Jogo de vôlei feminino. (Foto: Reprodução)
Jogo de vôlei feminino. (Foto: Reprodução)

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou uma mudança profunda em suas regras de elegibilidade, restringindo a participação em competições femininas exclusivamente a atletas do sexo biológico feminino. A nova política impede que mulheres transgênero disputem os principais torneios organizados pela entidade no país.

Com essa decisão, fatores como a identidade de gênero autodeclarada, o sexo registrado em documentos civis ou a realização de tratamentos hormonais deixam de ser suficientes para garantir a inscrição de uma atleta na categoria feminina. A medida busca alinhar o vôlei brasileiro às recentes diretrizes internacionais adotadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Entenda a nova regra de elegibilidade da CBV

A mudança na política nacional acompanha decisões tomadas por entidades internacionais que regulam o esporte. A CBV fundamentou sua decisão na Política de Proteção da Categoria Feminina adotada pelo COI, além das diretrizes estabelecidas pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

De acordo com Radamés Lattari, presidente da CBV, a medida é uma forma de equiparar os campeonatos nacionais ao cenário internacional. Trata-se de uma guinada em relação às normas de 2017, quando a confederação permitia a participação de atletas transgêneros seguindo as diretrizes olímpicas vigentes na época. No entanto, o cenário mudou globalmente após novas revisões científicas baseadas em aspectos médicos, jurídicos e de direitos humanos.

Como funciona o teste genético do gene SRY

Para comprovar a elegibilidade na categoria feminina, as atletas passarão por uma triagem do gene SRY (Sex-determining Region Y), associado ao desenvolvimento sexual masculino. Para competir, a atleta deve apresentar um resultado SRY-negativo, ressalvadas condições excepcionais que serão analisadas por especialistas.

O presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, João Olyntho, explicou que o processo de coleta é pouco intrusivo e altamente preciso. Caso uma jogadora se recuse a realizar o teste, ela não sofrerá punição disciplinar, mas ficará impedida de disputar as competições que exigem a comprovação de elegibilidade.

O impacto no vôlei nacional e a transição histórica

A mudança impacta diretamente a atleta Tifanny Abreu, pioneira ao se tornar a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino no Brasil. Atualmente, Tifanny defende o Osasco São Cristóvão Saúde. A nova determinação é reflexo de um movimento internacional que se consolidou entre o final de 2025 e o início de 2026, com a aprovação de regras restritivas por parte da FIVB e do COI.

Quais competições serão afetadas pela mudança

As restrições já têm cronograma definido e serão aplicadas nas principais competições nacionais organizadas pela CBV. A regra entra em vigor para os seguintes torneios:

  • Superliga A e B da temporada 2026/2027;
  • Supercopa 2026;
  • Copa Brasil 2027;
  • Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (categoria adulta);
  • CBVP Challenger 2027.

Cabe destacar que as competições estaduais, que são organizadas por federações locais, não serão automaticamente afetadas por esta decisão da CBV. A política de elegibilidade permanecerá vigente para as próximas temporadas, garantindo a conformidade contínua com os critérios estabelecidos pelas federações globais.

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