A adoção de ações efetivas na tentativa de inverter a curva declinante de fiéis da Igreja Católica em busca de outras seitas religiosas e das inúmeras igrejas evangélicas será um dos principais temas a serem discutidos na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho.

A conferência será realizada de 13 a 31 de maio, em Aparecida do Norte, São Paulo. O papa Bento XVI fará a abertura do evento, durante visita ao Brasil.

No Brasil, a proporção de pessoas que se declararam católicas caiu de 83,8%, em 1991, para 73,8%, em 2000, segundo dados do IBGE. Na direção contrária, os evangélicos, em uma década, saíram de 9% para 30%, ressalta o professor de Teologia do Instituto Santo Tomás de Aquino, em Belo Horizonte, padre Cleto Caliman.

Segundo padre Calimam, assessor da CNBB – Confederação dos Bispos do Brasil – e um dos coordenadores da conferência, a redução do números de católicos é uma das preocupações do Papa Bento XVI na visita ao Brasil. “O campo religioso é pluralista, isso exige da Igreja uma nova maneira de trabalhar com os fiéis. Ela deve estar atenta as necessidades de seus fiéis”, afirmou.

“Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nele os nossos povos tenham vida” é o tema da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho. Convacada pelo Papa, a conferência pretende descobrir caminhos e implementar medidas que atraiam, aproximem e reforcem a presença do jovem e da família na Igreja Católicas, salienta padre Cleto Calimam.

“Do ponto de vista religioso, as pessoas estão buscando as soluções mais rápidas para os seus problemas. O mundo virou uma espécie de supermercado global. O campo religioso virou uma espécie de campo de competição de várias tendências religiosas. Do ponto de vista teológico, as pessoas andam buscando a fé, e isso é positivo. Cabe as igrejas pegarem esse laço da fé e expressá-lo dentro da sociedade”, destacou o clérico.

Em entrevista a rádio CBN na manhã de terça-feira passada, o padre criticou a cultura ao individualismo do século XXI e novas tecnologias que acabam por afastar as pessoas do convívio dos amigos e familiares. “A sociedade está se revelando muito individualista. A cultura do computador está deixando o jovem muito sozinho”, explicou o religioso.

Fonte: Gazeta Online