O número de denúncias de abusos sexuais cometidos por padres da Igreja Católica nos Estados Unidos diminuiu em 2006 pelo segundo ano consecutivo. Em 2006 foram recebidas 714 acusações pelas dioceses católicas, o que representa queda de 9% em relação ao número de 2005 – um total de 783.

O dado foi inserido no relatório anual publicado esta semana pelo Escritório Episcopal Americano para a Proteção da Infância e da Juventude.

“A diminuição de casos denunciados é uma boa notícia. A maioria das acusações refere-se a décadas passadas, mas o fato de existir algum caso recente é desconcertante”, afirmou o presidente do Comitê para a Proteção da Infância e da Juventude, o bispo Gregory Aymond.

Para Patricia Ewers, presidente da National Review Board – órgão que assessora o Comitê para a Proteção da Infância e da Juventude -, os números revelados pelo relatório são “reconfortantes”.

“Se há algo que podemos aprender com isto é a necessidade de que haja tolerância zero com os abusos”, assegurou Ewers.

O relatório, que apresenta dados de 99% das dioceses dos Estados Unidos, mostra que 70% dos casos denunciados em 2006 aconteceram entre 1960 e 1984.

Mais de 40% das acusações foram dirigidas a padres que nunca tinham sido denunciados, enquanto quase 60% das queixas são relacionadas a sacerdotes que já tinham aparecido em outros casos.

A maioria (70%) dos responsáveis identificados pelos abusos já morreu, deixou o cargo ou foi afastada do exercício religioso.

O relatório eclesiástico também destaca que das 714 denúncias recebidas apenas 17 se referem a vítimas que ainda são menores.

Os números do estudo revelam ainda os astronômicos gastos econômicos que os casos de abusos sexuais representam para as dioceses e as ordens religiosas americanas.

Em 2006, a Igreja viu como as despesas com indenizações às vítimas e com advogados diminuíram 15%, chegando a quase U$ 399 milhões, enquanto em 2005 ultrapassaram os U$ 466 milhões.

Números que devem ser somados ao U$ 1,5 bilhão gasto pelas 195 dioceses americanas em indenizações entre 1950 e 2005, segundo um estudo anterior.

Além disso, o relatório contempla o esforço econômico realizado pela Igreja Católica nos Estados Unidos para proteger os menores. Em 2006, esses investimentos eclesiásticos aumentaram 35%.

“Os esforços da Igreja para proteger os menores estão aumentando, o que demonstra nosso compromisso em criar um ambiente seguro e cheio de fé em nossas paróquias, escolas e outras instituições católicas”, explicou o bispo Aymond.

Nos anos 90, a Igreja Católica nos Estados Unidos teve que enfrentar milhares de escândalos por causa de abusos sexuais a menores.

Uma onda de denúncias abateu a instituição nesses anos. Desde então, a Igreja Católica americana decidiu implantar diversas políticas de proteção à infância e à juventude de suas dioceses.

Para demonstrar transparência, a conferência episcopal decidiu elaborar em 2002 um relatório sobre os abusos que afetavam suas paróquias e colégios.

Fonte: EFE