O contato com pessoas alheias a seu ambiente e a mudança social estão acelerando a expansão da aids entre a população indígena e os povos da floresta em todo o mundo, inclusive no Brasil, segundo o relatório “O Progresso Pode Matar”, da ONG Survival.

“Com a mudança cultural extraordinária e o aumento do contato com gente de fora de suas comunidades, os indígenas e os grupos tribais estão expostos a um aumento no risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis” (DSTs), dizem os especialistas da ONG no estudo, publicado ontem.

“Na África em particular, houve uma expansão das DSTs entre os grupos indígenas com a chegada dos projetos de desenvolvimento em larga escala”, continua.

O texto cita como exemplo as mulheres Ogoni após o desembarque dos trabalhadores das petrolíferas na região do delta do rio Níger (Nigéria).

Os ianomâmis, que vivem majoritariamente em Roraima e no sul da Venezuela, também sofreram as conseqüências da chegada do “progresso” a suas vidas. Segundo a ONG, em 2002 o grupo indígena perdeu 20% da população por doenças introduzidas por garimpeiros, madeireiros e posseiros.

“Os soldados já trouxeram a gonorréia e a sífilis. Tememos que, se continuarem mantendo relações sexuais com as mulheres ianomâmi, contagiem” com o vírus da aids (HIV), comenta o ativista Davi Kopenawa, citado pelo relatório.

A situação em Papua Ocidental, região da Indonésia, é parecida, segundo o reverendo John Barr da congregação religiosa Uniting Church da Austrália: “Muita gente acha que os militares têm um interesse pessoal em introduzir e perpetuar o problema da aids”.

“A introdução da aids está sendo interpretada como uma forma efetiva de acabar com a população indígena. Muitos acham que isto é um caso flagrante de limpeza étnica”, afirma.

Para Barr, o problema está na chegada da prostituição à região como forma de recompensa para os líderes tribais pela concessão de terrenos que depois serão utilizados em explorações comerciais.

Em conseqüência deste processo, na Indonésia “em 2004 havia 15 mil pessoas que tinham desenvolvido a aids e outras 60 mil infectadas com o HIV”, indica o relatório.

E tudo isto com dados oficiais, porque a Survival acredita que os casos reais de infecção de aids entre a população indígena mundial são maiores do que os que realmente se conhecem.

“No assentamento de New Xade em Botsuana, por exemplo, 40% das mortes de bosquímanos das tribos Gana e Gwi foram por aids. É provável que mais 10% das mortes neste local sejam devido à doença”, afirma a ONG.

Fonte: EFE