Na abertura da Conferência Internacional AIDS 2008, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o presidente da Associação Internacional de Aids, Pedro Cahn, convocaram os líderes religiosos a cumprirem o seu papel na resposta ao HIV e AIDS.

“Chamo os líderes religiosos a pregar a tolerância”, disse Ban Ki-moon no discurso de abertura da Conferência, reunida na Cidade do México de 3 a 8 de agosto. O fato de que pessoas que vivem com HIV sejam discriminadas “deveria encher a todos com vergonha”, disse Cahn.

O médico argentino Pedro Cahn afirmou que “é tempo dos líderes de todo tipo – políticos, religiosos e comunitários – ajudarem para que estes grupos [de pessoas em situação de vulnerabilidade] deixem de estar à margem da sociedade e passem a estar no centro da resposta frente ao HIV”. Para isso, agregou, é preciso lutar contra “a desigualdade de gênero, a homofobia e a pobreza que continuam conduzindo esta epidemia”.

Cahn disse que “é tempo das nações assumirem os seus compromissos”. Ele exigiu maior visibilidade para a América Latina e o Caribe, uma região onde cerca de dois milhões de pessoas vivem com HIV.

“Queria pedir em particular a todas as partes envolvidas que não se esqueçam da região da qual provenho e na qual esta conferência está tendo lugar: a América Latina e o Caribe também estão sofrendo as conseqüências da epidemia de Aids no contexto da pobreza e da marginalidade”, disse.

A América Latina é a fonte de algumas das mais dinâmicas respostas à Aids, destacou Ban, “mas é também um lugar onde se apresentam alguns dos maiores desafios”.

Embora seja alentador que mais pessoas tenham acesso à prevenção e ao tratamento do HIV em países de baixo e médio rendimentos, Ban sustentou que a maioria dos países terá “grandes dificuldades para atingir o objetivo do Milênio de deter e reverter a disseminação da AIDS até 2015”.

Na avaliação de Cahn, o estigma e a discriminação representam barreiras que impedem deter a pandemia. “É tempo de desafiar a tirania da ignorância e da negação”, sustentou.

Fonte: ALC