Destruição no Iraque
Destruição no Iraque

Cerca de 50% dos cristãos iraquianos foram deslocados desde 2006. A chegada do Estado Islâmico foi o ponto crítico de uma tendência que já ganhava ritmo, enquanto os cristãos experimentavam uma total perda de esperança de um futuro bom e seguro. O Líbano foi o país que recebeu a maioria dos refugiados.

S.H. é um cristão e pai de cinco filhos. Ele e a família viviam em Mosul, no nordeste do Iraque, até 2005, quando balas foram disparadas contra sua casa. Entre junho e julho do mesmo ano, terroristas tentaram sequestrar um de seus filhos por três vezes, mas ele conseguiu escapar. Após isso, eles se mudaram para Qaraqosh, a 30 km de Mosul.

Três meses depois, o Estado Islâmico chegou, então em 6 de agosto de 2014, a família fugiu novamente. “Eles nos deram três opções: conversão, morte ou o pagamento de uma taxa especial para não-muçulmanos”, disse, acrescentando que desta vez eles fugiram para o Líbano.

Outro homem, de 43 anos, pai de duas meninas, identificado pela inicial N, fugiu para o Líbano em fevereiro de 2015, depois que o Estado Islâmico deu uma notificação por escrito falando que ele tinha 24 horas para deixar Bagdá ou ele e a família seriam mortos.

“Meu primo e seus avós foram mortos por bombardeios na casa deles porque não quiseram sair do trabalho ou se converter. Colegas foram sequestrados. Alguns foram libertados por 16 mil dólares, outros mortos. Foi dito a eles que deveriam negar a Jesus ou seriam mortos”, contou.

Valas comuns

Um relatório da Missão de Assistência ao Iraque da ONU (UNAMI) reportou a descoberta de 202 valas comuns contendo restos mortais de milhares de pessoas mortas pelo Estado Islâmico (EI). As valas foram encontradas nas regiões norte e oeste do país, nas cidades de Ninawa, Kirkuk, Saladino e Ambar.

O relatório enfatiza que essas evidências serão essenciais para processar os combatentes do EI por crimes de guerra cometidos contra civis, mas também ajudarão as famílias a descobrir o que aconteceu com muitos desaparecidos. Em apoio às famílias enlutadas, a relatório pediu um registro centralizado das pessoas que sumiram, assim como o estabelecimento de um Escritório Federal de Desaparecidos.

O EI invadiu o Iraque em 2014 e por três anos promoveu uma campanha de terror contra não muçulmanos, obrigando a maioria da população a fugir para salvar suas vidas, entre eles muitos cristãos da Planície do Nínive, no norte do país. Muitos dos que não fugiram foram torturados e mortos.

Em março, forças de segurança encontraram os restos mortais de 40 cristãos em valas comuns na cidade de Mossul, no norte do Iraque. Em julho, o Observatório de Direitos Humanos pediu mais ajuda em escavar valas comuns na cidade de Raqqa, no norte da Síria (considerada a capital do EI), que continham os restos de milhares de corpos de civis mortos por combatentes do grupo terrorista islâmico.

Fonte: Missão Portas Abertas