As mulheres da cidade de Roqaya Al Ghasara, no Bahrain, estão tão orgulhosas de sua velocista pioneira em Olimpíada que algumas delas se juntaram para desenhar o molde e costurar um conjunto de véus “aerodinâmicos” para ela correr.

A esgrimista egípcia Shaimaa El Gammal, em sua terceira Olimpíada, colocará o aparato de cabeça islâmico em Pequim pela primeira vez. Ela diz ser um símbolo que mostra que atingiu a maioridade, e que se sente mais forte que nunca.

Estes Jogos Olímpicos verão uma considerável quantidade de atletas com véu, determinadas a evitar ofensas ao islamismo e problemas na volta para casa.

Duas delas, Al Ghasara, do Bahrain, e Homa Hosseini, do Irã, tiveram a honra de ser porta-bandeiras de seus países no desfile de atletas da cerimônia de abertura.

“O ‘hijab’ nunca foi um problema para mim. No Bahrain, nós crescemos usando…”, disse Al Ghasara, com um boné branco em cima do véu que cobre seus cabelos e o pescoço. A roupa folgada que usa para correr só expõe seu rosto e mãos.

“Agora são mais mulheres no esporte de países como Qatar e Kuwait. Você pode escolher usar hijab, ou não. Para mim, é libertador”, acrescentou Al Ghasara, cujos véus para correr são em vermelho ou branco, as cores do Bahrain.

Desde que começaram a aparecer, algumas décadas atrás, véus em Olimpíadas chamam atenção.

Este ano, uma impressionante meia dúzia de atletas do Egito, três do Irã, uma do Afeganistão e uma do Iêmen competirão com cabeças cobertas como Al Ghasara. Elas dizem que querem inspirar outras mulheres em seus países para que quebrem o preconceito de estereótipos muçulmanos.

“Simbólico”

“Pessoas nos vêem usando a echarpe e acham que montamos camelos. Mas as mulheres muçulmanas podem fazer o que querem”, disse El Gammal, uma esfuziante garota de 28 anos cuja irmã também competirá na esgrima, e também usando o aparato islâmico.

“Quando eu jogo, me sinto orgulhosa de ser muçulmana. É muito simbólico para as mulheres em meu país”, disse El Gammal à Reuters.

As atletas, na Vila Olímpica de Pequim, buscam a comida islâmica, para as centenas de muçulmanos, mas ali só há uma mesquita para homens, ainda que ali também estejam muitas muçulmanas sem véus, de países como Tunísia, Irã e Paquistão.

Enquanto Arábia Saudita e Brunei não permitem que as mulheres pratiquem esporte, teoricamente, as nações do Golfo, dos Emirados Árabes Unidos e Omã enviaram atletas mulheres para a Olimpíada pela primeira vez, em Pequim.

As mulheres iranianas ainda batalham contra restrições mas três delas, com as cabeças cobertas, vão competir em remo, taekwon-dô e tiro com arco. O Afeganistão, com a burka obrigatória sob as regras do Talibã, tem sua velocista Robina Muqimyar vestida, nos 100 metros.

Al Ghasara, 25 anos, foi a primeira atleta do Bahrain a ganhar um ouro no circuito internacional de atletismo e ganhou a primeira medalha feminina nos Jogos do Oeste Asiático, quando foram abertos a mulheres em 2005.

Com um punhado de vitórias, ela quebrou barreiras para as mulheres no esporte do Bahrain, onde muitas ainda usam o hijab de forma que as cubra da cabeça aos pés.

Na Olimpíada, ela espera ajudar a acabar com a percepção entre muitos ocidentais de que o véu significa repressão.

“Nós temos mulheres que são embaixadoras, médicas, pilotos”, disse a velocista, que reza diariamente em sua cama pelos atletas, mas tem um “fraco” por unhas vermelhas e compras.

“Sou criticada em casa, mas na Olimpíada raça ou religião são irrelevantes. Nós estamos aqui apenas pelo esporte.”

Fonte: Yahoo Notícias

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