O pastor Tupirani da Hora Lores, líder da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo
O pastor Tupirani da Hora Lores, líder da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) instaurou, nesta segunda-feira (23/8), um inquérito para apurar discursos racistas, machistas e homofóbicos por parte do pastor Tupirani da Hora Lores em culto na Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, no Santo Cristo, bairro da zona portuária do Rio de Janeiro.

O discurso foi feito dias após a pregadora Karla Cordeiro passar a ser investigada pela Polícia Civil por pedir aos fiéis da Igreja Sara Nossa Terra de Nova Friburgo, na Região Serrana do estado, que “parassem de postar coisa de preto e de gay”.

“Minha querida, não suba mais nesse palanque de prostitutas para tentar pregar, você não foi chamada pra isso, eu fui chamado pra isso. Se vocês pedem desculpa do que falam dentro da igreja pra um babaca de um delegado, um babaca mundano, espírita, vagabundo, católico, seja de qualquer outra religião, você são loucos!”, exclama o religioso.

O pastor também proferiu ataques contra negros e homossexuais ao dizer que bandeiras não deveriam ser levantadas no âmbito religioso.

Tupirani também chamou o delegado Henrique Pessoa, da 151ª DP (Nova Friburgo), de “babaca” e afirmou que, após pressão do policial, Karla Cordeiro postou uma nota de retratação, na qual diz que foi “infeliz nas palavras”.

Na gravação, é possível ouvir fiéis gritarem “aleluia” e “glória a Deus”, em meio aos insultos do pastor.

Líder da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo, Tupirani já foi condenado em 2012 por “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, crime cuja pena varia de um a três anos. Na ocasião, segundo a sentença, o pastor mantinha um blog em que atacava a Igreja Católica, religiões de matriz africana e judeus, em sinal de “intolerância religiosa”.

Em março deste ano, o pastor foi alvo de uma operação da Polícia Federal após defender um “massacre de judeus” em um culto e dizer que o grupo “deveria ser envergonhado como foi na 2ª Guerra Mundial”.

MP denuncia Karla Cordeiro

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Nova Friburgo, denunciou, nesta sexta-feira, 20/8, Karla Cordeiro dos Santos Tedim, líder de célula da Igreja Sara Nossa Terra, por praticar, induzir e incitar o preconceito e a discriminação contra as pessoas de cor preta e aquelas pertencentes à comunidade LGBTQIA+.

No dia 31 de julho, durante a transmissão de uma live na Igreja Sara Nossa Terra, em Nova Friburgo, Karla criticou fiéis que defendem causas políticas, raciais e LGBTQIA+.

Fonte: Metrópoles, Nova Friburgo Em Foco, G1 e T5