
O deputado federal Otoni de Paula negou veementemente ter votado em Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A controvérsia, que ganhou força em redes sociais e entre setores ligados à bancada evangélica, foi atribuída pelo parlamentar a uma campanha de fake news orquestrada por grupos insatisfeitos com sua atuação política. Otoni de Paula também desmentiu boatos sobre sua destituição da função de pastor.
A polêmica surgiu após a circulação da informação de que Otoni de Paula teria sido um dos responsáveis por apoiar a eleição de Erika Hilton, parlamentar transexual, para o comando do colegiado. Críticos alegaram que essa suposta decisão teria tido um papel decisivo no resultado, intensificando disputas políticas internas. No entanto, em entrevista à Comunhão, o deputado esclareceu os fatos, explicando que a estratégia da Frente Parlamentar Evangélica era outra.
A estratégia da Frente Parlamentar Evangélica
Otoni de Paula detalhou que a orientação inicial da Frente Parlamentar Evangélica era de não registrar presença para evitar a formação de quórum na eleição. Caso o quórum fosse atingido, a instrução era votar em branco. “A Frente Parlamentar Evangélica tinha uma estratégia para tentar impedir a eleição”, explicou o deputado.
No entanto, o parlamentar relatou que, no momento da votação, ele estava presidindo uma sessão da Câmara dos Deputados. Por ser uma eleição remota, feita pelo celular, ele tentou conciliar as duas atividades. “Eu estava presidindo uma sessão da Câmara e, como a eleição na comissão era remota, pelo celular, era possível exercer as duas funções ao mesmo tempo”, disse.
O voto e a repercussão
Ao ser alertado por um membro da comissão sobre a necessidade de votar, Otoni de Paula declarou ter votado em branco, conforme o combinado. Ele admitiu, porém, não ter percebido que a votação já se encontrava em segundo turno, fase em que a estratégia do grupo era não registrar voto para evitar o quórum. “Meu voto sequer foi computado, pois sou suplente na comissão e os titulares já haviam votado”, afirmou.
Apesar disso, o voto e o de outro deputado contribuíram para o quórum. “De qualquer forma, nossa estratégia não funcionaria. A partir daí começaram as fake news dizendo que eu havia votado em Erika Hilton”, declarou Otoni de Paula. Ele lamentou a repercussão, atribuindo-a a uma “orquestração de falsas notícias” por parte de setores da igreja que não concordam com seu mandato e com suas críticas à polarização que, segundo ele, divide a igreja.
Desmentido sobre a função pastoral
Paralelamente à polêmica do voto, também circularam informações de que Otoni de Paula teria sido destituído de sua função pastoral. O deputado desmentiu categoricamente essa alegação, chamando-a de “outra irresponsável fake news”.
“Sou pastor há 30 anos, presido, pela bondade de Deus, um ministério, sou membro da Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e estou em plena comunhão com Deus e com meus irmãos”, declarou. Ele reforçou que a articulação de notícias falsas visa prejudicá-lo, vindo de pessoas inescrupulosas que atuam tanto na igreja quanto na política eclesiástica.
Enfrentando ataques na vida pública
Otoni de Paula reconheceu que episódios como esse são inerentes à vida pública. “De forma alguma. Apesar de lamentar tudo o que aconteceu e o prejuízo de imagem que isso possa ter provocado, entendo que, como homem público, preciso estar preparado para esse tipo de ataque mentiroso”, afirmou.
As comissões permanentes da Câmara dos Deputados, como a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, são responsáveis por analisar e votar propostas legislativas. A eleição para a presidência desses colegiados ocorre anualmente entre seus integrantes, refletindo acordos políticos e a proporcionalidade das bancadas. A escolha de Erika Hilton para presidir a comissão em questão gerou debates e mobilizou diferentes grupos na Câmara e em esferas religiosas.
Fonte: Comunhão
