Os líderes do Oriente Médio pediram hoje na Assembléia Geral da ONU para que seja alcançada a paz pela tolerância e rejeitaram o extremismo, o qual disseram que converte as crenças espirituais em instrumentos de sofrimento.

Os líderes que participaram da primeira jornada do diálogo inter-religioso nas Nações Unidas promovido pela Arábia Saudita coincidiram ontem em transferir em seus pronunciamentos uma mensagem de entendimento entre religiões.

O rei Abdullah da Arábia Saudita afirmou que os participantes do encontro “manifestam com uma mesma voz que as religiões, através das quais Deus Nosso Senhor tentou levar felicidade à humanidade, não devem ser transformadas em instrumentos de sofrimento”.

“O terrorismo e a criminalidade são inimigos de todas as religiões e não existiriam se não fosse pela falta de tolerância”, assegurou.

Segundo ele, todas as tragédias que assolam o mundo são resultado do “abandono dos princípios mais importantes de todas as religiões e culturas”.

Israel

As palavras do chefe de Estado saudita foram festejadas pelo presidente de Israel, Shimon Peres, para quem representam um giro de 180 graus na atitude dos líderes da região na questão.

“Há dez anos não se ouvia dizer estas palavras a uma audiência mundial”, disse o líder judeu em entrevista coletiva posterior à sua participação no encontro.

Peres considerou que a mensagem de convivência religiosa dos líderes árabes “não tem precedente” e aponta a “um novo ar e uma nova disposição” nas relações entre os diferentes países da região.

O evento, realizado entre hoje e amanhã na Assembléia Geral da ONU sobre a “Cultura da Paz”, é uma iniciativa da Arábia Saudita para aprofundar o diálogo entre crenças religiosas que começou na conferência realizada em julho em Madri.

Da reunião participam chefes de Estado e do Governo de 20 países, entre eles o rei Abdullah da Jordânia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush; o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai.

O líder americano deve assistir à sessão de quinta-feira, no que será sua última visita como presidente às Nações Unidas.

Fonte: Folha Online