Cruz caída no chão após vandalismo em igreja evangélica (Foto: Reprodução/YouTube)
Os crimes de ódio anticristãos na Europa aumentaram durante o mês de janeiro, de acordo com o Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC).
O grupo relata 39 crimes de ódio anticristãos registrados, na maioria dos casos visando locais de culto e símbolos, em vez de indivíduos.
Houve 18 incidentes de vandalismo, 10 incêndios criminosos, cinco casos de profanação e quatro roubos de símbolos religiosos.
Três casos envolveram violência contra cristãos, incluindo uma agressão a um pregador de rua na Holanda.
Dez dos incidentes ocorreram na Itália, oito na Alemanha e sete na França. Outros sete países registraram pelo menos um incidente.
A OIDAC observou que janeiro registrou um número excepcionalmente alto de ataques relacionados a incêndios criminosos, a maioria dos quais ocorreu na Alemanha e na Itália.
Fora da UE, foram registados dois incidentes no Reino Unido e um na Ucrânia. Um dos incidentes no Reino Unido envolveu a proibição, pela polícia, de uma “Caminhada com Jesus” planeada em Whitechapel, devido ao risco de distúrbios graves resultantes de uma reação hostil da população maioritariamente muçulmana da zona.
Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução reafirmando sua oposição a todas as formas de preconceito e discriminação, incluindo a perseguição anticristã, e reconhecendo sua falha em nomear um coordenador para lidar com a cristianofobia, apesar de já possuir um coordenador plenamente capacitado para o combate à islamofobia. A resolução foi bem recebida pela OIDAC .
O grupo afirmou que “o Parlamento [Europeu] não só reconhece a escala global da perseguição anticristã, como também destaca uma assimetria institucional na atual estrutura antidiscriminatória da UE”.
Apesar de descrever os 39 incidentes registrados como um “aumento”, é perfeitamente possível que o número real de crimes de ódio anticristãos seja muito maior, já que um relatório publicado no ano passado sugeriu que esses crimes são frequentemente ” minimizados, subnotificados ou politicamente ignorados “.
Dados previamente publicados pela OIDAC sugerem que em 2024 ocorreram mais de 2.200 crimes de ódio anticristãos na Europa , o que corresponde a uma média mensal superior a 180.
A diretora da OIDAC, Anja Tang-Hoffman, afirmou que os dados mais recentes “apontam para a necessidade de monitoramento contínuo, medidas preventivas eficazes e respostas proporcionais das autoridades policiais”.
“Garantir a proteção dos locais de culto e o exercício livre e seguro da religião continua sendo uma obrigação fundamental dos Estados, de acordo com os padrões europeus de direitos humanos, e um componente essencial da coesão social e do pluralismo”, afirmou ela.
Folha Gospel com informações de The Christian Today
Em uma região do Sudeste Asiático com forte presença muçulmana, missionários encontraram nas redes sociais uma nova e eficaz ferramenta para disseminar o Evangelho, especialmente durante o Ramadã. Este período, marcado pelo jejum dos fiéis islâmicos do nascer ao pôr do sol, é visto como um momento de grande sensibilidade espiritual e, consequentemente, de maior risco para cristãos locais que não aderem à prática.
O jejum, um dos pilares do Islã, é levado a sério pelos muçulmanos como um caminho para a salvação. Em contextos onde o Islã é a religião predominante, a adesão a esses preceitos é observada atentamente, e aqueles que não participam podem enfrentar hostilidade.
Foi nesse cenário que um grupo de missionários lançou uma pergunta nas redes sociais, estrategicamente pensada para o período de Ramadã e para o maior tempo que as pessoas passam online. A questão foi “Boas obras são suficientes para ir para o céu?”. A iniciativa visa iniciar conversas com o objetivo de apresentar o Evangelho e conduzir as pessoas a um encontro com Jesus.
Segundo o Conselho de Missões Internacionais (IMB), os resultados superaram as expectativas. Nas semanas seguintes, o grupo registrou dezenas de mensagens, com uma média de 80 interações diárias. Jacob Stanley, que atua na região auxiliando igrejas locais em evangelização digital, expressou surpresa com o nível de engajamento.
“As pessoas ficam mais tempo online [durante o Ramadã] e têm uma sensibilidade maior para assuntos espirituais. Então, louvamos ao Senhor por isso e pela oportunidade de apresentá-las ao Evangelho”
Abertura para o Evangelho impulsiona discipulado
Stanley tem colaborado com igrejas no Sudeste Asiático para implementar estratégias de evangelização que incluem o uso intensivo das mídias sociais. Um dos focos é preparar cristãos para responder em tempo real a perguntas e para conduzir diálogos mais profundos, especialmente em comunidades onde o Evangelho pode ser recebido com ceticismo ou hostilidade.
Essas interações têm se mostrado valiosas não apenas para alcançar novos fiéis, mas também para o discipulado dos cristãos locais. As conversas, mesmo que desafiadoras, geram questionamentos importantes e discussões bíblicas produtivas, incentivando a gentileza e a humildade nas respostas.
“Essas conversas criaram muitas perguntas interessantes e tivemos muitas boas discussões bíblicas. Continuo a encorajá-los a serem gentis e humildes”, relatou Stanley. A experiência tem fortalecido a fé dos missionários e dos cristãos locais, que aprendem mais sobre a Bíblia e sobre como expressar sua fé em ações de divulgação online.
Stanley pede orações pelas igrejas e pelos fiéis na região Ásia-Pacífico, para que recebam discernimento e que muitas portas se abram para o compartilhamento do Evangelho através das mídias sociais.
Após duas décadas e meia dedicadas à música popular brasileira, Luiza Possi comunicou uma mudança drástica em sua trajetória profissional. A artista, conhecida por sucessos no MPB e pop, decidiu deixar a carreira secular para se dedicar a louvar a Deus.
A revelação foi feita em um vídeo compartilhado nas redes sociais na última terça-feira (3), onde ela descreveu a decisão como o recado mais importante de sua vida.
Filha da renomada cantora Zizi Possi, Luiza Possi trilhou um caminho artístico desde a adolescência, acumulando prêmios e gravações em diversos idiomas. Contudo, após sua conversão e batismo, a cantora sente-se chamada para uma nova jornada.
A artista anunciou seu novo álbum, intitulado “É Só o Amor”, que marcará o encerramento de um ciclo de 25 anos. Ela expressou que este trabalho representa o fim de uma estação para dar início a outra, onde cantará o amor por Jesus Cristo e por Deus, que agora ocupa o primeiro lugar em sua vida.
Luiza Possi encorajou seus seguidores a a acompanharem esta nova fase, definindo a transição para a música gospel como um chamado divino cumprido com orgulho. A cantora reconheceu que o caminho não será simples, mas declarou com convicção: “Essa é a nova estação da minha vida. E eu te convido para viver o fim de um ciclo e para entrar comigo no começo de uma nova estação, linda também, que vai ter muitos frutos. Eu sei disso. Nós vamos cantar um outro tipo de amor”.
A decisão de Luiza Possi gerou uma onda de apoio nos comentários de suas publicações. Internautas e artistas cristãos manifestaram seu encorajamento. A apresentadora Karina Bacchi citou o Salmo 40.3, desejando que um novo cântico de louvor seja posto em sua boca. A cantora e pastora Nãna Shara celebrou a novidade, expressando orgulho e antecipando a glória de Deus em sua nova ministração. O ator Juliano Cazarré também parabenizou a artista pela coragem e pelo amor demonstrado em sua caminhada espiritual.
Sede do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Antonio Augusto/STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu a exibição da série documental “Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho”, ao cassar decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que havia proibido a divulgação da obra pelo canal HBO e pela plataforma HBO Max.
A produção, prevista para estrear ainda neste semestre, foi contestada judicialmente após pedido dos Arautos do Evangelho. O grupo religioso alegou que o documentário poderia expor dados sensíveis relacionados a um inquérito civil que tramita sob segredo de Justiça e que apura supostas violações de direitos de alunos em instituições administradas pela associação.
O STJ acolheu os argumentos e entendeu que a exibição poderia causar dano irreversível à imagem da entidade, gerando uma “condenação popular” antes da conclusão do processo judicial. A decisão determinava que a Warner Bros. e a Endemol Shine Brasil se abstivessem de mencionar o grupo na produção.
Recurso ao STF e alegação de censura
A Warner Bros., responsável pela exibição, recorreu ao STF sustentando que não é parte do inquérito e, portanto, não teria acesso a documentos sigilosos. Segundo a empresa, o documentário foi produzido com base em fontes públicas, entrevistas, pesquisas históricas e materiais obtidos de forma lícita.
No julgamento das Reclamações (RCL) 90822 e 90982, Flávio Dino considerou que a decisão do STJ configurava censura prévia, prática vedada pela Constituição Federal. O ministro citou entendimento consolidado pelo STF no julgamento da ADPF 130, que assegura ampla proteção à liberdade de expressão e proíbe restrições antecipadas à circulação de informações.
“É inadmissível, como regra, a imposição de censura prévia”, afirmou o ministro, destacando que o Judiciário não pode impedir a divulgação de uma obra com base em suposições sobre eventuais danos futuros. Para Dino, não se pode presumir quebra de segredo de Justiça apenas porque o documentário aborda tema semelhante ao de investigação em curso.
Ele ressaltou, contudo, que permanece vedada a utilização de peças processuais do inquérito protegido por sigilo. Caso haja eventual violação à honra ou à imagem, segundo o ministro, a discussão deve ocorrer posteriormente, por meio de ação judicial específica.
Contexto e denúncias
Os Arautos do Evangelho são uma associação católica de perfil conservador, com atuação em mais de 70 países. Nos últimos anos, o grupo foi alvo de denúncias envolvendo supostos maus-tratos e abusos contra jovens que participaram de internatos ligados à instituição — acusações que motivaram investigações do Ministério Público.
De acordo com a Warner Bros., o documentário aborda a história e a atuação da associação religiosa. Com a decisão do STF, a produção poderá ser exibida, desde que respeitado o sigilo dos documentos judiciais protegidos.
A organização Christian Concern se manifestou contra as sugestões da Ministra da Educação do Reino Unido, Bridget Phillipson, de que meninos sejam autorizados a usar vestidos na escola.
De acordo com as orientações governamentais divulgadas no mês passado, as escolas não devem adotar medidas de transição social sem os procedimentos adequados, incluindo a consulta aos pais e a consideração de aconselhamento clínico quando apropriado.
Nas escolas primárias, a transição social deve ser realizada apenas em circunstâncias extremamente raras. A orientação, que ainda está em consulta pública, foi bem recebida por garantir que instalações unissex, como banheiros e vestiários, sejam de fato unissex. No entanto, o fato de a transição ainda ser permitida pela orientação foi condenado por diversos grupos cristãos e pró-família.
Em declarações à LBC, a Ministra da Educação e Ministra para as Mulheres e a Igualdade do Partido Trabalhista, Bridget Phillipson, abordou o assunto mais a fundo, afirmando que, na sua opinião, “os meninos deveriam poder usar vestidos na escola primária, se assim o desejarem”.
Em resposta aos comentários dela, a organização Christian Concern afirmou: “As escolas não devem mentir para crianças do ensino fundamental nem incentivá-las a tentar mudar de gênero.”
“Todos nós fomos criados, seja homem ou mulher, à imagem de Deus.”
O texto pede aos cristãos que orem “para que as crianças em idade escolar neste país entendam o que significa ser feito à imagem de Deus e que não lhes seja ensinado que meninos podem se tornar meninas e meninas podem se tornar meninos”.
A forma como as escolas lidam com alunos que se identificam como transgêneros tem sido uma área controversa há vários anos.
Em 2022, o governo britânico chegou a um acordo com os pais cristãos Nigel e Sally Rowe , que iniciaram uma ação judicial contra as políticas de afirmação de gênero do Departamento de Educação.
O caso deles recebeu apoio do Christian Legal Centre e teve início em 2017, quando os Rowes questionaram o fato de a escola primária da Igreja Anglicana de seus filhos permitir que alunos transgêneros frequentassem as aulas de acordo com o gênero com o qual se identificavam.
No acordo de 2022, os Rowes receberam £22.000 em custos e o Departamento de Educação se comprometeu a reformar as diretrizes oficiais para escolas sobre questões transgênero.
Folha Gospel com informações de The Christian Today
Linguagem neutra escrita no quadro em uma sala de aula (Foto: Montagem/FolhaGospel)
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade de leis municipais de Águas Lindas de Goiás (GO) e de Ibirité (MG) que proibiam o uso de linguagem neutra ou não binária em escolas públicas e particulares.
A decisão foi tomada por maioria de votos, em sessão virtual concluída em 24/2, nos termos do voto do ministro Alexandre de Moraes (relator).
As Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 1150 e ADPF 1155) foram ajuizadas pela Aliança Nacional LGBTI+ (ALIANÇA) e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH), que pediam a nulidade das Leis 1.528/2021 (Águas Lindas de Goiás) e 2.343/2022 (Ibirité).
Competência da União
Ao acolher os pedidos, o colegiado reafirmou que o Sistema Nacional de Educação é estruturado pela União, por meio de legislação federal, a fim de assegurar a uniformidade das diretrizes curriculares em todo o país. Nesse contexto, foi editada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), que estabelece as normas gerais da educação nacional.
Conforme o entendimento da Corte, qualquer medida municipal, estadual ou distrital que extrapole o que já está fixado na lei geral deve ser considerada inconstitucional.
Nesse contexto, os municípios não dispõem de competência legislativa para editar normas que tratem de currículos, conteúdos programáticos, metodologias de ensino ou formas de exercício da atividade docente. Ressaltou, ainda, que eventual suplementação da legislação federal para atender a interesse local “jamais justificaria a edição de proibição a conteúdo pedagógico”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes.
Divergiram parcialmente do entendimento do relator os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques.
As duas leis já estavam suspensas por liminares deferidas pelo relator e referendadas pelo Plenário em 2024. Agora, no julgamento de mérito, o colegiado confirma a inconstitucionalidade das normas.
Cidadão cubano segurando uma bandeira de Cuba (Foto: Pexels)
Cuba encontra-se numa encruzilhada social e econômica, enfrentando escassez de alimentos e medicamentos, prolongados cortes de energia e profunda incerteza quanto ao futuro, segundo recentes reportagens e análises sociais. Essa situação afeta tanto o cotidiano de milhões de cubanos quanto as formas como as comunidades religiosas buscam reagir.
No atual cenário global, governos liderados por comunistas continuam sendo um foco da política externa dos EUA, que visa combater ditaduras e proteger as liberdades civis — semelhante às situações na Venezuela e no Irã. Cuba, portanto, permanece um fator importante na estratégia geopolítica dos EUA, moldada em Washington.
Segundo a Mission Network News , Duane Friesen, vice-presidente internacional da organização Voz dos Mártires do Canadá, relata que em Cuba, “as pessoas percebem que podem ficar sem eletricidade durante a maior parte do dia. Em muitos casos, recebem apenas cerca de uma hora de energia para carregar o que precisam”, e se perguntam: “Como estará nosso país daqui a um ano?”, em meio à crise atual.
Apesar da escassez de recursos, Friesen observa que a igreja em Cuba tem procurado manter a resiliência espiritual em meio às dificuldades e que muitas comunidades cristãs locais se tornaram centros de apoio, distribuindo alimentos, medicamentos e encorajamento aos seus vizinhos.
Em Havana, segundo o Periódico Cubano, a refeição mais barata em uma pequena barraca de comida custa 500 pesos cubanos (CUP), o equivalente a aproximadamente um dólar americano na taxa de câmbio informal [a taxa de câmbio informal pode variar significativamente e diferir da taxa de câmbio oficial]. Embora o preço possa parecer baixo para os padrões internacionais, esse valor representa cerca de um quarto do salário mínimo mensal em Cuba, que é de aproximadamente 2.100 CUP no setor público. O número evidencia a dificuldade financeira enfrentada por milhares de famílias, muitas das quais precisam gastar uma parcela significativa de sua renda para comprar uma refeição básica. As taxas de câmbio informais em Cuba são voláteis, o que pode afetar ainda mais o poder de compra.
A crise descrita por Friesen não se limita à esfera religiosa. Diversas análises e relatórios concordam que Cuba atravessa um profundo desafio estrutural. As condições de vida deterioraram-se, com escassez crônica de bens essenciais, apagões diários e estagnação econômica que especialistas descrevem como um dos períodos mais difíceis da história recente do país. A escassez de combustível, a perda de parceiros econômicos tradicionais e as restrições externas intensificaram a pressão sobre a população.
Essas tensões também são visíveis no contexto social mais amplo. Muitos moradores relatam que a situação é insustentável, citando frequentes cortes de energia e serviços públicos que não atendem às necessidades básicas. Analistas observam que isso alimentou protestos cívicos e manifestações de descontentamento desde 2024 — e que se estenderam até 2026 —, com foco em demandas por alimentos, energia e liberdades civis.
Friesen enfatiza que, apesar das dificuldades, os fiéis cubanos continuam a manter a esperança e a orar. A comunidade cristã busca ser uma fonte de encorajamento espiritual e resiliência em tempos de incerteza. As igrejas locais se esforçam não apenas para oferecer apoio espiritual, mas também para participar de ações humanitárias e contribuir positivamente para o futuro da nação.
A combinação de desafios econômicos, limitações de infraestrutura e pressões geopolíticas coloca Cuba em um momento crítico. Tanto cidadãos comuns quanto líderes comunitários buscam soluções e questionam o que o futuro reserva após anos de dificuldades acumuladas.
Este panorama mais amplo retrata uma nação sob pressão — não apenas em termos materiais, mas também em seu tecido social — onde a fé, a perseverança e a busca por soluções continuam a moldar a vida de milhões de pessoas.Este panorama mais amplo retrata uma nação sob pressão — não apenas em termos materiais, mas também em seu tecido social — onde a fé, a perseverança e a busca por soluções continuam a moldar a vida de milhões de pessoas.
A Suprema Corte da Índia abriu caminho para uma revisão constitucional histórica das leis anticonversão em 12 estados, enquanto organizações cristãs entram com ações judiciais paralelas contra a legislação, que, segundo elas, tem sido sistematicamente usada como arma contra minorias religiosas.
Um tribunal, presidido pelo Chefe de Justiça da Índia, Surya Kant, e pelo Juiz Joymalya Bagchi, emitiu intimações em 2 de fevereiro ao governo central e a 12 governos estaduais a respeito de uma petição apresentada pelo Conselho Nacional de Igrejas da Índia (NCCI). Este é o mais recente e abrangente desdobramento de uma batalha judicial que se arrasta desde 2020.
A NCCI, que representa aproximadamente 14 milhões de cristãos por meio de sua rede de 32 igrejas-membro, 17 conselhos regionais, 18 organizações nacionais e sete agências aliadas, argumenta que essas leis têm sido sistematicamente instrumentalizadas para atacar minorias religiosas por meio de falsas acusações, prisões arbitrárias e violência por grupos paramilitares.
O tribunal ordenou que os governos central e estaduais apresentassem uma declaração conjunta em até quatro semanas e estipulou que o caso fosse submetido a um painel de três juízes, reconhecendo a importância constitucional das questões em jogo. A petição da NCCI visa disposições e emendas específicas nas leis dos estados de Himachal Pradesh, Odisha, Karnataka, Uttar Pradesh, Uttarakhand, Haryana, Arunachal Pradesh, Madhya Pradesh, Chhattisgarh, Gujarat, Jharkhand e Rajasthan.
Leis enraizadas na “malícia”
A advogada Meenakshi Arora, representante da NCCI, declarou ao tribunal que as leis estaduais incentivam grupos paramilitares por meio de sistemas de recompensa.
“As leis que estão sendo contestadas são estruturadas de forma a incentivar certos grupos de vigilantes a agir, porque há recompensas envolvidas”, argumentou ele . “Então, mesmo que não haja realmente um caso, alguém vai fabricar um, alguém será preso, etc., porque há uma recompensa para aqueles que estão do lado dos vigilantes.”
O requerente solicitou a suspensão imediata da aplicação dessas leis, alegando abuso e assédio generalizados contra minorias por meio de denúncias apresentadas por terceiros não relacionados e sem as devidas garantias processuais.
O reverendo Asir Ebenezer, secretário-geral da NCCI, observou que a petição foi motivada pelas atrocidades generalizadas contra comunidades cristãs vulneráveis em toda a Índia e pelo que ele descreveu como uma narrativa falsa e persistente de que tudo o que os cristãos fazem é motivado por uma agenda oculta de conversão. Ele disse ao Christian Daily International que as leis são contrárias aos direitos humanos fundamentais e às garantias constitucionais, e que a NCCI tem o claro dever de proteger os interesses das comunidades cristãs no país.
John Dayal, porta-voz da União Católica de Toda a Índia, jornalista veterano e ativista dos direitos humanos, foi mais direto.
“Essas leis nunca buscaram impedir a coerção ou a fraude, que já são crimes segundo a legislação nacional”, disse Dayal ao Christian Daily International . “Da primeira à mais recente lei, elas são baseadas na malícia e na intenção de enredar a igreja e criminalizar o evangelismo.”
O Procurador-Geral Tushar Mehta, representando o governo central, opôs-se à petição, afirmando que a resposta do governo estava pronta e seria apresentada em breve. Ele argumentou que as alegações do peticionário não eram “factualmente sólidas” e que a questão já havia sido abordada por uma decisão de 1977 do Tribunal Constitucional, composto por cinco juízes .
No caso histórico do Reverendo Stainislaus contra o Estado de Madhya Pradesh , a Suprema Corte confirmou as leis estaduais que restringiam a conversão por meio de força, fraude ou sedução, decidindo que o direito de “propagar” a religião, previsto no Artigo 25 da Constituição, não incluía “o direito de converter outra pessoa à própria religião, mas sim de transmitir ou difundir a própria religião por meio da exposição de seus dogmas”.
Ebenezer, da NCCI, argumentou que a petição não busca contestar o princípio subjacente à decisão de 1977 , mas sim as leis muito mais abrangentes e punitivas que foram promulgadas desde então. Com cada nova lei, afirmou ele, o alcance da interferência estatal na escolha religiosa pessoal se expandiu, e nenhum precedente isolado pode ser usado para abranger essa expansão.
Uma década de resistência legal
A petição da NCCI soma-se a um desafio legal mais amplo que vem se desenvolvendo no Supremo Tribunal desde 2020, quando a organização Cidadãos pela Justiça e Paz apresentou a petição principal questionando a constitucionalidade das leis anticonversão promulgadas por vários estados.
A onda moderna dessas leis começou por volta de 2018, quando Uttarakhand promulgou sua legislação, seguida por Uttar Pradesh em 2020. Ambas as leis focaram na “conversão ilegal”, incluindo “para fins de casamento”, introduzindo exigências de declaração e penalidades criminais que, segundo críticos, têm sido usadas para controlar relacionamentos inter-religiosos. Outros estados seguiram o exemplo, incluindo Gujarat, Madhya Pradesh, Himachal Pradesh, Haryana e Karnataka, expandindo-se rapidamente à medida que o Partido Bharatiya Janata (BJP) consolidava seu poder tanto nos níveis central quanto estadual.
Em setembro, a Suprema Corte solicitou respostas de nove estados a respeito de petições que buscavam suspender suas respectivas leis anticonversão , sinalizando sua intenção de abordar as questões constitucionais de forma abrangente.
Em dezembro, a Conferência Episcopal Católica da Índia apresentou uma petição separada contestando especificamente a Lei de Proibição de Conversões Religiosas Ilegais de Rajasthan , de 2025. A lei de Rajasthan, aprovada em setembro e promulgada em outubro, foi descrita pelos peticionários como uma das mais draconianas, com disposições que permitem a demolição e a confiscação de propriedades sem supervisão judicial e penas que chegam a 20 anos de prisão para conversões envolvendo menores, mulheres ou membros de Castas e Tribos Registradas.
Dayal, que em novembro apresentou uma petição separada com o advogado M. Huzaifa contestando as amplas disposições da lei de confisco de bens do Rajastão, disse que a lei “institucionaliza a punição coletiva”, onde “uma família inteira perde sua casa com base em acusações contra um único membro”.
Questões constitucionais
A Associação Evangélica da Índia (EFI), que contestou de forma independente as leis anticonversão nos tribunais superiores de Jharkhand, Karnataka e Himachal Pradesh na última década, também interveio na batalha constitucional.
O reverendo Vijayesh Lal, secretário-geral da EFI, afirmou que, há mais de dez anos, a EFI está na vanguarda do questionamento dessas leis nos tribunais de todo o país.
“O que estamos testemunhando hoje é uma crescente violação da liberdade de consciência garantida por nossa Constituição”, disse Lal ao Christian Daily International . “Essas leis não visam apenas os cristãos. Elas ameaçam o direito de todos os cidadãos de seguir a fé de sua escolha.”
A petição contesta as leis anticonversão por diversos motivos, argumentando que elas são discriminatórias, arbitrárias e redigidas de forma vaga. A NCCI sustenta que essas leis se baseiam na presunção inconstitucional de que as conversões religiosas envolvendo adultos são inerentemente coagidas ou fraudulentas .
Ao exigir notificação prévia, investigação e autorização dos magistrados distritais, as leis obrigam as pessoas a justificar decisões profundamente pessoais perante o Estado, violando assim os direitos à liberdade, à privacidade e à liberdade religiosa garantidos pelos artigos 14, 21 e 25 da Constituição.
Violência e perseguição
Os desafios legais surgem num contexto de crescente violência e intimidação contra os cristãos.
Relatórios de grupos de monitoramento indicam que 2025 registrou níveis recordes de incidentes anticristãos, com centenas de casos documentados de agressões, interrupções de cultos religiosos, ameaças e vandalismo, marcando o quinto ano consecutivo de escalada.
Somente durante o período natalino , vários estados relataram ataques . Multidões vandalizaram decorações em um shopping center em Raipur, Chhattisgarh; interromperam eventos em Madhya Pradesh; intimidaram cantores de músicas natalinas em Delhi e Kerala; e assediaram cristãos em Uttar Pradesh.
A organização Portas Abertas classificou a Índia em 12º lugar na sua Lista Mundial de Vigilância de 2026 , que relaciona os países onde os cristãos enfrentam a perseguição mais severa, uma queda drástica em relação ao 31º lugar em 2013. Os cristãos representam apenas 2,3% da população da Índia, que é de 1,4 bilhão de pessoas.
Pivô constitucional
A questão constitucional central em análise pelo tribunal não é se os estados podem proibir conversões por meio da força ou fraude, algo que foi amplamente resolvido na decisão Stainislaus de 1977, mas sim se as leis modernas contra a conversão ultrapassaram os limites e se transformaram no que os peticionários descrevem como um regime de permissão, suspeita e processo criminal em torno da escolha religiosa voluntária e das relações inter-religiosas.
Em 2018 , no caso Shafin Jahan , o Supremo Tribunal decidiu que “as escolhas de fé e crença, tal como as escolhas relativas ao casamento, inserem-se numa área em que a autonomia individual é suprema”.
O tribunal já havia manifestado suas preocupações em maio, quando observou oralmente que a lei anticonversão de Uttar Pradesh “em algumas partes pode parecer violar o direito fundamental à religião garantido pelo Artigo 25 da Constituição”.
Espera-se que o assunto seja levado a uma audiência substancial assim que os estados e o governo central apresentarem suas respostas. O resultado provavelmente terá implicações de longo alcance para a liberdade religiosa , os direitos das minorias e o equilíbrio constitucional entre a autoridade do Estado e a liberdade individual em toda a Índia.
Cristãos durante culto em uma igreja no Irã. (Foto: Reprodução/CBN News)
A violência contínua decorrente dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que mataram seu líder supremo e membros do regime, pode ameaçar uma população cristã “já frágil”, alertou uma organização beneficente católica internacional.
A organização Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) divulgou um comunicado na segunda-feira expressando preocupação com a situação das comunidades cristãs em todo o Oriente Médio, especialmente no Irã, Iraque, Síria, Líbano, Faixa de Gaza e Cisjordânia.
A presidente executiva internacional da ACN, Regina Lynch, afirmou que “uma nova espiral de violência pode levar comunidades já frágeis a um ponto de insucesso”. As equipes da ACN no terreno estão constatando uma “ansiedade crescente”.
“O anseio por liberdade e dignidade entre os povos da região é legítimo”, afirmou Lynch. “Mas o preço de uma nova guerra seria extremamente alto. Os civis sempre sofrem mais, e os cristãos muitas vezes estão entre os mais indefesos.”
“Uma nova onda de destruição seria praticamente impossível de suportar para essas comunidades. … Muitos cristãos já emigraram e, com uma nova guerra, é improvável que retornem. Os que permanecem são frequentemente idosos, pobres e profundamente ansiosos em relação ao futuro.”
No Irã, a ACN observou que muitas pequenas comunidades cristãs enfrentam discriminação oficial, enquanto os convertidos ao cristianismo na República Islâmica são “especialmente vulneráveis” a ataques. A República Islâmica ocupa o 10º lugar no ranking dos países com maior perseguição a cristãos no mundo, segundo Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas .
A organização beneficente também expressou preocupação com a comunidade cristã no vizinho Iraque, observando que os cristãos daquela região só recentemente se reergueram após os ataques extremistas islâmicos dos últimos anos.
A incerteza persiste também para os cristãos na Síria desde a queda do regime de Bashar al-Assad em 2024, após vários anos de guerra civil.
“Apelamos à oração e à solidariedade”, concluiu Lynch. “Quaisquer que sejam os desenvolvimentos políticos, a presença cristã e a missão da Igreja no Oriente Médio devem continuar.”
No sábado, os Estados Unidos e Israel realizaram uma série de ataques contra o Irã, atingindo, segundo relatos, vários alvos militares e governamentais em Teerã e em outras partes do país do Oriente Médio.
Até o momento, os ataques resultaram na morte do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, e de outros altos funcionários, bem como de vários civis.
Em resposta, o Irã lançou diversos ataques com mísseis contra Israel e posições militares dos EUA na região. Um míssil atingiu a cidade israelense de Beit Shemesh no domingo, matando nove pessoas.
Pelo menos seis militares tiveram suas mortes confirmadas em um ataque iraniano contra um centro de operações em um porto civil no Kuwait, no domingo, segundo uma fonte familiarizada com a situação, em declaração à CNN.
“Oramos pela plena recuperação dos feridos e enviamos nosso imenso amor e eterna gratidão às famílias dos falecidos”, disse o presidente Donald Trump em um vídeo no domingo.
“E, infelizmente, provavelmente haverá mais antes que isso termine. É assim que as coisas são. Provavelmente haverá mais, mas faremos todo o possível para que isso não aconteça.”
O Irã foi abalado por protestos generalizados contra o regime no final do ano passado, devido a problemas econômicos e à crescente insatisfação com o governo. Há relatos de que dezenas de milhares de manifestantes foram mortos na repressão que se seguiu.
Diana Eltahawy, diretora adjunta para o Oriente Médio e Norte da África da Anistia Internacional, estava entre aqueles que denunciaram a repressão do regime iraniano às manifestações.
“No Irã, as pessoas que ousam expressar sua raiva contra décadas de repressão e exigir mudanças fundamentais estão, mais uma vez, sendo recebidas com um padrão mortal de forças de segurança atirando ilegalmente, perseguindo, prendendo e espancando manifestantes”, disse Eltahawy em um comunicado em janeiro.
“O principal órgão de segurança do Irã, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, deve emitir imediatamente ordens para que as forças de segurança cessem o uso ilegal da força e de armas de fogo.”
Lana Silk, presidente e CEO da Transform Iran , uma organização humanitária e ministério cristão liderado pelo Irã que atua no país, afirmou que o ataque militar contra a liderança iraniana era “inevitável e, infelizmente, necessário”.
“Ninguém deseja a perda de vidas, mas a perda de vidas continuava — e provavelmente em números muito maiores do que uma guerra decisiva e direcionada poderia causar”, disse Silk em um comunicado compartilhado com o The Christian Post.
“Embora cada vida inocente perdida seja uma tragédia, devemos reconhecer que o povo iraniano sofreu 47 anos de brutalidade sistêmica sob este regime, situação que se agravou particularmente nas últimas semanas. Dezenas de milhares morreram e muitos mais ficaram traumatizados. Não existe ‘normalidade’ na forma como este governo trata o seu próprio povo.”
“Esta era uma situação que os iranianos não conseguiam resolver sem ajuda externa”, afirmou ela. “Eles acolhem bem a intervenção do Ocidente e têm pedido por ela há muito tempo.”
Folha Gospel com informações de The Christian Post
Evangélicos em igreja, na Coreia do Sul (Foto: Ilustrativa/Reprodução)
O cristianismo evangélico ocupa atualmente a posição de maior grupo religioso declarado na Coreia do Sul, segundo dados divulgados pela Korea Research. De acordo com o levantamento “Panorama da População Religiosa em 2025”, 20% da população se identifica como protestante, percentual que coloca o segmento à frente dos budistas (16%) e dos católicos (11%).
Apesar da liderança entre os que professam alguma fé, o país é marcado por uma maioria sem filiação religiosa formal: 51% afirmam não seguir nenhuma religião, enquanto 1% integra outras crenças. A pesquisa faz parte de uma série iniciada em 2018 que questiona os entrevistados sobre pertencimento religioso e indica que, desde 2015, os protestantes mantêm a dianteira entre os grupos organizados. O índice permaneceu na faixa dos 20% ao longo dos anos, com pico de 22% registrado em 2019.
O budismo, presente na península coreana há mais de mil anos, apresentou estabilidade recente, mas perdeu espaço proporcional nas últimas décadas. Já o cristianismo expandiu sua presença sobretudo ao longo do século 20, consolidando-se como força relevante na sociedade sul-coreana.
Raízes históricas e expansão
A introdução do cristianismo na Coreia do Sul remonta ao século 18. Conforme registros da Associação para Estudos da Ásia, a difusão começou na década de 1780, quando emissários coreanos tiveram contato com textos cristãos durante missões diplomáticas à China. Ao retornarem, organizaram reuniões e estudos de forma discreta.
Na época, as autoridades proibiram a prática cristã e promoveram perseguições aos fiéis. Mesmo sob repressão, o movimento permaneceu ativo. O cenário começou a mudar ao longo do século 19. Na década de 1860, comerciantes ajudaram a estabelecer as primeiras comunidades protestantes. Já nos anos 1880, missionários vindos principalmente da América do Norte chegaram ao país.
A atuação missionária coincidiu com um período de instabilidade política e social, posteriormente agravado pela ocupação japonesa. Nesse contexto, o cristianismo passou a ser associado a setores da sociedade civil que defendiam modernização e maior autonomia nacional.
Símbolo do crescimento: Igreja do Evangelho Pleno de Yoido
O crescimento foi acelerado nas décadas seguintes. Em 1985, a igreja já reunia cerca de 500 mil integrantes. Em 1997, foi reconhecida pelo Guinness Book como a maior congregação do mundo. Estimativas da imprensa local apontam que o número de membros chegou a aproximadamente 800 mil.
O complexo ocupa área superior a 7 mil metros quadrados e possui um salão principal com capacidade para cerca de 21 mil pessoas. Aos domingos, são realizados sete cultos em coreano, além de celebrações com tradução simultânea para até 16 idiomas por meio de fones de ouvido destinados a estrangeiros. Também há serviços específicos em inglês, espanhol e japonês.
A dimensão da igreja e sua forte atuação evangelística refletem o vigor do protestantismo sul-coreano, que também se destaca pelo envio de missionários ao exterior, colocando o país entre os que mais enviam missionários no mundo.
Mesmo liderando entre as religiões declaradas, o cristianismo convive com um cenário em que a maioria da população não possui filiação religiosa formal. O contraste entre uma sociedade majoritariamente secularizada e igrejas de grande porte faz parte do atual panorama religioso sul-coreano.
Folha Gospel com informações de Korea Research, Comunhão e Guia-me