Fabio Porchat
Fabio Porchat

Em entrevista à revista Trip, o comediante Fábio Porchat falou sobre vários assuntos de sua carreira e também sobre a vida pessoal.

Ele continua atuando no Porta dos Fundos e revelou que já esteve no México, onde o grupo pretende lançar uma versão em espanhol.

Ao avaliar sobre a forma de fazer humor, ele defendeu que vários temas, como religião, sexualidade, casamento e política devem virar piada.

Para Fábio, não é necessário haver um limite para o seu trabalho, embora alguns cuidados sejam válidos.

– Eu acho que pode fazer piada com todo mundo: branco, preto, mulher, paraplégico, judeu. Só que tem que saber construir essa piada de forma inteligente, para todo mundo rir junto. Se a gente ri da cara de um só, é claro que essa pessoa vai se sentir acuada. Não podemos deixar nada intocado, porque quando você deixa as coisas quietas, elas somem. Se você chama a atenção para aquilo, mesmo com humor, você tá tocando no assunto – disse.

O humorista atacou ainda alguns nomes conservadores, que se posicionam contra o seu canal.

– Quem processa a gente é o Garotinho, o Feliciano. Enquanto esses forem os nossos inimigos, a gente está feliz da vida. Enquanto o Silas Malafaia continuar não gostando do Porta, estamos no caminho certo – afirmou.

Porchat deu exemplo dos únicos temas que não devem ser explorados como humor.

– Pode fazer piada com judeu morrendo no campo de concentração? Eu jamais vou defender que sim, não acho graça. Vamos rir da mulher estuprada? Não, pelo amor de Deus, não. Por isso gosto do politicamente correto. Antigamente, as pessoas não pensavam para fazer piada, e qualquer coisa que você faça sem pensar é ruim – falou.

Sobre Danilo Gentili, Fábio disse que os dois têm opiniões políticas opostas.

– O Danilo é bem diferente de mim. É de direita, enquanto eu sou de esquerda, e tem um humor mais agressivo. Eu concordo com ele nesse lance de poder fazer piada com tudo. Mas ele leva até as últimas consequências, vai até um extremo, e passa um pouco do ponto – avaliou.

O comediante defendeu ainda que sempre fez piadas sobre políticos.

– O humor é anárquico, bate na situação. Quando o presidente era o Lula, a gente fazia piada com ele. Agora é o Bolsonaro, então a gente faz piada com ele. Tem que bater em todo mundo, inclusive em quem você gosta – pontuou.

Questionado sobre o que crê, Porchat se revelou uma pessoa cética.

– Eu não acredito em nada. De Deus a astrologia, acho tudo uma grande invenção para as pessoas justificarem a existência, suportarem a vida, que é horrível. Pelo que falam de Jesus, ele deve ter sido um cara maneiro para caramba: pregava o amor, dava a outra face para bater, impedia apedrejamentos. Agora, falar que é filho de Deus? Peraí – disparou.

Para ele, acreditar na Bíblia é ‘maluquice’. Fábio pensa que não é possível se basear em ensinamentos antigos.

– Como é possível pegar um livro escrito há 2 mil anos, ler aquilo e seguir como código de conduta? E cada um só lê o que convém: a Bíblia diz que não pode fazer a barba, que mulher não pode sair menstruada, não pode comer carneiro, mas aí as pessoas escolhem entender apenas que não pode ser gay – argumentou.

Apesar de suas declarações, ele alega que respeita a religiosidade das pessoas.

– Cada um acredita no que fizer melhor para si. Só não acho que religião deva influenciar outros assuntos importantes. A bancada evangélica escolher o ministro da educação, por exemplo, é uma loucura. O mesmo vale para decisões importantes para a sociedade, como aborto, legalização do casamento gay, genoma, análise de DNA, clonagem e muitos outros – rebateu.

Fonte: Pleno News