Um filme sobre Vale-Tudo certamente não vale minha ida ao cinema. por isso, quando “Cinturão Vermelho”(Redbelt) entrou em cartaz, não tive o menor estímulo para sair de casa e ir assisti-lo.

Mas, depois de ler um pouco mais sobre a produção, fui ficando mais interessado. Pra começar, temos a presença de Alice Braga e Rodrigo Santoro. Além disso, o filme é dirigido por David Mamet, de quem gosto bastante. Então já fiquei menos cético e resolvi alugar o DVD.

Na verdade, o filme não é muito diferente dos milhões de genéricos que invadem os cinemas todos os anos. Os mesmos elementos de “Karatê Kid”e “Rocky” estão lá presentes. A velha estória da luta do bem contra o mal, do bom lutador contra o inescrupuloso, a ética contra a ganância, ou seja, nada de novo.

O roteiro, aliás é bem difícil de acompanhar. Algumas “forçadas de barra”e detalhes mal explicados prejudicam um pouco a fluência da trama.

A estória envolve além dos dois atores citados, elementos bem conhecidos do público brasileiro, como Jiu-jitsu e o já citado Vale-tudo. Deixa eu até fazer uma pausa pra dizer que detesto esse negócio de Vale-Tudo. De tão violentas, acho que essas lutas deveriam ser proibidas. Mas pior mesmo, muito pior, são vocês que gostam e pagam para assistir à essas atrocidades. Vale salientar que não estou aqui me referindo à artes marciais como Jiu-Jitsu e judô, que tem competições bem mais controladas e sem tanta carnificina. Mas, o Vale-tudo é o reflexo de nossa sociedade sedenta por violência que não se importa com o bem estar de quem está no ringue, desde que tenham a sua “descarga de adrenalina”semanal. Algo degradante.

Mas, voltando ao filme, David Mamet consegue pegar um gênero medíocre e inserir diálogos inteligentes e cenas emocionalmente intensas, o que acaba por transformar um filme que seria difícil de engolir em algo bem agradável.

A começar pela escolha dos atores, Mamet desde o início deixa claro que esse não será algo como “Karatê Kid 15”; o ótimo ator Ciweltel Elijofor , encarna com perfeição o lutador do bem que tem sua vidinha tranqüila ameaçada por circunstâncias inesperadas e tem que entrar no ringue, contra seus princípios, para salvar a academia. É um ator que ainda vai dar o que falar. A atriz Inglesa Emily Mortimer faz uma advogada problemática que sem querer inicia toda a confusão e Tim Allen um ator beberrão que termina por colocar o professor de Jiu-Jitsu numa fria.

Todos estão muito convincentes e Tim Allen, que não é lá grandes coisas, acima da média de suas atuações. Alice Braga e Rodrigo Santoro demonstram estar cada vez mais à vontade com a língua inglesa. Pena que sempre estarão limitados ao estereótipo de latinos. Talvez Santoro consiga fugir um pouco disso, já que tem um tipo físico mais indefinido; terá sempre que pegar papéis de estrangeiros, mas dá pra fazer um italiano ou alguém do leste Europeu sem problemas.

Mas quem mais me surpreendeu mesmo foi o lutador de verdade John Machado que além das cenas de luta, atua em alguns diálogos com Ciweltel Elijofor. achei surpreendentemente boa sua participação; bastante verossímil e natural.

Os que são fãs de filme dos filmes de Jet-Li e Jackie Chan, vão se decepcionar um pouco, já que são poucas cenas e luta e sem as pirotecnias presentes em outras produções similares. Mas quem tem um gosto mais refinado pode até se surpreender positivamente e gostar de “Cinturão Vermelho”. Agora, difícil mesmo é pronunciar o nome do ator principal…

Um abraço,

Leon Neto