Hee-Yol compartilha o testemunho sobre os dois anos que passou presa na Coreia do Norte. (Foto: Portas Abertas)
Hee-Yol compartilha o testemunho sobre os dois anos que passou presa na Coreia do Norte. (Foto: Portas Abertas)

Hee-Yol [nome fictício por questões de segurança] foi prisioneira na Coreia do Norte e tem uma história impactante para contar. Ela conseguiu escapar do país por causa da Grande Fome que afetou a região nos anos 1990.

Na China, Hee se converteu ao cristianismo e conheceu a palavra de Deus. Um tempo depois, porém, foi enviada de volta para a Coreia do Norte e detida. Na prisão, a fé da cristã foi posta à prova, mas ela encontrou vida e luz para permanecer firme na fé.

Ela conta que, enquanto estava presa, sempre cantava. E agora que está em liberdade, continua cantando com bons motivos. Atualmente, Hee vive na Coreia do Sul, onde estuda e costura para viver.
Quem a vê hoje, não imagina que Hee foi vítima de tráfico humano e ex-prisioneira norte-coreana que sofreu todo tipo de abuso.

História de Hee-Yol

Quando Hee-Yol conheceu a palavra de Deus e começou a crescer na fé, ela foi enviada de volta para a Coreia do Norte e viveu um pesadelo vivo.

“Um dia, a polícia chinesa invadiu a empresa em que eu trabalhava. Os policiais exigiram ver meu cartão de identidade e, quando eu não pude mostrar um, eles me levaram para a delegacia local para eu provar minha identidade chinesa e, contra minha vontade, fui enviada para a Coreia do Norte”, relembra.

Nos anos 2000 ela foi enviada de volta para a Coreia do Norte e os colegas de igreja na China tentaram ajudá-la, mas não puderam fazer muito. De volta ao país, Hee-Yol foi enviada para um centro de detenção por dez dias.

“Depois de dez dias, eu estava em um trem para outra área e fui enviada para a Agência Estadual de Segurança. Sem promessa para o futuro, eu não conseguia dormir à noite, eram dias tão difíceis”, conta.

A cristã conta que foi enviada para outra prisão, onde as paredes eram escuras e a cela era fria. O único aquecimento era um cobertor fino que a separava do chão de madeira. A pequena cela da prisão tinha nove prisioneiros e não era confortável.

Como Hee-Yol tinha um sotaque sul-coreano, os guardas abusavam muito dela. “Se as câmeras nos pegavam conversando com prisioneiros ao nosso lado, a punição era chamada de pompu, em que colocamos as mãos para trás e temos que agachar e depois nos levantar mil vezes. Se o guarda estivesse de bom humor naquele dia, nos daria uma pausa de cinco minutos”, compartilha.

“Vivendo como um animal”

Na primavera seguinte, Hee foi transferida para outra prisão para cumprir a sentença de quatro anos. Quando ela chegou lá, pensou: “Não há promessa para o futuro. Será que vou sobreviver?”.

Ela conta que, na Coreia do Norte, a pessoa ganha recibos quando vende animais como porcos ou bois. Hee disse que após o julgamento os prisioneiros perdem a cidadania e se tornam como esses animais vendidos.

“Quando cheguei à cadeia, eles colocaram a minha impressão digital num recibo e eu pensei: “Agora sou um animal”. Ela teve os cabelos cortados e passou a usar uniformes.

“Os prisioneiros foram orientados a espionar uns aos outros. Uma das regras é chamada de três em um. Três estão posicionados para vigiar um ao outro. Não podíamos falar ou nos mover livremente, não poderíamos sequer olhar para o céu azul”, relembra.

A comida tinha fungos e a sopa era feita com as camadas duras do repolho, temperada com um pouco de sal. “Todos chamavam de asa do corvo”, ela disse. Muitos prisioneiros não podiam tomar sopa com água salgada, porque as autoridades não queriam que eles comessem algo temperado para fortalecer as pernas e escapar.

Hee-Yol ainda tem os dentes desgastados por comer arroz com pedras e lembra que muitos prisioneiros desenvolveram apendicite e alguns chegaram a morrer de fome.

“Estava passando pelo túnel do inferno, vivendo todos os dias na prisão. Em uma pequena cela, vivia cerca de 50 a 60 prisioneiros. O banheiro ficava dentro da cela. O cheiro horrível do banheiro não me permitia abrir os olhos, mas tínhamos que ficar na cela. Piolhos, percevejos, baratas e até ratos nos atormentavam à noite”, detalhou.

A vida depois da prisão

Durante a detenção, Hee conheceu Lydia, uma outra cristã que também estava presa. Através da amizade delas, Hee foi abençoada e fortalecida na fé, se mantendo firme no evangelho durante a condenação.

Embora ela tenha sido condenada a quatro anos de prisão, Deus respondeu às suas orações e ela foi libertada dois anos antes. “Eu não via minha família há seis anos. Meus filhos tinham três e cinco anos quando fugi. Eles tinham agora nove e doze anos de idade e me viam como uma estranha”, revelou.

“Meu filho não se lembrava de mim. Embora minha família tenha ficado unida, todos nos sentimos muito estranhos, e eu estava muito sensível e não foi um reencontro feliz”, lamentou.

Fora da prisão e de volta à vida norte-coreana, Hee-Yol precisou manter sua fé em segredo. “Não foi possível expressar minha fé, tinha que orar sozinha”, disse.

Ela ficou em casa por três anos, mas uma vez que se experimenta a liberdade, não é possível mais viver na Coreia do Norte. Então Hee-Yol decidiu fugir novamente, desta vez para a Coreia do Sul, cruzando o rio Tumen.

Atualmente, ela trabalha como costureira e estuda psicologia. Hee intercede pelos cristãos que, assim como ela, enfrentam situações difíceis e abusos em países extremistas. Olhando para trás, Hee-Yol conclui: “No momento mais difícil da minha vida, encontrei Deus”.

Assista o vídeo:

Fonte: Guia-me com informações de Portas Abertas