Grávida
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Os irlandeses votarão na sexta-feira (25) em um referendo que definirá se o país acaba com uma das legislações mais restritivas da Europa contra o aborto, em um país onde a Igreja Católica perdeu influência nas últimas décadas.

Os eleitores decidirão concretamente se derrubam a proibição constitucional de aborto em todos os casos, com exceção de risco para a vida da mãe.

As pesquisas mais recentes apontam a vitória dos partidários do “Sim”, mas a vantagem registrou uma queda em algumas pesquisas, e uma em cada seis pessoas se declaram indecisas.

“A profundidade dos sentimentos dos dois lados foi muito manifestada”, disse à AFP professor de História Moderna da Irlanda Diarmaid Ferriter, na Universidade College Dublin.

O referendo acontece três anos após a aprovação, também por referendo, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, um verdadeiro terremoto em um país outrora fervorosamente religioso.

Ferriter destacou que, apesar do referendo de 2015 ter sido “positivo e inspirador”, a campanha deste foi “muito mais visceral”.

Em 1983, a Irlanda aprovou a proibição do aborto por uma pequena margem e com uma participação um pouco acima da metade do total de eleitores.

A legislação posterior previa 14 anos de prisão para as mulheres que abortaram.

A situação leva milhares de irlandesas a viajarem para o Reino Unido, onde a interrupção da gravidez é legal, para abortar.

Em 2013, o país decidiu que as mulheres com a vida em risco pela gravidez poderiam interromper a gestação, após o escândalo provocado pela morte de Savita Halappanavar, que faleceu ao ter um aborto negado.

A ideia do novo referendo ganhou estímulo com o caso de Amanda Mellet, que foi obrigada a viajar para o Reino Unido para abortar, depois que foi detectado que o feto sofria uma anomalia mortal.

Mellet levou o caso ao comitê de direitos humanos da ONU, que decidiu que a rejeição do aborto prejudicava seus direitos.

O governo irlandês ofereceu uma indenização de 30.000 euros (35.000 dólares), mas o caso gerou apelos por mudanças na lei.

No caso de vitória da ideia de suprimir a emenda constitucional, já existe um projeto de lei para permitir o aborto sem restrições durante as 12 primeiras semanas da gravidez e, em algumas circunstâncias, durante os primeiros seis meses.

U2 e o aborto

No início deste mês de maio, a banda irlandesa U2 foi bastante criticada por fãs cristãos ao publicar apoio ao aborto nas sua redes sociais.

O U2 twittou uma foto apoiando a campanha “Revogar o oitavo” pedindo aos cidadãos irlandeses que votem “Sim” em 25 de maio para revogar a oitava emenda da Constituição da Irlanda que declara: “O Estado reconhece o direito à vida do feto e, com a devida consideração ao igual direito à vida da mãe, garante em suas leis respeitar e, na medida do possível, por suas leis defender e reivindicar esse direito “.

Banda de rock irlandesa U2

Alguns fãs comemoraram o tweet do U2 com likes e retweets, mas muitos outros expressaram sua decepção.

“Cara, eu estou tão desapontado com Bono. Eu ainda vou ouvir a música dele, mas eu estou triste que, tendo derramado sua voz para os vulneráveis, ele está virando as costas para aquelas preciosas almas que não têm voz, “Pastor Daniel Darling, vice-presidente de Comunicações da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa,  twittou.

Darling acrescentou: “Vamos considerar o que está acontecendo na Irlanda: um país inteiro está votando o direito de enviar voluntariamente mais vulneráveis ​​a um túmulo prematuro”.

Cristy, outra fã da banda escreveu no Twitter: “Isso quebra meu coração. Eu amei e segui você por 20 anos. Eu ainda amo você, mas não posso segui-lo por esse caminho. Meus ingressos para os próximos shows não serão usados.”

Voto pelo “não”

Recentemente, três bispos irlandeses explicaram porque votarão pela “não” revogação da emenda que defende a vida no ventre materno.

“Nada é tão importante para o futuro de nossa humanidade do que o direito à vida”, disse o Bispo de Kildare e Leighlin, Dom Denis Nulty. “Acredito que nenhum de nós, mulheres ou homens, tem o direito absoluto sobre a vida do outro”, acrescentou.

Por sua parte, o Bispo de Cork e Ross, Dom John Buckley, sublinhou que “a criança no útero é inocente das circunstâncias de sua concepção e seu estado de saúde. Não há outra situação na vida na qual o final da vida de uma pessoa inocente seja a resposta a uma dificuldade”.

“Nunca mais voltaremos a ter um voto mais importante. Não há causas mais nobres do que defender aqueles que não podem se defender por si mesmos”, disse.

O Bispo de Raphoe, Dom Alan McGuckian, assinalou que, “como católicos, todos nos apegamos à sacralidade absoluta de toda a vida, desde a concepção até a morte natural”.

Fonte: Jornal do Brasil, ACI Digital, The Christian Post, Irish Central e Twitter