Pelo menos duas mortes já foram confirmadas; o número total, porém, permanece incerto. Os ataques aconteceram após o assassinato do líder muçulmano Aboud Rogo Mohamed, na última segunda-feira (27), e indicam um ódio profundo direcionado às igrejas e aos cristãos locais, cuja causa é inexplicável

O Conselho Nacional de Igrejas no Quênia (NCCK, sigla em inglês) condenou veementemente ataques de retaliação comandados por manifestantes que protestavam contra o assassinato do xeique Aboud Rogo Mohamed, um pregador muçulmano de 47 anos, que teve seu veículo pulverizado por balas de pistoleiros desconhecidos, na última segunda-feira (27).

Em comunicado divulgado à imprensa, o NCCK afirmou que atos de vandalismos e saques realizados por protestantes foram injustificados e atrozes. Cristãos inocentes foram feridos e o escritório do NCCK em Mombaça, amplamente danificado, assim como igrejas de diferentes denominações, que tiveram seus prédios depredados.

O secretário-geral do NCCK, Rev. Canon Peter Karanja, levantou algumas preocupações quanto ao caso: “Não conseguimos entender a lógica que fez os manifestantes associarem o assassinato hediondo de Aboud Rogo com as igrejas e outros quenianos inocentes. A mensagem clara é que esses ataques são indicativos de um ódio profundo em direção às igrejas, cuja causa é inexplicável.”

Aboud Rogo era um líder islâmico controverso, diversas vezes detido pela polícia sobre as suspeitas de ser o homem principal do levantamento de fundos e recrutador do grupo radical Al-Shabaab no Quênia. Em janeiro de 2012, foi preso pela segunda vez, acusado de posse ilegal de armas e detonadores; atualmente estava em liberdade sob fiança, enquanto aguardava o julgamento.

Conhecido pela pregação e o ódio por todos os infiéis, xeique Rogo já havia praticado e justificado a Jihad em áreas ocupadas por não-muçulmanos.

Caso Garissa
Acredita-se que Rogo apoiou, em 6 de julho desse ano, os ataques às duas igrejas de Garissa, onde 17 cristãos foram mortos. O líder islâmico descreveu os levantes como atos de retaliação pelos muçulmanos oprimidos e os justifica alegando que, “a presença dos cristãos na região é uma ameaça mortal que os muçulmanos devem enfrentar. As igrejas e os evangélicos oprimem os muçulmanos”.

Em alguns de seus sermões, Rogo se mostrou irritado com a decisão de líderes muçulmanos e cristãos que, após os assassinatos de Garissa, decidiram trabalhar juntos e amenizar as tensões. Segundo declarações de fontes, o xeique também expressou indignação com igrejas que ele denominou como “territórios muçulmanos”, nas províncias ao Norte, Leste e à Costa do Quênia. Ele teria dito: “Igrejas em território muçulmano representam uma forma vil de retardo muçulmano que os islâmicos devotos devem enfrentar, portanto, o assassinato de 17 pessoas é muito pequeno.”

Aboud Rogo ainda elogiou os assassinatos de cristãos em Garissa como “gloriosos” e como uma continuação do espírito da Jihad pelo” sagrado povo somali”.

Considerado por altos setores da juventude muçulmana, a notícia da morte de Rogo imediatamente provocou protestos generalizados em Mombaça, resultando na destruição das cinco Igrejas e do escritório do NCCK.

Diante das tensões que a situação toda provocou, policiais e oficiais paramilitares limparam as ruas; comerciantes foram obrigados a fechar suas lojas. Saques irromperam em torno da Mesquita Musa Masjid, onde partidários de Rogo colocaram seu corpo antes do enterro. O xeique foi enterrado no Cemitério muçulmano Manyimbo, em Mombaça.

[b]Fonte: Missão Portas Abertas[/b]