Como acontece todo ano, a segunda quinzena de Dezembro traz consigo as indicações para o Globo de Ouro, prestigiado prêmio do cinema Americano. A edição desse ano traz uma lista bem diversificada e o fato de não ter favoritos a praticamente categoria nenhuma.

A edição do ano passada já foi bem equilibrada, mas a desse ano esta ainda mais indefinida. Nenhum grande sucesso tipo “arrasa-quarteirão” despontou no horizonte e nem mesmo filmes como “Zodíaco”, que causou bastante burburinho no inicio do ano, conseguiram empolgar os jornalistas estrangeiros que fazem o corpo votante do prêmio.

Outro fato inusitado foi a indicação de sete filmes ao gênero Drama, ao invés dos tradicionais cinco; aparentemente os organizadores acharam que a temporada de dramas foi bem mais proveitosa que a de comédias. E de fato tivemos dramas de ótima qualidade esse ano. O filme “Desejo e Reparação”, do cineasta Joe Wright amealhou sete indicações e representa bem o gênero que acabamos de citar. Ainda não estreou nas telas brasileiras, mas merece uma visita, até por ser um provável indicado também ao Oscar.

Outro filme que tem arrancado boas críticas no mundo inteiro é o drama violento dos irmãos Cohen “Onde os Fracos Não Tem Vez” . Contando com uma atuação soberba do ator espanhol Javier Barden, é também aposta certeira para o Oscar tanto como melhor filme quanto para melhor ator, já que Javier estará na disputa do Golden Globe.

Para o cinema Brasileiro as indicações não foram assim tão boas, já que nenhum dos três concorrentes nacionais á categoria “Língua Estrangeira”, recebeu nomeação. Dentre os quais estava “O Ano em que meus Pais Saíram de Férias”, selecionado para representar o país na disputa do Oscar. Mas, o diretor Cao Hamburger declarou não estar muito preocupado, já que o Oscar tem regras próprias, e vários de seus possíveis concorrentes também não receberam indicação ao Globo de Ouro. O filme de Cao, está em ótimas mãos, contando com a tropa de choque dos estúdios Miramax, mesmos responsáveis pelo sucesso de “Cidade de Deus” nos Estados Unidos. Mas, não creio em uma indicação ao sonhado Oscar. Só nos resta torcer por uma zebra quando saírem os indicados.

De tão acirrada a disputa, não me arriscaria a dar nenhum palpite, mas vou aqui deixar um único prognóstico: Johnny Depp, recebendo o prêmio de melhor ator em filme musical ou comédia, por sua atuação em “Sweeney Todd”. Contudo, duvido que Depp tenha o mesmo desempenho no Oscar. Trata-se de um bom ator, como já tem provado ao longo de sua carreira, mas é muito politizado, e liberal em excesso para driblar os preconceitos da Academia. Se bem que Sean Penn terminou levando sua estatueta dourada…

No mais, tivemos as categorias televisivas, que não vou comentar aqui, por achá-las menos importantes e porquê boa parte das séries e filmes não passam no Brasil.

De certo mesmo, é saber que o Globo de Ouro vai, infelizmente continuar sendo coadjuvante e “motor de arranque” do Oscar, esse sim o preferido da mídia e do público.

Um abraço,

Leon Neto