A deputada Maribel Sánchez mostra o mapa da Lista Mundial de Países em Perseguição, publicada pela Portas Abertas em janeiro de 2026. (Imagem: Congresso da Espanha/YouTube)
A deputada Maribel Sánchez mostra o mapa da Lista Mundial de Países em Perseguição, publicada pela Portas Abertas em janeiro de 2026. (Imagem: Congresso da Espanha/YouTube)

A Comissão de Assuntos Externos do Congresso dos Deputados (Parlamento espanhol em Madrid) aprovou uma iniciativa apresentada pelo Partido Popular (PP), de centro-direita, que visa fortalecer a resposta da Espanha à perseguição religiosa. A proposta centra-se na proteção das comunidades cristãs e na promoção de uma ação internacional mais enérgica contra os massacres motivados pela fé.

Durante a apresentação da iniciativa, a deputada Maribel Sánchez destacou que a liberdade religiosa “não é um privilégio confessional”, mas um direito humano fundamental e um “indicador de qualidade democrática”. Ela ressaltou que esse direito está consagrado no Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, embora a realidade global esteja longe de atender a esse padrão.

Apresentação da moção em defesa dos cristãos perseguidos por Maribel Sánchez, seguida de debate com contribuições de grupos políticos.

Números de uma crise global

Para contextualizar a urgência da proposta, Sánchez recorreu aos dados mais recentes de organizações líderes na área. Ela citou a Lista Mundial da Perseguição 2026, compilada pela Portas Abertas, que indica que 388 milhões de cristãos vivem em países onde sofrem níveis altos, muito altos ou extremos de perseguição e discriminação.

“Não se tratam de incidentes isolados”, afirmou Sánchez, mas sim de um padrão estrutural em que “a ascensão de governos autoritários e as guerras estão destruindo o direito à liberdade religiosa”.

No debate que se seguiu, a porta-voz do PSOE, María Dolores Corujo, partido do primeiro-ministro Pedro Sánchez, foi a crítica mais ferrenha da iniciativa apresentada pelo partido da oposição. Corujo proferiu um discurso agressivo, denunciando a “islamofobia populista” do PP e acusando-o de “perseguir muçulmanos” nas administrações locais dos municípios espanhóis.

Agustín Santos Maraver, do grupo de esquerda Sumar, também anunciou seu voto contra o projeto de lei, embora sua crítica tenha sido moderada e ele tenha reconhecido a importância de combater todas as formas de perseguição e discriminação. O deputado Santos defendeu o papel da Espanha no cenário internacional por meio de projetos como a Aliança das Civilizações, que promovem o entendimento e a cooperação, além de proteger as minorias.

O porta-voz do grupo de esquerda catalão Esquerra Republicana anunciou seu voto a favor da medida. Jordi Salvador afirmou concordar com a proteção de todas as minorias e que considera apropriado trabalhar no Congresso pelo respeito a todos. “Não existem crenças, sentimentos ou línguas de segunda classe”, declarou.

O canal de extrema-direita Vox encerrou a rodada de discursos manifestando seu apoio à proposta. Alberto Asarta abordou a situação de perseguição “sofrida pelos cristãos em tantos lugares como minorias vulneráveis, com sequestros, violência sexual, crimes e violência jihadista”.

Pressão diária para os cristãos

A iniciativa aprovada não apontou apenas para a violência física contra os cristãos, mas também para a discriminação sistemática que limita o cotidiano de milhões de fiéis em dezenas de países.

A este respeito, vale a pena recordar a análise que Ted Blake, diretor da Portas Abertas na Espanha, partilhou numa entrevista recente ao site de notícias espanhol Protestante Digital. Blake explicou que a perseguição é muitas vezes silenciosa e estrutural: “Não é que todos sejam perseguidos o tempo todo, mas vivem num contexto em que são vulneráveis ​​e os seus direitos são limitados no seu dia a dia”.

Essa pressão diária se traduz em dificuldades de acesso a emprego, educação ou justiça, transformando os cristãos em cidadãos de segunda classe em dezenas de nações.

Ação diplomática e migração forçada

O texto aprovado apela à Espanha para que reforce a sua ação diplomática e lidere as condenações no âmbito da União Europeia, do Conselho da Europa e da ONU.

Além disso, a proposta vincula o respeito aos direitos humanos aos acordos internacionais, salientando que a defesa da liberdade religiosa é também um instrumento para prevenir a migração forçada.

Embora a votação tenha demonstrado a divisão dentro do Parlamento (a proposta foi aprovada por um único voto e com 18 abstenções), o resultado recoloca a responsabilidade institucional na agenda política espanhola, diante de uma realidade que, segundo o Relatório sobre Liberdade Religiosa de 2025 da Ajuda à Igreja que Sofre, afeta mais de 5,4 bilhões de pessoas que vivem em países com graves violações desse direito.

Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

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