
Uma gravação que supostamente mostrava soldados israelenses vandalizando uma igreja na cidade de Debel, no Líbano, foi identificada como sendo gerada por inteligência artificial (IA). A disseminação do vídeo em diversas redes sociais, com legendas alegando a profanação de um local católico, foi contrariada por autoridades locais e por uma análise detalhada do conteúdo.
O vídeo viral, que já acumulou mais de 112 mil visualizações, exibe dois soldados em um ambiente que se assemelha a uma igreja, chutando destroços e rindo. Publicações nas redes sociais afirmavam que o incidente teria ocorrido em Debel, no sul do Líbano, e circulavam em inglês e árabe, após um caso real em abril de 2026 onde um soldado israelense foi fotografado danificando uma estátua de Jesus Cristo na mesma vila.
No entanto, o prefeito de Debel, Akl Nadaf, confirmou à AFP que não existe uma igreja com as características mostradas no vídeo na cidade. Boutros al-Ra’i, chefe administrativo local, corrobora a informação e apresentou fotografias das duas igrejas conhecidas na área, nenhuma das quais correspondia ao cenário do vídeo. Hany Kahwagi-Janho, professor de Arquitetura e Arqueologia, também apontou que a arquitetura apresentada no vídeo é uma combinação incomum de elementos católicos e bizantinos, não compatível com as igrejas de Debel.
A análise técnica do conteúdo também detectou inconsistências visuais notáveis. Diferenças significativas foram observadas nas obras de arte das paredes e na arquitetura entre as cenas de suposto “antes” e “depois”. Um momento específico na gravação mostra a perna de um soldado desaparecendo brevemente ao chutar um objeto. Além disso, falantes de hebraico relataram que as vozes dos soldados no áudio soavam artificiais e as falas eram incoerentes.
O Exército israelense havia informado que a imagem de abril de 2026, referente ao soldado danificando a estátua de Jesus Cristo, era autêntica e que o soldado estava em operação no sul do Líbano. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, expressou choque e tristeza com o incidente de abril e prometeu medidas severas. Contudo, a sequência do vídeo em questão foi confirmada como obra de inteligência artificial.
Folha Gospel com informações de AFP
