Tony Perkins afirma que o Partido Republicano se afastou de valores cristãos, especialmente na defesa da vida, e defende que os eleitores evangélicos não considerem garantido o apoio à legenda.
O líder evangélico Tony Perkins afirmou que a derrota eleitoral do Partido Republicano nos Estados Unidos pode representar uma forma de “castigo divino” diante do que considera um afastamento da legenda de princípios morais cristãos. A declaração foi feita em entrevista ao The Christian Post, publicada nesta quinta-feira (5).
Perkins preside o Family Research Council, organização conservadora cristã sediada em Washington. Ao comentar o desempenho republicano nas eleições de terça-feira (3), ele relacionou o resultado ao aumento dos abortos no país e à manutenção de políticas que, em sua avaliação, contrariam os ensinamentos bíblicos.
“Não podemos esperar que a bênção de Deus esteja sobre nossa nação quando rejeitamos seus ensinamentos na maneira como conduzimos nossas políticas e nossos negócios”, afirmou Perkins. Para ele, países que se identificam historicamente com Deus estão sujeitos a uma correção mais severa quando se afastam dos princípios que dizem defender.
A avaliação já havia sido apresentada pelo líder durante uma conversa com a ex-deputada Michele Bachmann, na noite da eleição. Na ocasião, enquanto se consolidava a derrota republicana, Perkins afirmou que o partido precisava reconhecer o enfraquecimento de seus compromissos históricos em questões morais.
“Parte disso pode ser um castigo sobre um partido que se tornou complacente em questões de valores e princípios morais”, declarou.
Críticas à plataforma republicana
Um dos principais pontos levantados por Perkins é a mudança na posição oficial do Partido Republicano sobre o aborto. Em julho de 2024, durante a convenção nacional da legenda, foi aprovada uma plataforma que suavizou compromissos pró-vida presentes em documentos partidários anteriores.
Segundo a reportagem do The Christian Post, a plataforma republicana de 2016 mencionava o aborto 35 vezes. No documento de 2024, o tema apareceu apenas uma vez, com ênfase na responsabilidade dos estados para legislar sobre o assunto.
Durante décadas, o partido havia defendido que os nascituros tinham direito fundamental à vida, apoiado uma emenda constitucional sobre a proteção da vida humana e defendido medidas federais, como a proibição do aborto após 20 semanas de gestação.
Perkins também contestou a manutenção, pelo governo de Donald Trump, de políticas relacionadas ao acesso a medicamentos abortivos. Ele mencionou a flexibilização de exigências para a dispensação da mifepristona, iniciada durante o governo Joe Biden e mantida pela administração republicana.
Dados do Instituto Guttmacher citados pelo Christian Post indicam que o número de abortos realizados por profissionais de saúde nos Estados Unidos aumentou nos últimos anos. A estimativa apresentada pela reportagem aponta que os registros passaram de aproximadamente 930 mil em 2020 para mais de 1 milhão por ano desde 2023.
Perkins reconheceu que o governo Trump adotou medidas que considera positivas, especialmente em relação às questões envolvendo pessoas transgênero. No entanto, afirmou que a atuação da administração na defesa dos nascituros tem sido negativa. “É uma questão fundamental”, declarou.
Alerta aos eleitores cristãos
O líder conservador também chamou atenção para a redução da participação dos evangélicos no eleitorado. Segundo os números citados por ele, esse grupo representou 17% dos eleitores nesta eleição, ante 23% em 2024.
Na avaliação de Perkins, o resultado pode indicar um processo de revisão do relacionamento entre os cristãos e o Partido Republicano. Ele afirmou que a legenda não deve presumir que continuará recebendo apoio evangélico apenas por causa de seu histórico em pautas conservadoras.
“Não podemos considerar garantido que o Partido Republicano, que durante anos foi o partido pró-vida e defendeu a santidade da vida humana, do casamento e da família, continuará sendo assim”, disse.
Perkins defendeu que os cristãos permaneçam envolvidos na política, mas sem permitir que sua identidade seja determinada por uma legenda. Segundo ele, os eleitores devem cobrar posicionamentos coerentes com suas convicções religiosas, inclusive quando isso significar criticar partidos que tradicionalmente receberam seu apoio.
“Podemos participar, mas, quando eles não estiverem fazendo o que é certo, precisamos estar dispostos a dizer isso”, afirmou.
Folha Gospel com informações de The Christian Post







