo sobre “aquele lugar”; ou: “Botou uns à direita e outros à esquerda”; ou: “Este lugar de tormento”; ou: “Manda que embeba uma esponja em água e me molhe a língua (no inferno)”—; então, imediatamente, ao se ler coisas desse tipo, se diz que qualquer um que diga crer no inferno, mas que não creia que ele é um “lugar”—como são os lugares, feitos de tempo e espaço—; que diga crer em eternidade, mas não como um “Tempo Sem Fim”—; esse logo é imediatamente rebaixado à condição de “herege”, um relativizador da Escritura, um falso profeta.

Eu creio na existência do Inferno e de muitos outros infernos. Eu creio no Dia do Juízo e creio que todos os dias são de juízo; sendo que há uns maiores.

Eu creio que Jesus voltará, embora creia que todos os dias Ele esteja voltando.

Eu creio no Arrebatamento dos Santos, embora creia que todos os dias muitos santos são levados.

Eu creio no Céu e nos céus; na Morada e nas muitas moradas; no Galardão, mas também creio na “pedrinha branca”.

Porém, para mim, o inferno só é tempo-quase-sem-fim, na Terra; onde existe tempo e espaço, e onde o agravo da culpa, da dor, do remorso ou da vergonha “fazem” o tempo não ter fim, e “fazem” com que a própria Terra seja insuficiente para que essa pessoa se esconda da vergonha e do juízo.

Ora, há pessoas que não saem desse inferno “até que paguem o último centavo”.

No entanto, pela própria natureza e significado do que é eterno, não creio no inferno como um lugar.

Se é lugar, é no tempo. Se é eterno, é no não-tempo.

A eternidade não é a longevidade do tempo, mas sim a sua inexistência. E como creio na eternidade, creio que o Inferno é algo que acontece no não-tempo; sendo, portanto, de natureza dimensional e existencial.

Assim, do ponto de vista do Tempo, o Inferno como tempo, inexiste. Porém, do ponto de vista da eternidade, esse julgamento é feito de “Momento-é”: que é aquilo que chama todas as coisas à existência e as expõe à verdade; e, assim, a consciência é queimada pelo juízo eterno como verdade; mesmo que no tempo não se tenha nem mesmo uma medida que seja menos que quântica para medir tal realidade ou lapso eterno.

No entanto, sinceramente, dado ao eterno fato de que o Cordeiro se imolou pela criação antes da fundação do mundo, eu creio que uma pessoa só passa a existir em estado-eterno-de-inferno se o desejar. Do contrário, nele não ficará nada além da eternidade do Momento-é.

(Veja que até para escrever isto aqui eu só consigo falar no não-tempo com categorias de tempo; daí eu ter dito: “…nele não ficará nada ‘além’ da eternidade do Momento-é.” Ora, “além” é sempre em relação a algo espaço-temporal, portanto, inadequado para descrever o não-tempo).

No entanto, assim como o Diabo, existem seres que odeiam de verdade o amor. Não sei explicar como isso é possível. Para mim é mistério. No entanto, tais seres optam por provar o inferno; e ao fazerem, desejam ficar nele como estado-existencial. Então, como espíritos, se demonizam; não havendo mais distinção entre eles e os demônios.

Também em razão de que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, e, também, considerando que Paulo declara que o ponto Omega de todas as coisas será quando Deus, em Cristo, reconciliar todas as coisas com Ele mesmo, quer nos céus, quer sobre a terra—eu creio que haverá um “dia” (termo espaço-temporal e inapropriado) no qual todos, todas as criaturas conscientes, de todas as criações e de todas as dimensões e formas de existência, se reconciliarão com Ele.

Também creio que se houver “irreconciliáveis”, a mesma Voz que chamou todas as coisas à existência, agora, chamará essas poucas coisas à inexistência. Esta é a Segunda e Última morte.

No fim-começo-eterno, todos os Universos e Cosmos, e todas as Dimensões e formas de existência, cantarão um único cântico em todo o Ambiente de suas existências, na presença solene Daquele que é, que era, e há de vir; e dirão:

“Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor.”

Então veremos e ouviremos que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estará dizendo:

“Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos. E os quatro seres viventes responderão: Amém! Também os Anciãos prostrar-se-ão e adorarão.”

Ora, quando se diz “todas as coisas” ou “todas as criaturas”, é exatamente isto que se está dizendo. E como adoração e louvor são condições do amor, logo seria de se supor que todas as criaturas se reconciliarão com Ele; ou que havendo quem não queira, esse mesmo pela sua não-vontade de ser em Deus, na mesma hora deixe de ser; ou seja: de existir.

A eternidade como comunhão eterna será feita apenas das consciências que se unirem à vontade de Deus. Então, no incomensurável e irreferível Templo Sem Santuários, no qual existem todas as existências, tudo dirá apenas “Glória”; pois a luz do Cordeiro os iluminará eternamente.

Tudo isto só terminará assim porque começou assim, visto que o Alfa e o Omega são Um. Desse modo é que o Cordeiro-Alfa é exatamente Aquele que aparece como Cordeiro-Omega.

Jesus é a síntese do Alfa e do Omega!

Tudo começou com a Cruz. Tudo se Consuma na Cruz. E a consumação de todas as coisas é a Cruz.

A Cruz da Eternidade se fez Cruz na História. E a Cruz da História é a Cruz da Eternidade. Na Cruz, tempo e espaço fazem seu único vértice com o Eterno.

É por causa da Cruz Eterna que tudo já Está Feito ainda que nada tenha acabado!

Ora, tudo o que disse acima foi aquilo no que cri desde menino na fé; e, para tanto, tomo o Presbitério de Manaus e meu próprio pai como testemunhas, visto que esse foi o tema de minha tese de ordenação quando ainda era apenas uma criança pregando.

Digo isto porque os “maldosos” podem dizer que isso tem a ver com “conclusões recentes e circunstanciais”, talvez em razão de que creiam que nos últimos anos eu tenha precisado mais da Graça de Deus do que antes, ou, quem sabe, do que eles precisam.

No entanto, evangelizei, preguei, exortei, ensinei, gritei em estádios, anunciei em praças, falei na televisão, nos rádios, nos jornais, nas revistas, nos livros, nas fitas de mensagens, etc…; e, sobretudo, cara-a-cara, no dia a dia, igual a carro velho, que onde pára, prega—sempre levando na alma e na fé exatamente estes conteúdos que aqui expresso com toda simplicidade.

Meu ânimo para pregar a Boa Nova sempre veio dessa Fonte. Ou seja: é a Promessa da Vida o que me motiva a pregar o Evangelho, e não a realidade do inferno. Afinal, de inferno todo mundo entende, posto que nele muitas vezes se vive. Mas de Céu e Graça, de Vida e Eternidade, pouco gente na Terra discerniu o significado; posto que este é apenas concedido por revelação.

Mas como me farei entender por alguém para quem a eternidade é apenas um “tempão imensurável”? Já esbarramos em problemas de natureza de juízo e percepção desde o início. Só uma revelação os fará perceber e discernir o que digo; posto que aqui não descreio de nada, mas quebro muitos paradigmas e arquétipos de “crenças” a meu ver vestidas pelo espírito do ódio, e não do amor de Deus.

Para mim, todavia, tudo isto é secundário, pois, de fato, a única Verdade é Cristo; o resto é discussão sobre o tema; todas fundadas em nossos próprios juízos morais e em nossos próprios dogmas ou limitações interiores.

O que me aflige e sempre afligiu, foi e é a percepção de que os crentes querem e precisam que o inferno seja como eles dizem; e que para lá vá gente diferente deles; pois, para eles, seria uma perversidade terem feito os “sacrifícios de abstinências” que fizeram (como os do Irmão mais Velho do Filho Pródigo da Parábola de Jesus), para, então, descobrirem que a misericórdia triunfa sobre o juízo em qualquer Instância, ou Era ou Aeon da existência.

Ora essa necessidade compulsiva que muitos cristãos têm do inferno como estimulo à vida com Deus na Terra, apenas demonstra a falta de amor por Deus, por parte de todo aquele que serve a Deus por medo. E esse desejo cristão de que “assim seja para toda gente diferente”, é a coisa mais anticristã que se poderia esperar de um ser genuinamente cristão.

Sim, isto porque há pessoas que odiariam a Deus se Ele acabasse com o Inferno. Nesse caso, o Inferno teria que ser outra vez recriado para abrigar esses amantes da danação.

Foi por essa razão que Jesus disse aos cães raivosos de dentro: “Muitos virão… (do norte, do sul, do leste e do oeste), mas vocês ficarão de fora!”

A maior certeza de condenação ao inferno deve ter todo aquele que não quer entrar na festa do Perdão. Esse, ficará de fora; e viverá de seu próprio ódio.

O “choro e ranger de dentes” são raivosos, não arrependidos; pois, eu lhes digo: Não importa qual seja o estado ou dimensão, onde quer que uma consciência se ascenda em arrependimento e compreensão do amor de Deus, daí tal pessoa sairá; e entrará na Festa; pois Deus é Pai e é amor.

Assim, o dogma da Graça é amor, e o dogma do Juízo é ódio.

Não adianta: no fim, todo o Evangelho é acerca disso!

Ora, isto, eu creio, só não entende aquele a quem o príncipe deste mundo tiver cegado o entendimento. Pois onde o amor de Deus se instalou, mesmo quem não sabe explicar, sabe, todavia, que é assim.

Prego a Boa Nova porque é uma ordem, mas, sobretudo, porque é um privilégio, visto que por ela me torno embaixador de paz, da parte de Deus, anunciando ao mundo que o Império das Trevas está vencido na Cruz, e que todo aquele que crer nisto, é transportado imediatamente para o reino do amor de Deus, no qual temos redenção, a remissão dos pecados.

Prego a Boa Nova porque desejo ver meu semelhante livre do pavor da morte e da escravidão ao diabo e ao curso deste mundo, os quais mantêm a existência na escuridão do significado da vida.

Prego a Boa Nova porque sei que com Deus tudo é melhor; até a dor; até a perda; até a angústia; até a morte; posto que somos doídos, mas não vencidos; sentimos perdas, mas jamais perdemos; provamos angústia, mas nunca sem a pulsão de uma esperança essencial.

Prego a Boa Nova porque sei que existem milhões, bilhões de almas humanas que intuitivamente concordam com Ele; as quais, já foram preparadas em suas consciências para recebê-lo, cumprindo a mim carregar o privilégio apenas histórico de ajudar a acender essa chama.

Prego a Boa Nova porque Deus preferiu que eu a pregasse, e não o próprio Arcanjo Gabriel.

Coisa de Deus! Vai Explicar?

Nele,

Caio