Sede da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça
Sede da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, Suíça

Jamil Chade
Colunista do UOL

Ciente da influência de religiosos em muitas comunidades, a OMS apela para que igrejas e comunidades de fé ajudem a combater a desinformação e que usem sermões para esclarecer as medidas que seguidores devem tomar para se proteger e cuidar dos demais.

Num comunicado enviado a líderes religiosos, a entidade pede que ampliem o uso a internet, rádio e televisão para difundir suas mensagens e que, com a tecnologia, consigam evitar que aglomerações sejam promovidas.

A orientação da OMS é: “Evitar grandes reuniões de grupo e realizar rituais e atividades relacionadas com a fé à distância/virtualmente, conforme necessário e sempre que possível assegurar que qualquer decisão de convocar reuniões de grupo para culto, educação ou reuniões sociais se baseie numa avaliação sólida dos riscos e em conformidade com as orientações das autoridades nacionais e locais”.

“Instituições religiosas e organizações religiosas devem proteger os seus membros, ajudando-os a manter uma distância segura entre eles”, defende a OMS. A entidade pede que religiosos desencorajem encontros físicos não essenciais e que organizem encontros virtuais através de transmissões em direto, televisão, rádio, meios de comunicação social.

Nos poucos locais onde missas e cerimônias ainda são permitidas, a entidade apela para que medidas de cuidado sejam tomadas para evitar que centros religiosos se transformem em locais de difusão da doença. Entre os cuidados está o de não beijar santos ou outras divindades.

Mas é mesmo a influência de lideranças religiosas que mais interessa à agência. “As organizações religiosas e as comunidades de fé estão entre as fontes de informação mais fiáveis, bem como a pastoral, a saúde e a assistência social nas nossas comunidades”, disse a OMS, em uma nova técnica.

“Seus seguidores e membros da comunidade podem confiar e seguir orientações sobre o COVID-19 vindas de líderes religiosos ainda mais do que se forem entregues por governos e autoridades de saúde”, admite a organização.

“”Os líderes religiosos também têm uma responsabilidade especial em combater e combater a desinformação, os ensinamentos enganosos e os rumores, que podem propagar-se rapidamente e causar grandes danos. Os sermões e mensagens podem basear-se em informações factuais fornecidas pela OMS e pelas autoridades de saúde pública nacionais ou locais e estão de acordo com a doutrina/ensino e a prática das suas respectivas tradições religiosas”, diz.

“Devido à sua influência, os líderes religiosos podem ser recursos poderosos para agências e organizações que estão a comunicar com o público sobre o COVID-19. Os líderes devem ser informados sobre as organizações que apresentam informação credível nas suas comunidades e juntar-se a elas, utilizando e apoiando as suas mensagens (por exemplo, OMS, universidades, ongs)”, afirma o comunicado.

Um dos objetivos é de que as Igrejas e líderes religiosos ajudem a reduzir o medo e o estigma. “Os líderes religiosos podem ter acesso a orientações em formatos e numa linguagem laica que os seus membros possam compreender. A orientação da OMS tem sido replicada e partilhada em determinadas plataformas de fé”, sugeriu.

“Os líderes religiosos de organizações religiosas e comunidades religiosas podem partilhar informações sobre saúde para proteger os seus próprios membros e comunidades mais vastas, que podem ser mais aceites do que de outras fontes”, defendeu.

“Ao partilhar medidas claras e baseadas em provas para prevenir a COVID-19, as instituições de inspiração religiosa podem promover informação útil, prevenir e reduzir o medo e o estigma, proporcionar tranquilidade às pessoas nas suas comunidades e promover práticas de poupança de saúde”, diz a nota.

Missas, cultos e reuniões

De acordo com a OMS, nos locais onde missas sejam autorizadas, religiosos devem seguir de forma clara um protocolo. “Se não forem capazes de executa-lo para manter a sua comunidade segura, as reuniões físicas planejadas devem ser canceladas”, diz.

Estas são as medidas:

– O número e o fluxo de peregrinos nos locais de peregrinação deve ser gerido de forma a respeitar o afastamento físico.

– Os lugares ou a posição dos participantes nos serviços de fé devem estar separados pelo menos 1 m. Se necessário, criar e atribuir assentos fixos para manter distâncias seguras.

Identificar uma sala ou área onde uma pessoa possa ficar isolada se ficar doente ou começar a desenvolver sintomas.

Evitar o contato entre as pessoas que frequentam os cultos religiosos e adaptar ritos.

Criar novas formas para a sua comunidade se cumprimentarem mutuamente que reduzam o risco de transmissão COVID-19. Algumas saudações que estão a ser adotadas nas comunidades religiosas incluem: Substituir abraços, beijos e apertos de mão por um arco ou um sinal de paz ou usar uma saudação em linguagem gestual, mantendo a distância física.

Cumprimentar as pessoas na entrada de Igrejas com palavras amigáveis e sorrisos, em vez de apertos de mão ou outras formas de contato físico.?
Muitos adoradores partilham um “sinal de paz” durante os cultos, incluindo apertos de mão e abraços. Estes estão a ser substituídos, por exemplo:

– Contato visual e um gesto de “paz” aos outros.

– Um “sinal de paz” comum oferecido em uníssono.

– Evitar tocar ou beijar objetos de devoção e outros objetos que a comunidade está habituada a manusear comunitariamente. Curvar-se diante de estátuas sagradas ou ícones, em vez de tocá-los.

– Receber uma bênção de pelo menos 1 m de distância e evitar a distribuição da Sagrada Comunhão que envolve colocar a hóstia na língua ou beber de um copo comum.

– Esvaziar as fontes de água benta para evitar que as pessoas mergulhem os dedos numa tigela comum.

– Peça aos adoradores que tragam os seus próprios tapetes pessoais de oração para colocar por cima do tapete para as orações diárias.

Fonte: Jamil Chade – colunista do UOL