Patrimônio da humanidade, o principal conjunto de saltos das Cataratas do Iguaçu, conhecido como Garganta do Diabo, pode mudar de nome. Religiosos da cidade não querem que a denominação continue sendo veiculada por guias turísticos e em campanhas publicitárias.

Sugerem que o nome fantasia seja substituído por Voz de Deus, usando o argumento de que na Bíblia aparecem várias citações dizendo que a voz de Deus é como o som das águas.

“As cataratas foram criadas por Deus em um momento de grande inspiração. Não é justo que continuem com o nome pelo qual são conhecidas”, disse um dos líderes do movimento, o pastor Nélio Sander, da Igreja Evangélica Ceifa.

O secretário de Turismo de Foz do Iguaçu, Sérgio Lobato Machado, prefere não emitir opinião sobre a questão, por isso convocou padres e pastores para uma nova reunião na segunda-feira. Ele já tinha se encontrado com o grupo nesta semana, quando cerca de 200 líderes religiosos do Brasil e da Argentina participaram da discussão. “Levei ao conhecimento do prefeito e a sugestão é que seja feita uma pesquisa sobre o assunto.”

A metodologia da pesquisa deve ser discutida na reunião. Também serão convidadas autoridades do setor de turismo. Machado disse ter sido surpreendido pela proposta de alteração do nome fantasia do conjunto de saltos. “O assunto está palpitante. Mas minha opinião será a da maioria da população”, disse. Segundo ele, os 273 saltos que formam as Cataratas do Iguaçu não têm nome oficial, embora tenham apelidos. O salto principal das cataratas, onde se forma o véu, é conhecido como Salto União, pois no meio passa a linha imaginária que une Brasil e Argentina.

De acordo com o pastor Sander, há uma lenda, segundo a qual as quedas foram resultado do ódio de um deus-serpente em relação ao amor entre dois jovens índios de tribos diferentes. “Mas esse é um atrativo belíssimo, criado pelo amor de Deus para que todos desfrutem”, disse, ressaltando que a lenda pode continuar a ser contada, “mas é preciso dar a glória a quem merece”.

O presidente regional da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav), Felipe Gonzalez, disse que a discussão é importante porque envolve toda a comunidade, o que contribui para o marketing do turismo. Para ele, a nomenclatura atual é folclórica. Ele defende que o ideal seria utilizar a denominação Salto União.

Em 2005, Foz do Iguaçu havia assistido a outra discussão inusitada, que era a mudança da grafia do nome da cidade. Após a Câmara aprovar projeto retirando o “c” cedilhado e colocando dois “s” no lugar, a proposta foi vetada pelo prefeito.

No Rio, a polêmica gira em torno do Cristo Redentor. Ontem, o cardeal d. Eusébio Oscar Scheid disse que o Cristo não foi construído para ser um monumento. “Que todo mundo saiba que vem como turista, mas também como peregrino. Eu posso ser turista, mas um turista peregrino. Queremos acentuar isso. O Cristo Redentor foi construído não para ser um monumento, mas para ser um lugar de bênção sobre o Rio e o Brasil”, disse o arcebispo no lançamento da campanha publicitária oficial da arquidiocese “Santuário do Cristo Redentor do Corcovado”.

Fonte: Estadão