O sentimento anti-islâmico está crescendo na Europa. Uma pesquisa realizada pelo prestigiado Pew Research Center mostra que a rejeição a imigrantes muçulmanos chega a 52% da população espanhola, 50% da alemã e 46% dos habitantes da Polônia.

Em diversos países do Velho Mundo, a construção de novas mesquitas tem sido alvo de ações judiciais contrárias. Em nações como a França e a Espanha, que têm grandes comunidades islâmicas, diversos terrenos estão sendo comprados com a ajuda de governos do Oriente Médio para a construção de novos templos, o que tem gerado protestos.

Grupos de extrema-direita querem proibir a construção de minaretes – as torres de onde são feitas as chamadas aos fiéis para as orações – por comunidades muçulmanas e sugerem uma votação popular sobre o assunto. A votação seria um teste sobre a capacidade de a Europa cristã aceitar a existência de imigrantes de outros credos. Na Alemanha, onde existem mais de 3 milhões de muçulmanos, a maioria de origem turca, a mesquita de Merkez gerou debates durante seis anos por causa do tamanho da construção e dos subsídios de 3,2 milhões de euros concedidos pelo governo para a obra. Na Suíça, país com 5% de muçulmanos, a questão virou problema político. As legendas de direita insistem em convocar um plebiscito para este ano. A população islâmica no país representa hoje 5% dos moradores do país.

Enquanto nos bastidores o governo tenta acalmar os ânimos, a construção de cada mesquita está se transformando em batalha jurídica. Um dos casos chegou até o Supremo Tribunal da Suíça, que autorizou a construção do minarete em Wangen após três anos de impasse. As igrejas Católica e Protestante do país publicaram uma declaração contra a iniciativa popular de tentar impedir a construção de mesquitas, alertando que a ação seria uma “violação ao direito de liberdade religiosa” assegurado pelas leis suíças.

Segundo o ex-deputado federal Ulrich Schlüler, considerado o pai da iniciativa, a construção de minaretes ameaça a ordem do país. Mas ele insiste que a proposta respeita a liberdade religiosa e que os muçulmanos poderão continuar a rezar, contanto que seja em mesquitas sem minaretes. Mas a Organização da Conferência Islâmica aponta a proibição aos minaretes como um exemplo da crescente hostilidade contra o Islã no mundo ocidental. O presidente das Organizações Islâmicas na Suíça, Hisham Maizar, alerta que esse discurso é muito parecido ao que se usava para justificar as Cruzadas. “Abrir uma mesquita ou construir um minarete não é um ataque à sociedade cristã. Não há por que temer”, diz o líder muçulmano.

Fonte: Estadão