Precisamos entender a dívida e como sermos bons mordomos dos recursos que Deus nos dá.

Sabemos da importância de trazer nossos dízimos e ofertas ao Senhor.

Também de possuirmos um plano de gastos. Uma maneira de viver com o que Deus nos deu, seguindo o plano de Deus e ao mesmo tempo tendo em mente o cuidado de nossa família.

Mas há algo que impede a grande maioria dos cristãos no mundo de seguir o plano de Deus para suas vidas. . . e é ter muitas dívidas.

Li certa vez sobre um pastor que foi na Turquia. Enquanto esteve lá, notou que tinha casas que estavam em diferentes etapas de construção por todas as partes das cidades. Parecia que alguém as tinha começado e as tinha deixado pela metade da construção e abandonado. O pastor perguntou ao missionário o que tinha acontecido com aquelas casas. O missionário explicou-lhe que o Alcorão admoesta os seguidores para não contrair dívidas ou pegar empréstimos. Como o governo local era muçulmano, eles possuíam leis muito severas quanto aos empréstimos. De maneira que os mulçumanos poupavam o dinheiro até que pudessem construir. Quando acabavam as poupanças, paravam a construção e voltavam a trabalhar até que poupassem o suficiente dinheiro para continuar.

Imagine se nós tomássemos nossas advertências bíblicas sobre a dívida tão seriamente. . .

Ao invés, temos o que chamamos de “direito de possuir tudo”. Só que cada dia que passa este direito se transforma em pesadelo. “Compre agora e pague depois. . .90 dias”. Gastamos um dinheiro que não temos para comprar. Para poder pagar estas coisas, temos que trabalhar mais horas. Sacrificamos o tempo que possuímos. Deixamos nossas famílias, igrejas e comunidades com menos do que eles merecem. Tudo para impressionar as pessoas que realmente nem se importam conosco.

A dívida é um problema no mundo. Apesar das leis mudarem, 1.8 milhões de pessoas declararam quebra em 2005. Em janeiro de 2006, nos Estados Unidos, lares gastaram mais de seus rendimentos em $575. Quase uma em cada 5 pessoas somente conseguiu fazer o pagamento mensal mínimo de seus cartões de crédito. Isto significa que 40% das famílias norte-americanas gastaram mais dinheiro do que ganharam mensalmente. Fonte: Revista Newsweek.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2006, só 9% dos evangélicos admitiam que estivessem com dívidas graves. O fato é que têm gente com tanta dívida, que em alguns casos, mais até que os não cristãos. De fato, 37% dos cristãos acham que nunca vão conseguir sair de suas dívidas. E muitas igrejas não ajudam o problema, quando não ensinam a Economia de Deus ao seu povo.

Ao sentir desejo de comprar algo, deveríamos perguntar a Deus se realmente precisamos daquele artigo. Isto nos tornaria mais responsáveis com os 90% que Deus deixa para nós administrarmos.

Um empréstimo que tem sido muito empregado em nossos dias é o CDC dos bancos e os empréstimos consignados em Folhas de Pagamento. É melhor poupar cedo para os gastos imprevistos. Mas se a poupança falhar, ao menos estas dívidas são controláveis pelo banco, de acordo com sua capacidade de pagar. Mas o mais perigoso, sem dúvida alguma, é a dívida do cartão de crédito.

O consumidor em média gasta mais de 35% quando compra com cartões de crédito. Ainda, as pessoas maiores de idade têm uma média de 4.000 Reais em dívidas com cartões de crédito. Permita-me perguntar-lhe: “O que você acha que Deus pensa sobre as dívidas?” Você crê que devendo dinheiro você reflete o propósito que Deus para você e sua família?

Em Provérbios o Rei Salomão escreve: “O rico domina os pobres, e o que toma emprestado é escravo do que empresta.” Quando alguém tomava dinheiro emprestado no Antigo Testamento, se tornava em servente do agiota até que terminasse de pagar a dívida. Quando você toma dinheiro emprestado hoje em dia, você assina um contrato onde promete pagar o dinheiro que tomou emprestado. Você passa a ser escravo até que salde sua dívida. Talvez seja por isto que se chama “Master Card” (Cartão do Mestre).

As pessoas que têm dívidas sentem a tensão financeira causada pela preocupação das dívidas e concluem que não podem viver na maneira que desejam por causa da pressão das dívidas. Como isto glorifica a Deus?

No artigo “Livra-nos da dívida”, Charles Stanley escreveu que primeiro, a dívida cria tensão, preocupação, e frustração profunda. A pessoa que sofre sob tal carga não pode ter um coração completamente focado em Deus. A dívida também pode se converter numa preocupação mental. Seus primeiros e últimos pensamentos em cada dia são sobre a quem deve, quanto deve, e daí sobre como pagar. Você fica fora da posição de escutar as prioridades de Deus para seu dinheiro, seu tempo e outros recursos. Segundo, as dívidas difíceis causam medo, uma ansiedade profunda, de que nunca terminará de pagar suas dívidas. Esse medo é contrário à fé. O medo separa-nos de Deus. O medo converte-se em seu enfoque. A dívida toma o lugar de Deus. Terceiro, as dívidas causam tensão nas relações familiares. O dinheiro é uma das causas primárias das discussões familiares. Problemas financeiros são responsáveis por divórcios. A má administração do dinheiro pode sufocar o amor. Quanto mais luta com o dinheiro, menos tempo e atenção pode-se conceder aos que você ama. Quarto, as dívidas também podem causar uma falsa ilusão e pensamento distorcido da realidade da vida. A dívida pode causar-lhe desconfiança sobre aqueles que parecem não ter problemas financeiros. Pode causar inveja. Estas não são atitudes divinas. Quinto, a dívida fere o depoimento do cristão. As ações dizem mais que as palavras. Você pode dizer que está confiando que Deus suprirá todas suas necessidades. Mas se a realidade é que você está acreditando nos cartões de crédito ou empréstimos, é difícil declarar ao mundo que realmente estás confiando que o Senhor suprirá todas suas necessidades. Sua credibilidade está destruída. Finalmente, a dívida afeta sua vida espiritual numa forma negativa, pois não o deixa escutar totalmente os planos que tem Deus para sua vida diária. Se no único que você pensa são em seus credores, deu a Deus o segundo lugar.

Concentre-se agora. O problema maior é a sede e a compulsão de querer mais coisas. O materialismo em qualquer forma é pecado. Cometemos este pecado ao permitir nos arruinar nas dívidas. Uma vez que a dívida domina nossas vidas, já não temos controle da dívida senão que a dívida tem controle sobre nós. Ao procurar paz de Deus estamos em rebelião. Uma rebelião que praticamos diariamente. A paz verdadeira só vem de Deus. João 14:24 diz-nos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

A responsabilidade também é muito importante. Deus não propõe que você o faça sozinho. Para mover-se da escravidão financeira à liberdade financeira, você precisa ter alguém em quem confiar para lhe ajudar a se manter responsável. Esta pessoa é o Espírito Santo de Deus. Mas precisa dedicar tempo para ouvi-lo.

Uma solução possível para algumas pessoas é ganhar mais dinheiro. Mas isto não é o ponto do problema, mas a verdade é que se você não muda os hábitos e atitudes que lhe causaram a dívida, nenhum aumento em seu rendimento irá ajudá-lo a resolver seu problema. De fato, é possível que se possa ter mais dívidas ao pensar que com um aumento poderá pagar suas contas velhas e ao mesmo tempo acrescentar novas dívidas.

Deus deseja abençoar-nos. Ele é um pai amoroso que se deleita na prosperidade de seus filhos. Ele quer suprir suas necessidades. Assim mesmo, quando nos deixamos levar por nossos desejos e terminamos com dívidas, roubamos ao Senhor. Roubamos a oportunidade Dele prover nossas necessidades ou nos mostrar quais realmente são nossas necessidades.

O desejo de Deus é que você participe da generosidade, não da avareza. É também importante notar que, Deus não nos quer endividados e nem quebrados. O salmo 37:21 diz-nos: “O ímpio toma emprestado, e não paga; mas o justo se compadece e dá.” Pela lei de Deus, temos obrigação de pagar nossas dívidas. E com a disciplina do dízimo podemos confiar que Ele proverá os meios para pagar essas dívidas, quando formos obedientes.

Resolva hoje sair de suas dívidas. Tome a decisão que vai honrar a Deus com seu dinheiro. Pergunte se você está honrando a Deus ao ser um mordomo responsável do que Deus te deu. Ou está gastando baseado em estímulos negativos. Considere que se não pode pagar no instante que vai comprar, talvez não seja a vontade de Deus que o compre. Pelo menos não nesse instante. Antes de comprar qualquer coisa, pare por um momento e considere se realmente está precisando. Tenho que comprar? Vale a pena o preço que vou pagar?

Exercite seu controle próprio e afaste-se das dívidas e dirija-se para uma liberdade financeira e uma fé sólida em Deus. Dê graças a Deus por ajudar-lhe à medida que vai saldando suas contas. Converta o pagamento de suas dívidas numa oportunidade de louvor. Uma vez que você age como Deus lhe chamou e ordenou, sua atitude com respeito à dívida mudará e você poderá continuar com esta liberdade financeira ao examinar a provisão de Deus para o futuro de sua família.

Lembre-se: Confesse as promessas de Deus de que vai conseguir saldar suas dívidas, pois como diz Eclesiastes 10:20 “Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes o rei; nem tampouco na tua recamara amaldiçoes o rico; porque as aves dos céus levarão a voz, e uma criatura alada dará notícia da palavra”, suas palavras tem asas! Confessar é plantar!

SHEVA BRACHOT
MANOEL VALENTIM