Pastora Damares Alves, indicada para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
Pastora Damares Alves, indicada para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

A pastora Damares Alves, assessora do senador Magno Malta (PR-ES), irá comandar o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (6) pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

“Por ordem do presidente Jair Bolsonaro apresento a ministra. Ela cuidará da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos” disse Onyx em entrevista coletiva concedida na sede do governo de transição, em Brasília.

Onyx ainda informou que a pasta ficará responsável pela gestão da Fundação Nacional do Índio (Funai), entidade que dá assistência aos povos indígenas.

Damares estava sendo cotada por Bolsonaro para o cargo por conta de sua identificação com a pauta dos direitos humanos e da família. Ela é apontada por apoiadores como “advogada, mãe, tem larga experiência por mais de 20 anos na defesa de populações tradicionais historicamente esquecidas, índios, ciganos”.

As pautas conservadoras também são defendidas por Damares, que se declara contra a ideologia de gênero e a legalização do aborto.

Sua nomeação tem apoio de mais de cem entidades, entre igrejas, organizações não governamentais e associações de classe, como a Rede Nacional em Defesa da Vida e da Família.

Falando à imprensa após sua nomeação, Damares disse que pretende investir em políticas públicas voltadas às mulheres. Ela também pretende propor um “pacto pela infância” à frente do ministério, destacando que, em média, 30 crianças são assassinadas por dia no Brasil.

“Nunca a infância foi tão atingida como nos dias de hoje. Nós vamos propor um pacto pela infância […] A infância vai ser prioridade nesse governo”, afirmou.

Damares ainda declarou que, se depender dela, vai para a porta das empresas na qual funcionário homem ganhe mais do que mulher para protestar por equiparação salarial de gênero.

​Damares já fez a assessoria jurídica da Frente Parlamentar Evangélica, na qual ficou conhecida pelo bom trânsito com parlamentares. É creditada como fundadora da Atini, uma entidade que zela por crianças indígenas.

Suas pautas se alinham às da bancada que diz falar no Congresso em nome dos evangélicos.

Ao site Expresso Nacional, por exemplo, afirmou que a ideologia de gênero é “morte, é morte de identidade”, além de condenar o aborto e a legalização das drogas. Todas as “pautas de esquerda”, aliás, são “a morte” em sua opinião. “O menino abestado por maconha e abusado não vai liderar uma nação, é massa de manobra, […] não tem senso de crítico.”

Com carreira profissional hiperativa, ela diz que, ao contrário do que feministas propagandeariam, é possível, sim, ser do lar e do mercado de trabalho. “Me preocupo com ausência da mulher de casa”, diz a pastora da Igreja Quadrangular, que brinca em seguida: amaria passar a tarde deitada na rede, “e o marido ralando muito, muito, muito para me encher de joias”. Compara a imagem materna com “a da galinha com seus pintinhos embaixo da asa”.

Ela já contou ter sido uma “sobrevivente da pedofilia”, após ter sido “barbaramente estuprada” aos seis anos. O ataque a teria deixado incapaz de engravidar.​

Com a indicação de Damares para a Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro já definiu 21 dos 22 ministérios de seu governo. Falta apenas definir e anunciar o titular do Ministério do Meio Ambiente.

Fonte: Guia-me e Folha de São Paulo