Está chegando aquela época do ano quando todo mundo resolve virar gente boa, dar presentes para as criancinhas, aparar as arestas das relações familiares, voltar a ir para a Igreja. De repente, os problemas do dia-a-dia são postos de lado, os ranzinzas ficam mais tolerantes e as crianças mais esperançosas.

As cidades se enfeitam de luzes e cores, rola muita música nos shoppings centers, as mães de família começam a tirar poeira dos ornamentos do ano passado, e as crianças se lançam à elaborar suas listas de presentes.

Toda a Igreja que se preza já se encontra na reta final da sua cantata, os filmes sobre o tema pipocam nas telas do mundo inteiro e as rádios não param de tocar canções natalinas, à exaustão.

Especiais de fim de ano já estão na ponta da agulha, as roupas novas já escolhidas e compradas , as ceias já em ritmo de preparo. Nozes, frutas secas, rabanada e muitas outras delicias pelas quais se espera o ano todo, começam se tornar realidade, e as dietas vão para o espaço sem a menor cerimônia.

Cartões começam a ser enviados em ritmo acelerado, agendas telefônicas a ser desempoeiradas, e aquela indefectível musiquinha da globo começa a martelar nossos ouvidos (“hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa…”).

Planos, resoluções, atitudes à muito procrastinadas, tudo parece que se torna mais fácil e a coragem aflora mesmo nos corações mais medrosos.

O décimo-terceiro mal fica no bolso do trabalhador, e para a alegria dos lojistas, vai direto para as caixas registradoras se transmutando em brinquedos, roupas, televisores, relógios, jóias.

Tudo é festa, tudo alegria, tudo esperança.

Só tem um problema. O dono da festa, na maior parte do tempo é pouco lembrado, pouco citado e às vezes nem mesmo convidado.
Nos filmes, papai Noel é muito mais personificado, seus duendes muito mais retratados. Nas músicas, sentimentalismo barato toma o lugar dos ensinamentos do Mestre, mercantilismo, o da fraternidade. Até mesmo em algumas Igrejas, a produção se torna mais importante do que a essência da mensagem.

Por isso resolvi abordar o assunto agora, no começo de Dezembro. Porque assim, ainda dá tempo para, esse ano, só pra variar um pouco, incluir Jesus no nosso Natal.

Um abraço,

Leon Neto