O estudante de direito Bezaliel da Silva Negrão protocolou ontem na Ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Cuiabá denúncia contra o deputado e candidato à reeleição Sebastião Rezende (PPS) e o presidente da Igreja Assembléia de Deus, pastor Sebastião Rodrigues de Souza.
Motivo: a Igreja, através do pastor Sebastião Rodrigues, estaria tentando induzir fiéis, por meio de panfletos, a votar no candidato sob o argumento de que Rezende “seria o postulante para ocupar vaga na Assembléia Legislativa escolhido pela Igreja Assembléia de Deus”.
A denúncia recebeu de anexo um dos panfletos, que traz a imagem do pastor Sebastião Rodrigues seguido de texto que lembra aos membros da Igreja a responsabilidade do voto. Na seqüência vem a indicação da Igreja de Sebastião Rezende como o candidato oficial à reeleição. O nome de Sebastião Rezende é descrito no panfleto, seguido do seu número de candidatura.
Segundo a resolução 22.261, que regulamenta a propaganda eleitoral, “é vedada a veiculação de qualquer natureza, inclusive pichação, inscrição a tinta, fixação de placas, estandartes, faixas e assemelhados em locais de uso comum para fins eleitorais”.
São definidos pelo código civil como locais de uso comum aqueles a que a população em geral tem acesso, tais como cinema, clubes, lojas, igrejas, ginásios e estádios.
A procuradora geral de Justiça, Janete Ismael, reuniu representantes do Ministério Público Federal e das igrejas Católica e Evangélica, bem como da Federação Espírita, para integrá-los à Operação Resgate, cujo objetivo é retirar das ruas as crianças e adolescentes, proporcionando-lhes opções de educação, profissionalização e lazer.
Em uma reunião em que participou o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, o Pastor Estevam Fernandes, o presidente da Federação Espírita e procurador de Justiça José Raimundo de Lima, o procurador da República Fábio George e os curadores da Infância e Juventude, Soraya Escorel e Aderbaldo Soares, a procuradora Janete Ismael falou sobre a primeira fase da Operação Resgate que retirou das ruas de João Pessoa 300 crianças e adolescentes em situação de risco.
Ela explicou que a segunda fase da Operação Resgate deverá encontrar fórmulas para ocupar essas crianças e adolescentes com atividades de lazer, como teatro, dança, música, com cursos profissionalizantes e, por fim, a sua reintegração às salas de aula. Ao mesmo tempo, estes menores e seus familiares serão acompanhados por psicólogos e assistentes sociais de forma a proporcionar também a integração de todos ao projeto.
A proposta de parceria foi muito elogiada pelo Pastor Estevam, que se prontificou de imediato reestruturar a Casa Shalon, localizada no Bessa e pertencente a 1ª Igreja Batista, para, até dezembro, desenvolver um trabalho com pelo menos 50, das 300 crianças e adolescentes retirados das ruas.
“Sou pastor há 27 anos e esta é a primeira vez que sou convidado por uma instituição como o Ministério Público para participar de um projeto dessa magnitude. Eu vou ver a operacionalização de uma casa que nós temos no Bessa, chamar voluntários dentro da Igreja e até dezembro me comprometo de fazer uma trabalho com pelo menos 50 crianças, de preferência do sexo feminino. A curto prazo podermos atender já 10 dessas crianças que poderão contar com dormida, alimentação e trabalhos na área de educação”, afirmou Pastor Estevam Fernandes.
O arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, também elogiou e acolheu a iniciativa do Ministério Público. Sugeriu envolver também o Exército na ação e ressaltou a necessidade de se ter um perfil das crianças e adolescentes retirados das ruas e de se fazer um planejamento de trabalho. O chefe da Igreja Católica na Paraíba lembrou que atualmente existe um trabalho desenvolvido pela Arquidiocese na Fazenda Esperança.
O procurador de Justiça José Raimundo de Lima disse que a Federação Espírita faz questão de participar da segunda fase da Operação Resgate. Contou, inclusive, algumas experiências desenvolvidas pela Federação que já emancipou mais de 250 crianças e adolescentes.
O procurador da República Fábio George disse que a proposta do Ministério Público é muito importante como trabalho social. Elogiou a iniciativa, afirmando ter certeza de que o Ministério Público Federal poderá encampar a parceria.
Ainda da reunião participaram o juiz Fabiano Moura de Moura e o curador do Patrimônio Público Ádrio Nobre Leite.
Para o pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil de Ji-Paraná, em Rondônia, Alberto de Souza Júnior, o momento é de conscientização geral. “Este momento eleitoral é decisivo, por isso, a responsabilidade deve ser compartilhada com os líderes de opinião para alertar a população para o bem comum”, salientou.
Para o pastor a cabeça do homem é complicada, muitas informações chegam a sociedade através dos veículos de comunicação, e muitas vezes o próprio material elaborado pelos políticos acaba por fazer certa confusão na cabeça do eleitor deixando-o dividido, e, conseqüentemente, falhando na hora de votar.
Quando perguntado sobre a situação política em Rondônia, sobre a soma de informações recebidas, fazendo lembrança as ações da Polícia Federal e CPI´s, disse: “Existem aqueles que não querem enxergar a realidade. Através dessas notícias há possibilidades e tranqüilamente para definir em quem votar. Os acontecimentos mostram claramente elementos suficientes que foram divulgados através dos Meios de Comunicação para saber distinguir a verdadeira face de muitos que usam o poder público para adquirir vantagens para si”, observou. “Há condições suficientes para votar certo e consciente, só não faz quem não quer”, ressaltou Pastor Alberto.
Eleitor em discussão
“Se existe ‘algo’ sendo falado sobre o cidadão que é um político, não importa se é um deputado ou governador, ou outras funções, ele precisa estar colocando à sociedade a realidade. Se for contrária ao que está sendo dita e o cidadão precisa estar avaliando os dois lados: o que se fala dele e o que ele fala de si mesmo, sua vida particular conta muito”, diz Alberto de Souza.
Alberto lembrou do compromisso cidadão das pessoas, em acompanhar a vida pública dos políticos onde afirmou que: “Conscientemente ou não é possível estarmos contribuindo com situações como estamos vivendo por que muitas vezes votamos e não acompanhamos e verificamos se o trabalho esta sendo feito devidamente. Não verificando se o papel dos políticos e servidores do Estado e nação no cumprimento de suas atividades está acontecendo, muitas vezes o eleitor, de modo geral, falho na omissão”, lembrou o Pastor.
Evangélicos no poder podem não ser infalíveis
“Acredito que não deve haver passividade, não é por eles serem evangélicos que são infalíveis. É possível que possa ser uma realidade, não vamos dizer que é. Eles têm o direito de defender-se, comentou referindo-se aos deputados Agnaldo Muniz e Nilton Capixaba, que levantam a bandeira dos evangélicos e estão tentando a sorte no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara por acusação de envolvimento na “máfia dos sanguessugas”.
E ainda alertou o povo rondoniense: “Aqueles que procuram realmente buscar a conscientização nessa área não pode ficar inerte diante desses fatos, não simplesmente dos políticos evangélicos, mas qualquer um outro que tem ou não se sabe de qual religião. Independentemente disso, se termos passividade estaremos sendo cúmplices daquilo que está sendo dito sobre essas pessoas e se for realidade estaremos contribuindo para que o erro continue, assim continuando a reconduzir essas pessoas ao pleito. Agora se a informação for inverídica, temos que buscá-los e acompanhar-los dando apoio sendo evangélico ou não, se possível pessoalmente, conversando com eles”, esclareceu Pastor Alberto.
Na ocasião o Pastor fez uma análise a respeito do boicote as eleições deste ano, onde diz que através do voto nulo ou em branco muitas vezes colaboramos para que as pessoas que não querem o bem da comunidade ocupem um cargo público, abandonando depois o seu povo. Por isso ele é enfático: “Se há pessoas que podemos avaliar e que possam assumir esse lugar e fazer um bom trabalho, precisam ser votadas. Mas, é preciso acompanhar, cobrar e ajudar e não mais contribuindo para a situação que está hoje nosso Estado de Rondônia e país”, finalizou.
O Papa Bento XVI convocou para o início de setembro um colóquio privado sobre o tema “a criação e a evolução” em sua residência de verão de Castelgandolfo, anunciou nesta quarta-feira um cardeal alemão.
Em plena polêmica entre “darwinistas” e “criacionistas”, o colóquio reunirá de 1º a 3 de setembro, a portas fechadas, vários filósofos e teólogos alemães que foram seus alunos em Munique, informou o cardeal e teólogo Christoph Schoenborn, arcebispo de Viena.
“Eu penso que a escolha do tema é motivada pelo debate em curso há vários meses sobre o assunto”, acrescentou.
O darwinismo, teoria que estabelece que a espécie humana é fruto de uma longa evolução, é contestada pelos criacionistas, que entendem ao pé da letra a narrativa bíblica da criação do mundo – e do Homem – por Deus.
Os criacionistas são particularmente ativos nos Estados Unidos, onde buscam impor o ensino da teoria do “desenho inteligente de Deus” nos livros escolares.
Após tê-la combatido por muito tempo, a Igreja Católica hoje considera que a teoria da evolução não é incompatível com seus ensinamentos católicos, embora ainda exprima reservas sobre o darwinismo.
Em abril de 2005, Bento XVI declarou que os homens não são “um produto acidental e desprovido de senso da evolução”, mas “o fruto de um pensamento de Deus”.
O cardeal Schoenborn também criou polêmica no ano passado, ao contestar a teoria da evolução em um artigo publicado no New York Times.
O seminário a portas fechadas em Castelgandolfo é uma continuação dos encontros similares sobre temas variados organizados a cada ano pelo cardeal Joseph Ratzinger com seus assessores, antes de se tornar Papa.
A Igreja Católica na Argentina saiu à caça daqueles setores que promovem a legalização do aborto depois de a Justiça ter autorizado a interrupção da gravidez em duas jovens com problemas mentais e que engravidaram por meio de estupro.
“Em nossos dias revivem a polêmica sobre a legalização do aborto para situações muito dolorosas. O tragédia desta situação não pode nos levar a esquecer que podemos estar assassinando um inocente”, afirmou a Conferência Nacional dos Bispos da Argentina através de um comunicado.
No início deste mês, a Corte Suprema de Justiça da província de Buenos Aires autorizou o aborto em uma jovem com problemas mentais e que fora estuprada por um de seus familiares, apesar das objeções apresentadas por organismos católicos e por tribunais inferiores que invocaram motivos religiosos.
Mas a interrupção do parto não pôde ser realizada exatamente devido à demora nos trâmites legais. As impugnações levam tempo e a gravidez entrara numa etapa muito avançada quando a suprema corte decidiu o caso, colocando em risco a vida da mulher.
Ontem, a Corte Suprema da província de Mendoza, 1.000 quilômetros a oeste de Buenos Aires, autorizou a realização de um aborto em uma jovem de 25 anos, com idade mental de quatro, que também foi estuprada. Os dois casos contribuíram para a retomada da discussão sobre o aborto em todo o país, cuja prática é ilegal pela legislação argentina.
Os bispos consideram que “esta polêmica não é apenas mais uma discussão entre tantas. É uma questão de fundo (…)é uma questão de vida ou morte”. Segundo cifras oficiais, 400.000 abortos clandestinos são realizados na Argentina todos os anos. Tal prática provoca um elevado número de mortes entre as mulheres mais pobres, já que elas geralmente interrompem a gravidez em condições sanitárias muito deficientes.
Com este argumento, o ministro da Saúde Gines González García expressou seu apoio à legalização do aborto e o controle da natalidade, o que lhe valeu duras críticas por parte das autoridades eclesiásticas.
Arqueólogos em Israel desenterraram um antigo sistema de água modificado pelos persas para transformar o deserto em um paraíso. A rede de reservatórios, dutos de escoamento e túneis subterrâneos atendeu a um dos grandes palácios do reinado bíblico da Judéia.
Os arqueólogos descobriram em 1954 o palácio, uma estrutura construída sobre uma área de 2,4 hectares onde hoje está a fazenda coletiva de Ramat Rachel.
Escavações recentes desenterraram quase 70 metros quadrados de um sistema de água considerado único.
“Eles tinham encontrado um palácio enorme. Um palácio ainda mais bonito do que os palácios de Jerusalém e construído do final da Idade do Ferro, passando pelo período bíblico, até o século 7,” afirmou Oded Lipschits, arqueólogo da Universidade de Tel Aviv.
A infra-estrutura do palácio foi redesenhada ao longo dos séculos para atender às necessidades dos babilônios, persas, romanos e asmonianos que governavam a Terra Santa, disse o cientista, que comanda as escavações ao lado de um acadêmico da Universidade de Heidelberg (Alemanha).
Mas foram os persas que tiraram a região da mão dos babilônios por volta de 539 a.C., que renovaram o sistema de águas e o transformaram em algo de grande beleza.
Segundo Lipschits, os persas acrescentaram pequenas quedas d’água ao sistema tentando transformar o deserto em um paraíso.
“Imagine que nessa terra havia plantações e água correndo,” afirmou o cientista. “Isso é importante para alguém que considerava a estética algo importante, para alguém que não desejava se sentir em um remoto canto qualquer do deserto.”
Yuval Gadot, um arqueólogo especializado no período bíblico que também trabalha na Universidade de Tel Aviv e que participa das escavações, disse que os cientistas não sabem exatamente como o sistema funcionava.
“Provavelmente, a água das chuvas descia do teto das casas (do complexo do palácio),” afirmou. “A partir dali, por meio de escoadouros, ela era levada até piscinas ou reservatórios subterrâneos antes de chegar aos campos de plantio próximos dali ou a belos jardins.”
Por séculos, o suprimento de água tem sido um dos assuntos mais delicados do Oriente Médio, uma região dominada por desertos.
Os fiéis da igreja de São Pedro Pescador, no bairro de Manaíra, em João Pessoa, estão revoltados com a saída do pároco José Leôncio da Silva Júnior, mais conhecido como padre Júnior, da comunidade.
O religioso, de acordo com o relato de alguns católicos, foi convidado pelo arcebispo da Paraíba, d. Aldo Pagotto, a deixar o Estado e voltar para a sua Arquidiocese de origem, que fica em São Paulo.
O motivo para tal atitude seria a postura liberal adotada pelo padre Júnior. D. Aldo Pagotto, através da assessoria de imprensa da Arquidiocese, disse que se reserva ao direito de não discutir publicamente o assunto, uma vez que se trata de uma questão interna. Ele informou ainda que são normais as mudanças de padres dentro das paróquias.
A comoção para que o religioso permaneça na paróquia é tanta que foi criada uma comunidade no Orkut (maior site de relacionamentos na internet da atualidade) intitulada “Júnior que é o padre”. Participam dela 592 pessoas e um dos tópicos que é discutido dentro do fórum é a permanência do religioso na igreja.
Os integrantes da comunidade elogiam o trabalho desenvolvido pelo pároco e até tentam explicar o motivo da saída do padre. Um dos participantes escreveu que “infelizmente, temos um bispo que não quer nenhum padre se destacando mais do que ele. Afinal, o que há de errado em se realizar muitos casamentos? Ele é muito solicitado, porque é muito querido e amado por todos”. Outro diz o seguinte: “O sucesso do padre Júnior incomoda a parte conservadora da Igreja Católica”.
Apesar de no Orkut os fiéis tentarem explicar o motivo do pedido do arcebispo, a integrante da Coordenação do Conselho Pastoral da Paróquia, Ana Cantarelli, comentou que a comunidade ainda não foi informada dos reais motivos e que até agora espera que d. Aldo Pagotto exponha oficialmente, através de uma carta, a verdadeira causa do convite para que o padre deixe a Paraíba.
“Estamos fazendo um apelo para que o arcebispo informe oficialmente à comunidade o que está acontecendo”. Ela contou ainda que o padre está há seis anos na paróquia e vem desenvolvendo um ótimo trabalho com pessoas de todas as idades, principalmente com crianças e jovens.
O padre Júnior pertence à Arquidiocese de São Paulo, mas já está na Paraíba há dez anos. Ele foi ordenado há 16 anos. Os fiéis contaram que no dia 20 de junho o arcebispo pediu para que ele deixasse a paróquia, sem informar à comunidade quais seriam os motivos. O padre Júnior não quis falar sobre o assunto.
Zhang Qingli (foto), o chefe do Partido Comunista no Tibete, fala sobre o papel do Dalai Lama, a difícil relação de Pequim com a religião budista e as políticas da China sobre religião. “O que ele [Dalai Lama] fez pela paz?”, pergunta Zhang Qingli, considerado um confidente de Hu Jintao, o chefe de Estado da China e líder do Partido Comunista. Confira a entrevista.
Senhor Zhang, o Tibete é tradicionalmente um país profundamente religioso, enquanto o Partido Comunista chinês é secular. Marx chamou a religião de ópio do povo. Como o senhor reconcilia os dois?
A natureza é diversificada. Formas de vida diferentes coexistem e o mundo é colorido. Isso também é verdade quando se trata de ideologias. Nós enfatizamos a harmonia, de modo que diferentes ideologias e idéias possam conviver em paz. O governo chinês pratica a liberdade religiosa.
Mas desde quando o Partido Comunista tolera a religião em sua forma atual?
O partido e o governo têm uma clara política sobre religião.
Primeiro, temos liberdade religiosa. Segundo, as comunidades religiosas devem tomar suas próprias decisões e não podemos ter interferência do exterior. Terceiro, elas devem ser conduzidas e administradas segundo as leis. E finalmente nós lhes mostramos como se integrar à sociedade socialista. Você pode ver isso no Tibete, onde as pessoas fazem peregrinações aos templos, giram suas rodas de orações e rezam para Buda.
O Dalai Lama é um dos líderes religiosos mais populares do mundo, e é profundamente reverenciado pela população do Tibete. Mas o governo de Pequim o considera um separatista desprezível. Por quê?
Nossa política em relação ao Dalai Lama é clara e coerente.
Depois da fundação da República Popular e da libertação pacífica do Tibete, ele foi eleito para um cargo de liderança no Congresso Nacional do Povo em 1954. Ele permaneceu um membro daquele órgão até 1964. Em 1956 ele foi nomeado diretor do comitê preparatório para a Região Autônoma do Tibete.
Tudo isso foi feito para que a liberdade religiosa fosse garantida e para que o Tibete pudesse ser integrado à grande família das nações socialistas.
Ele fugiu do país em 1959. Não há dúvida de que naquela época era um líder religioso amplamente respeitado.
E hoje não é mais?
Ele fez muitas coisas erradas mais tarde, que contradizem o papel de um líder religioso. A questão central é esta: todos devem amar sua pátria. Como pode ser que ele nem sequer ame sua pátria? Nós temos um ditado: “Nenhum cachorro vê a sujeira em sua própria casa, e um filho nunca descreveria sua mãe como feia”.
O Dalai Lama não ama o Tibete?
O Tibete é o lar do 14º Dalai Lama, mas a China é sua pátria e ele decepcionou sua pátria. Ele se rebelou nos anos 50 e no final dos anos 80 incitou a rebelião em Lhasa que foi dirigida contra o povo, o governo e a sociedade. Ele desestabilizou o Tibete.
O Dalai Lama é muito respeitado em todo o mundo.
Se eu me lembro corretamente, a partir de 1959 até a metade deste ano ele fez 312 visitas a lugares em todo o mundo, o que dá uma média de seis países por ano. Chegaram a 12 em 2005. E o que ele fez durante essas visitas? O objetivo dessas chamadas visitas oficiais era formar alianças com forças antichinesas e praticar propaganda de suas opiniões separatistas, que conflitam com a religião.
Mas muito mudou no mundo nos últimos 20 anos. A China se abriu e o comércio tornou-se globalizado. A questão do poder no “teto do mundo” foi resolvida. Hoje o Dalai Lama abandonou suas reivindicações de independência e concorda com uma ampla autonomia para o Tibete. Por que a China não é generosa e confiante o suficiente para permitir que o Dalai Lama volte a seu país, como ele gostaria? Ele ainda representa uma ameaça para vocês?
Temos uma política clara. A porta das negociações sempre estará aberta para ele, mas somente quando ele realmente abandonar suas intenções de dividir a pátria, intenções que são dirigidas contra a sociedade e o povo, somente quando ele abandonar suas atividades separatistas e só quando ele declarar abertamente ao mundo que desistiu das reivindicações de independência para o Tibete.
Ele não fez isso há muito tempo?
O problema é que seu comportamento e suas declarações são contraditórios. Ele diz: “Eu quero tomar o caminho do meio e aceito que só há uma China”. Mas na realidade ele não passou um único dia sem tentar dividir a pátria.
O que o senhor quer dizer com isso?
Zhang – O seu chamado caminho do meio significa isto: ele quer integrar ao Tibete as áreas de assentamento tibetano nas províncias de Sichuan, Yunnan, Qinghai e Gansu. Ele quer ser encarregado desse “Grande Tibete” e exige que o Exército de Libertação do Povo seja retirado da região. Além disso, ele quer ver o retorno ao reino feudal anterior, teocrático, sombrio e impiedoso como era. Naquele tempo, as autoridades do governo, os nobres e os monges governavam 95% da população. E ele quer ainda mais autonomia para o Tibete do que foi dada a Hong Kong e Macau. Isso é separatismo.
Mas já não houve negociações entre representantes do Dalai Lama e Pequim?
Seu governo no exílio é ilegal. Nosso governo central nunca o reconheceu. Nenhum país no mundo, incluindo a Alemanha, o reconhece diplomaticamente. Não há negociações entre os chineses e seu chamado governo no exílio. Os atuais contatos simplesmente envolvem alguns indivíduos de seu entorno imediato. As negociações giram em torno de seu futuro pessoal.
O Dalai Lama goza de grande simpatia nos EUA, na Europa e na Ásia, também porque o Partido Comunista Chinês não é especialmente democrático.
Francamente, o número de pessoas que conhecem o verdadeiro Dalai Lama é muito pequeno. Seus defensores incluem inimigos da China, mas também os verdadeiros fiéis, que estão sendo desviados por esse falso líder religioso. E finalmente há aqueles que não entendem a verdadeira situação real.
Não obstante, o Dalai Lama é um vencedor do Prêmio Nobel da Paz.
Nunca entendi por que uma pessoa como o Dalai Lama foi honrado com esse prêmio. O que ele fez pela paz? Quanta culpa ele tem em relação ao povo tibetano! Quantos danos ele causou ao Tibete e à China! Não consigo entender por que tantos países se interessam por ele.
Para muitos europeus, o Tibete ainda é um país cheio de mitos. Uma nova ferrovia para Lhasa foi inaugurada algumas semanas atrás. O que isso significa para o Tibete?
Estamos muito contentes com essa ferrovia. Todos estão convencidos de que o que o Partido Comunista alcançou no teto do mundo é um milagre. Ela demonstra a força da China e seu progresso econômico e tecnológico. Mas, mais importante, a ferrovia mostra que o Partido Comunista Chinês está fazendo tudo o que pode para melhorar a vida das várias nacionalidades nas regiões de fronteira. O Tibete hoje está ligado economicamente a outras províncias e ao resto do mundo.
Existem rumores de que a China tem armas nucleares estacionadas no Tibete. O senhor pode confirmar isso?
Posso lhe garantir com toda a responsabilidade que tudo isso é uma fantasia completa. Não há fábrica de armas nucleares no Tibete.
O Dalai Lama tem 71 anos. Ele sugeriu que talvez não haja um sucessor ou uma reencarnação. Como o senhor reagirá? Vai encorajar assim mesmo uma busca por uma reencarnação?
O atual Dalai Lama é o 14º. Não sabemos por quanto tempo ele viverá. Acreditamos que as pessoas boas vivem mais, enquanto as pessoas más têm vidas mais curtas.
Então o Dalai Lama, aos 71, deve ser uma boa pessoa.
É difícil dizer se ele é bom ou mau. Mas quando consideramos seus atos, não parece ser uma boa pessoa.
Se o Dalai Lama não quer um sucessor, o Partido Comunista acha bom? Ou fará seus próprios esforços para buscar um sucessor no Tibete?
Sempre existiu um sistema específico para buscar um sucessor para o Dalai Lama e o Panchen Lama. Segundo as regras históricas e os rituais religiosos, os monges devem viajar por todo o país e tirar a sorte da Urna Dourada. Mas o governo central tem a decisão final.
Haverá um Dalai Lama oficial e um oficioso, um no Tibete e outro na Índia? Afinal, desde 1995 há uma disputa sobre o Panchen Lama, o segundo líder religioso mais importante do Tibete. O Dalai Lama reconheceu um Panchen Lama, mas Pequim aprovou outro.
A reencarnação do Panchen Lama é regulamentada desde a dinastia Qing, isto é, desde o século 17. A nomeação do 11º Panchen Lama foi feita estritamente de acordo com as regras históricas. É por isso que ele foi reconhecido pelo governo central. Ele é o Panchen Lama legal. O Dalai Lama infringiu as regras históricas durante a busca pelo Panchen Lama. Ele nem sequer tinha a Urna Dourada da qual tirar a sorte. O Dalai Lama cria o caos.
Mas o mercado para ele aqui no Tibete está encolhendo.
A religião parece estar ganhando forças em muitas partes do mundo, como nas regiões predominantemente islâmicas e nos EUA. A religião também não está em ascensão no Tibete?
Religião é um fenômeno histórico que continuará existindo por muito tempo. Nossa política religiosa é muito branda, é aceitar as realidades. Mas a religião não pode operar contra a lei e não pode interferir na justiça, educação, produção e trabalho. Na China as pessoas são livres para acreditar ou não. Não nos envolvemos nessa decisão pessoal.
Mas vocês anunciaram planos para reforçar a chamada campanha de educação patriótica nos mosteiros, que também é dirigida contra os defensores do Dalai Lama.
Todos os países do mundo ensinam seu povo a amar a pátria.
Estamos organizando educação patriótica em todo lugar, não apenas nos mosteiros. Aqueles que não amam seu país não são qualificados como seres humanos. É uma questão de senso comum.
É verdade que o senhor fala tibetano?
Só algumas palavras. Estou aqui há apenas alguns meses. Mas quero aprender a língua.
Senhor Zhang, obrigado por esta entrevista.
SOBRE ZHANG QINGLI
Zhang Qingli é considerado um confidente de Hu Jintao, o chefe de Estado da China e líder do Partido Comunista. Antes de sua nomeação como chefe do Partido Comunista no Tibete, Zhang serviu como alto funcionário na região de Xinjiang – onde um movimento separatista da população de maioria muçulmana busca a independência. Pequim considera o Tibete parte da China desde o século 13, na dinastia Yuan. Cinco mil soldados tibetanos morreram durante a suposta “libertação pacífica” da região. Em 1959 os tibetanos se rebelaram contra a China e o Dalai Lama fugiu para a Índia. Em 1989, um ataque sangrento esmagou um novo movimento de protesto.
O jornal Diário de Cuiabá foi condenado a pagar R$ 50 mil, a título de indenização por dano moral, à Igreja Universal do Reino de Deus. Representantes da igreja ingressaram com ação de reparação de danos morais por conta de dois artigos, consideradas pejorativos, publicadas pelo jornal impresso em 2000.
A sentença foi proferida pela juíza Gleide Bispo Santos, da 9ª Vara Cível de Cuiabá, no dia 21 de julho. Cabe recurso.
O jornal também foi condenado a publicar, em sua própria edição ou em outro jornal que possa substituí-lo, o inteiro teor da sentença condenatória num espaço com o mesmo destaque dado aos artigos publicados na época (páginas 2 e 3). Eventuais acórdãos proferidos para por fim à ação também deverão ser publicados.
Na avaliação da juíza, os textos explicitamente achincalharam a imagem da Igreja Universal. “As mesmas têm cunho de deboche feito aos dirigentes da igreja, referida pelo jornal como sendo ‘facção religiosa’, além disso o próprio título da matéria é ‘MENTIRA UNIVERSAL’. O que se verifica é que o requerido fez juízo moral dos dirigentes e freqüentadores da igreja”, assinala.
O jornalista Antônio Francisco de Souza é o autor dos artigos. Denunciado pelo jornal, ele foi condenado a ressarcir ao Diário de Cuiabá o valor que for pago à igreja a título de indenização, assim como toda a verba relativa à sucumbência. Também foi condenado a pagar R$ 2,5 mil referente a honorários advocatícios. “Entendo que em publicações jornalísticas responde a empresa proprietária do jornal e a pessoa que assina a reportagem ou editorial ou a manifestação”, destaca a magistrada.
Conforme Gleide, os textos não se limitaram a narrar o acontecido, pois emitem juízo de valor. “Recorre-se ao deboche, e à utilização de expressões ofensivas e agressivas. O resultado danoso à autora é incontestável. As divergências religiosas sempre existiram no mundo em que vivemos, mas nem por isso devem ser palco para o desrespeito à crença”, afirma.
Confira abaixo trechos dos artigos em questão:
“A condição milionária da igreja, no entanto, já teria despertado a cobiça de alguns políticos, que até teria se insinuado, para os lados dos “bispos” que guardam o cofre abarrotado do império de Macedo em Mato Grosso. Assim, não será de se estranhar, também, se, doravante, algumas figurinhas carimbadas da política pantaneira começarem a freqüentar os cultos da IURD. E, claro, também começarem a apelar para o charlatanismo, como prometer a cura divina, riqueza, paraíso, casamento…”.
“Neste caso, a diferença estará em que, enquanto a tal igreja promete milagres em troca de dinheiro (os falsos bispos chegam ao ponto de sugerir que as pessoas – menos avisadas, claro – tirem dinheiro da poupança para engordar a conta de Macedo), os políticos interesseiros prometerão, digamos, o Reino dos Céus em troca de muitos votos”.
Intensificam-se os preparativos para a reunião internacional dos padres casados em Washington, na qual estará presente o monsenhor Emanuel Milingo, que se tornou símbolo da luta pela abolição do celibato instituído pela Igreja Católica.
O evento ocorre na capital norte-americana (Washington) nos dias 18 e 19 de setembro, e reunirá 130 sacerdotes casados de todo o mundo.
No mês passado, Milingo anunciou sua reconciliação com a coreana Maria Sung, com quem se casou em maio de 2001. No entanto, dois meses depois do casamento, Milingo deixou Maria para entrar novamente para os círculos eclesiásticos.
O bispo africano convidou os padres casados de todo o mundo para participar de reunião em Washington que visa a elaborar uma nova reforma do sacerdócio. Uma das novas medidas seria a abolição do celibato.
Da Itália partirá uma “delegação” de dez padres. Quem lidera o grupo é Giuseppe Serrone, representante da associação “sacerdotes trabalhadores casados”, que será acompanhado por sua mulher, de origem albanesa.
“Nossas mulheres também têm coisas a dizer”, afirmou Serrone. Ele foi ordenado padre em Viterbo (Itália), onde foi pároco por dez anos, deixando suas funções em 2001 para poder se casar com sua companheira.
“Seguiremos Milingo, que pretende ir em frente. O diálogo com a hierarquia eclesiástica é um dos objetivos principais do novo movimento supranacional que reúne as diversas associações de padres casados espalhados pelo mundo”, afirmou. “Mesmo que até agora não haja abertura por parte da Igreja, nós esperamos que o bispo Milingo possa ser um intermediário e abrir o debate”, acrescentou.