Flordelis chorando
Flordelis chorando

A ex-deputada Flordelis, de 60 anos, foi presa pela Polícia Civil no início da noite de hoje em sua casa, em Niterói (RJ). A informação foi confirmada por seu advogado Jader Marques.

A Justiça do Rio de Janeiro acolheu o pedido feito pelo Ministério Público do estado e decretou hoje a prisão preventiva. Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019, em Niterói (RJ).

Antes de ser levada pela polícia, Flordelis fez uma live na qual pediu para seus fãs fazerem uma corrente de oração.

“Façam uma corrente de oração a meu favor. Tenham convicção de que eu não cometi crime algum. Eu sou inocente. Haja o que houver, aconteça o que acontecer. Ainda que me levem para uma prisão, lá na prisão eu serei adoradora [de Deus]. Para quê, eu ainda não sei. Mas ele [Deus] está me levando para lá [prisão]”, disse Flordelis.

Por ela ter imunidade parlamentar, a pastora evangélica não poderia ser presa. Mas, após sua cassação, na quarta-feira (11/08), pelo plenário da Câmara dos Deputados, Flordelis automaticamente perdeu seu mandato de deputada federal. A prisão ocorreu 48 horas depois da sua cassação.

A decisão da Justiça saiu poucas horas após o pedido do Ministério Público. “Mostra-se essencial para a garantia da ordem pública, da eventual aplicação da lei penal e conveniência da instrução criminal, afastando, assim, novas possíveis tentativas de obstrução da Justiça, e possibilitando a busca da verdade real de forma escorreita”, diz a decisão da juíza Nearis dos Santos.

Logo após a divulgação da sentença, a GloboNews mostrou imagens da polícia esperando em frente à casa de Flordelis.

A ex-deputada também está proibida de manter contato com qualquer um dos outros acusados e, por isso, ela será encaminhada a uma unidade prisional diferente.

Cassação

Atualmente, Flordelis é ré por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. Ela foi denunciada em agosto de 2020, mas não podia ser presa por possuir imunidade parlamentar.

Na última quarta (11), a Câmara dos Deputados aprovou a cassação dela por quebra de decoro, tirando o benefício. Flordelis já era monitorada por uma tornozeleira eletrônica desde o ano passado.

No pedido, encaminhado à 3ª Vara Criminal de Niterói, o MP diz que a liberdade de Flordelis coloca em risco a investigação e a aplicação da lei penal.

Segundo o MP, “além da gravidade da conduta criminosa, a ex-deputada, poucos dias após o homicídio, orientou os demais corréus para que o celular da vítima fosse localizado e suas mensagens comprometedoras fossem apagadas, bem como que fossem queimadas as roupas com possíveis vestígios forenses”.

A ex-deputada também treinou os outros acusados para mentir e alterar versões já fornecidas em depoimentos à polícia, além de descumprir várias vezes a medida cautelar de monitoramento eletrônico. Nesta semana, a Justiça do Rio negou um pedido feito pela defesa dela para retirada do equipamento.

Além de Flordelis, mais dez pessoas foram denunciadas pelo crime: sete filhos dela, uma neta, um ex-policial militar e a esposa dele.

Flordelis nega acusações

Antes da votação pela cassação, Flordelis disse ser inocente no plenário da Câmara e pediu para ser julgada “pelo povo”.

“Eu não posso e não devo pagar pelos erros de ninguém”, declarou. “Quando o Tribunal do Júri me absolver, vocês vão se arrepender de ter cassado uma pessoa que não foi julgada”.

“Caso eu saia daqui hoje, saio de cabeça erguida porque sei que sou inocente. Todos saberão que sou inocente, a minha inocência será provada e vou continuar lutando para garantir a minha liberdade, a liberdade dos meus filhos e da minha família, que está sendo injustiçada”, disse Flordelis, no plenário da Câmara.

Relembre o caso

Anderson foi morto a tiros dentro de casa na madrugada de 16 de junho de 2019 em Niterói, região metropolitana do Rio.

Segundo a investigação, Flordelis planejou o homicídio e foi responsável por arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio. A deputada também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada, de acordo a denúncia.

O motivo do crime, descreve a denúncia, seria o fato de a vítima manter rigoroso controle das finanças familiares e administrar os conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado das pessoas mais próximas a Flordelis, em detrimento de outros membros da numerosa família (ela tem 54 filhos).

Fonte: UOL e Último Segundo