Anteprojeto de lei permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que deverá aportar no Parlamento nos próximos dias, desatou uma enorme polêmica em círculos religiosos, políticos e homossexuais.

O presidente da Conferência Episcopal na Nicarágua, monsenhor Leopoldo Brenes, disse que há muito dinheiro de instituições que querem danificar a família. “Isto não é de agora, é de anos. Esses grupos gays se sentem estimulados, porque, em alguns Parlamentos, tiveram apoio e abertura ao tema”, disse o prelado.

Ele lamentou que nesses casos só foram ouvidos os apelos econômicos, mas não o sentimento da população a respeito do tema. O pastor da Igreja Emaús, Eduardo Gutiérrez, disse que “a opção sexual não aparece no dicionário do Senhor. Esta adição lésbico-homossexual é coisa de demônios.”

O Movimento Feminista lançou campanha de estima às relações entre pessoas do mesmo sexo, “com o fim de criar uma sociedade inclusiva, respeitosa e justa”, explicou a ativista Mirna Blandon.

“Não pensamos que teria reações tão virulentas”, agregou Mirna, ao referir-se aos comentários de alguns deputados diante da possível proposta, os quais, inclusive, invocaram a Bíblia para mostrar seu desacordo com as relações homossexuais.

A segunda secretária da Assembléia Nacional, a deputada sandinista Alva Palacios Benavides, abriu o voto e garantiu que não vai votar a favor da proposta, pois a sociedade nicaragüense não está preparada para uma legislação desse tipo.

O deputado liberal Maximino Rodríguez acredita que a proposta, se chegar à casa, não vai prosperar, considerando a fé e a moralidade dos legisladores.

A deputada liberal María Dolores Alemão afirmou que votará a favor da proposta e acusou colegas de terem dupla moral.

O governo da Nicarágua criou, recentemente, a primeira Procuradoria Especial da Diversidade Sexual, presidida pela advogada María Samira Montiel Sandino. Ela declarou que a Nicarágua é um Estado laico e democrático, portanto existe liberdade de expressão.

Embora aplaudisse a Argentina por adotar tal lei, María Samira assinalou que na Nicarágua será preciso um caminho bem mais extenso para aprovação da proposta.

[b]Fonte: ALC[/b]

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