Os Estados Unidos incluíram em sua lista de países onde o respeito à liberdade religiosa merece “atenção especial” adversários tradicionais como Irã e Cuba, mas também aliados como Israel e Arábia Saudita.

Os 20 países mencionados no relatório anual do Departamento de Estado, apresentado nesta sexta-feira pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, foram observados ao longo do ano para que fossem determinados os abusos por parte de seus Governos ou as melhoras obtidas em matéria de tolerância religiosa.

Ao se referir a Cuba, o relatório afirma que “algumas figuras religiosas que criticaram o sistema totalitário do Governo cubano foram alvo de intenso assédio”.

“O Governo implantou novos regulamentos que restringiram a atividade religiosa, mas afrouxou sua política de concessão de permissões de trabalho para clérigos católicos”, diz o relatório.

Além disso, afirma que o regime castrista continuou exercendo um grande controle sobre o exercício autorizado da religião, enquanto interferiu ou reprimiu grupos religiosos que não estivessem registrados oficialmente.

O relatório também critica Israel e o muro que constrói no território palestino da Cisjordânia, que “limitou o acesso a locais sagrados e impediu o trabalho de organizações religiosas que proporcionam ajuda humanitária e serviços aos palestinos”.

O documento acrescenta que o fechamento de fronteiras restringiu o acesso dos palestinos a locais de culto.

Com relação ao Irã, o Departamento de Estado foi ainda mais crítico, sobretudo após a eleição de Mahmoud Ahmadinejad como presidente, em junho de 2005.

“Durante o período analisado, que vai de julho do ano passado a junho de 2006, constatamos a deterioração de um estado já extremamente ruim em relação ao respeito à liberdade religiosa”, afirma.

Na lista de 20 países, os EUA consideram o Irã e outros sete Estados como “especialmente preocupantes”.

John Hanford, embaixador extraordinário dos EUA para a Liberdade Religiosa, insinuou que o Uzbequistão poderia entrar nessa lista. O país asiático foi apontado como um dos países onde houve mais atrasos neste assunto.

Por outro lado, Sudão, Arábia Saudita e Vietnã, que também fazem parte da “lista negra”, foram destacados como países nos quais as autoridades fizeram um esforço considerável para melhorar as condições da prática religiosa.

Na apresentação do relatório, Rice lembrou a comemoração, na última segunda-feira, do quinto aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001.

“O 11 de Setembro nos tornou mais conscientes de nossa própria diversidade religiosa, e da importância que tem. Os fatos desse dia dão ainda mais importância a este relatório, e renovam nossa determinação de cumprir com os ideais que sempre mantivemos em nossa história”, disse Rice.

A secretária de Estado assegurou que a liberdade religiosa está arraigada nos princípios dos EUA.

Os oito países da “lista negra” são Birmânia, China, Eritréia, Irã, Coréia do Norte, Arábia Saudita, Sudão e Vietnã.

Todos eles sofrem, atualmente, sanções de diferentes tipos e graus por parte dos EUA, por suas políticas com relação à liberdade religiosa.

Fonte: EFE