Nos Estados Unidos, promotores e advogados de defesa se reunirão nesta terça-feira pela última vez com o juiz que preside o caso de Estevam e Sonia Hernandes, o casal fundador da Igreja Renascer em Cristo, para assegurar que os dois lados estão prontos para ir a julgamento, segundo revelou ontem um funcionário do tribunal.

A “calendar call” (sessão para acertar o calendário do julgamento) desta terça-feira, presidida pelo juiz distrital Federico Moreno, determinará se os advogados estão preparados ou se um dos lados precisa de mais tempo para se preparar.

Sonia e Estevam Hernandes foram presos no aeroporto de Miami no dia 9 de janeiro carregando US$ 56,5 mil escondidos na bagagem, inclusive em uma Bíblia, tendo declarado apenas US$ 10 mil na alfândega. Os dois tiveram de entregar seus passaportes ao governo americano. Eles chegaram a passar alguns dias na prisão, mas atualmente estão em liberdade supervisionada na região de Miami.

A data de início do julgamento está marcada para a próxima segunda-feira. Mas essa data ainda pode mudar se qualquer uma das partes apresentar argumentos convincentes para seu adiamento.

Um funcionário do tribunal próximo do juiz Moreno disse na segunda-feira, 12, que tanto a acusação como a defesa parecem prontas para prosseguir conforme o planejado.

“Eles estão prontos para ir a julgamento”, disse o funcionário, que pediu anonimato. “A audiência desta terça-feira é, na verdade, uma ‘tomada de temperatura’ de último minuto para assegurar que todos estão prontos.”

Segundo o mesmo funcionário, “a última coisa que o juiz deseja é que um lado apareça no dia 19 e diga que eles não estão prontos para prosseguir”.

Acusações

Frente à Justiça americana, Sonia e Estevam respondem por quatro infrações, incluindo falsificação de documentos, contrabando de divisas e conspiração para encobrir os crimes. Sonia também responde a uma quinta acusação, a de mentir para autoridades federais.

As acusações contra o casal Hernandes poderão resultar em penas de 20 anos ou mais de prisão para cada um, se eles forem considerados culpados e receberem a pena máxima. Caso sejam condenados, eles irão cumprir pena numa prisão dos Estados Unidos, antes de serem extraditados para o Brasil.

O casal também é acusado pelo Ministério Público no Brasil de estelionato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Os fundadores da Renascer têm prisão preventiva decretada pelo Judiciário de São Paulo. O casal tentou anular essa decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o pedido não foi aceito.

Fonte: Estadão