Morreu o ex-padre chileno Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano por abuso sexual em 2011.
Morreu o ex-padre chileno Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano por abuso sexual em 2011.

Morreu aos 90 anos, o ex-padre chileno Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano por abuso sexual em 2011, um caso que revelou um escândalo de abuso de menores perpetrado pelo clero local.

Karadima morreu em uma casa de saúde em Santiago, na noite do domingo (26) de “broncopneumonia, insuficiência renal, diabetes mellitus e hipertensão”, segundo o atestado de óbito.

A Arquidiocese de Santiago não confirmou o falecimento e se dissociou do assunto afirmando que ele já não era mais sacerdote.

Karadima foi expulso do sacerdócio pelo Vaticano em 2018, na maior sentença aplicada dentro da Igreja Católica, que anteriormente o havia sentenciado a uma vida longe de suas funções eclesiásticas por abuso sexual de menores nas décadas de 1980 e 1990.

O caso é um dos mais emblemáticos do Chile pela influência do então sacerdote dentro da Igreja.

Na paróquia de El Bosque, localizada em um bairro nobre da capital, que dirigiu de 1980 a 2006, Karadima estabeleceu laços sólidos com setores da elite política e econômica do Chile por anos.

Segundo dados oficiais, até 2019 mais de 200 membros da Igreja chilena foram investigados por mais de 150 casos de abuso sexual, enquanto mais de 240 vítimas foram identificadas, das quais 123 eram menores.

A Justiça chilena arquivou o processo criminal contra o ex-padre, mas há dois anos ordenou que a igreja local pague uma indenização de 450.000 dólares por “danos morais” a três de suas vítimas: o médico James Hamilton, o filósofo José Andrés Murillo e o jornalista Juan Carlos Cruz, pessoas conhecidas hoje por defenderem as vítimas de abusos sexuais cometidos na Igreja chilena.

A decisão judicial considerou que a igreja local foi negligente ao não investigar as denúncias de abusos e creditou os “danos psicológicos” sofridos por Hamilton, Murillo e Cruz, que em 2010 abriram a caixa de pandora que revelou a “cultura do abuso” na Igreja chilena.

Fonte: IstoÉ