O principal bispo da China, Fu Tieshan, apoiado pelo Partido Comunista (PCCh) e nunca reconhecido pelo Vaticano, morreu ontem à noite, deixando aberta a sucessão na diocese de Pequim.

O novo bispo será escolhido num momento em que a China e o Vaticano tentam uma aproximação.

A agência de notícias “Xinhua” informou hoje a morte do bispo, que tinha 75 anos. Ele era membro do Legislativo chinês e presidente da Igreja Patriótica Católica da China, reconhecida pelo Governo, e da Conferência de Bispos chineses.

Fu morreu de câncer de pulmão. Seu nome cristão era Michael.

A nomeação de bispos na China sem aprovação do Vaticano causou tensões em 2006. A Igreja Patriótica não permite as ingerências externas nos assuntos do país.

Segundo declarou à Efe o porta-voz da Igreja Patriótica, Liu Bainian, ainda não surgiu o nome de nenhum possível sucessor, nem se sabe se se haverá conversas com o Vaticano sobre o assunto.

A morte de Fu chega também no momento em que Bento XVI preparava uma carta a ser enviada ao Governo chinês. O Papa busca uma aproximação com os católicos chineses, que somam mais de 10 milhões de fiéis. Um terço é de clandestinos, que reconhecem a autoridade papal.

Roma e Pequim romperam relações em 1951, por causa de um conflito sobre bispos. Desde o ano passado as duas partes tentam uma aproximação.

A negociação passa, segundo os chineses, pelo rompimento dos vínculos diplomáticos da Santa Sé com Taiwan. Outra exigência é a renúncia do Papa a “interferências nos assuntos internos” da China, ou seja, as nomeações de bispos.

Fu, nascido na província setentrional de Hebei (berço do catolicismo chinês), foi nomeado bispo de Pequim em 1979 sem a bênção do Vaticano. Nos últimos anos ele vinha se mostrando muito mais alinhado com o Governo comunista.

Os limites entre igreja oficial e clandestina são difusos, na prática.

Liu disse hoje que a perda de Fu é um duro golpe para os católicos chineses. O PCCh informou em comunicado que o bispo era “um distinto líder patriótico religioso, um famoso ativista social e um amigo íntimo do Partido”.

Os católicos tentam conseguir adeptos na China desde o século XVII, através da pregação de jesuítas como Mateo Ricci. Mas as diferenças culturais e filosóficas e o controle político impedem o seu avanço.

O país tem hoje 97 dioceses, das quais 40 sem bispos.

Fonte: EFE