Muro de Berlim na cena do filme
Muro de Berlim na cena do filme "Ponte dos Espiões".

“Porquanto, Ele é a nossa paz. De ambos os povos fez um só e, derrubando o muro de separação, em seu próprio corpo desfez toda a inimizade, …”
Carta de S. Paulo aos Efésios 2.14a
Versão do Rei Tiago / King James

Lembro bem do histórico dia em 9 de novembro de 1989 quando um comunicado oficial mal feito, pelo então governo da Alemanha Oriental (socialista) fez com que o anseio de uma só nação antes dividida pudesse derrubar o terrível muro erigido no período da guerra fria. Eu tinha apenas 17 anos, trabalhava já em um banco, e estava chegando em casa feliz com a compra do meu primeiro eletroeletrônico comprado com o suor do meu rosto, no caso um videocassete e fitas, e quando instalei, adivinhe o que eu gravei pela primeira vez: a histórica e inesquecível queda do muro de Berlim. Eu posso dizer que vivi e vi esse tempo chegar.

A divisão da Alemanha surge após a tríplice aliança (Reino Unido da Grã-Bretanha + Estados Unidos da América + União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) vencerem o Nazismo e a subjugação da extrema-direita na loucura do nazifascismo de Hitler juntamente com os seus séquitos. Vale salientar que sem esta aliança não haveria o fim da Segunda Grande Guerra Mundial (pelo menos não mais cedo). E por uma questão de Justiça e de tradição, qualquer país que inicia uma guerra, quando perde, deve pagar os custos financeiros do conflito (indenizar) aos países envolvidos através de seus despojos, e assim aconteceu com a Alemanha e seus aliados (do Reich). Por este motivo o país foi dividido em duas regiões (e/ou pólos ideológicos). Estes foram divididos em duas zonas (Estadunidense, Britânica, Francesa = zona ocidental / e  a Soviética = zona oriental), assim também aconteceu com Berlim que era a capital.

Nesse contexto é construído um muro cercando toda a área capitalista. O muro havia sido erigido rapidamente numa cidade que estava toda inserida na Alemanha Oriental controlada pelos soviéticos. No caso Berlim era uma cidade capitalista cercada por um país/região socialista (quase isolada, não fosse a ponte aérea). O muro foi erigido pelos alemães orientais para exercer controle, controlar o ir e vir de seus cidadãos e dos estrangeiros numa cidade que seria “perigosa” por representar uma sociedade democrática, livre e capitalista, tudo que o regime totalitário soviético combatia.

Berlim ocidental estava bem no nariz do totalitarismo radical e arbitrário soviético na Alemanha daquele tempo, era uma proposta rival a toda a uma ideologia/economia fracassada e que buscava vendar os olhos de seus cidadãos para não flertarem com a “liberdade” capitalista e “subversiva”.

O muro passa a ser construído em 1961, e destruído a partir de 9 de novembro de 1989, onde hoje existem partes do muro para que não seja esquecido por aqueles que viveram no período e conhecido por toda uma nova geração que nasceu no pós-guerra fria. Em 1989 vi na TV e gravei aquela derrubada dos muros, que simbolicamente fez inicialmente ruir todo o império soviético.

O Muro de Berlim caiu, ruiu, desmoronou graças a um povo que desejava união.

Já aqui no Brasil estão construindo um outro muro, um tipo de muro ainda mais perigoso; estão levantando o Muro de Belial, o muro que está dividindo a nação em níveis perigosos, e o pior, a igreja cristã está enfiada até o pescoço nisso, chancelando muitas vezes tal prática. Reconheço que muitos evangélicos querem dar o seu melhor ao país segundo sua visão de mundo, têm medo de uma proibição da liberdade religiosa, tão cara e preciosa dentro da democracia, e assim alguns de maneira ingênua desejam fazer gol até de mão, fazer o certo da maneira errada, uma ética cristã sem a qualidade devida, a qual deve estar alicerçada na bendita pessoa de Jesus Cristo.

O Muro de Belial está encontrando espaço e sendo construído rapidamente, dividindo famílias, amigos, parentes, cristãos, etc.

O interessante é que se em termos de doutrina bíblico-teológica, nós evangélicos não temos unanimidade em questões como: tipos de batismo (aspersão, imersão, efusão); tipos de interpretação sobre a Santa Ceia (Consubstanciação, Meio de Graça, e Memorial) com suas quatro formas (livre, aberta, restrita, e ultra-restrita); e chamado a conversão (com ou sem apelo); e tantas outras diferenças. Por que será então que querem impor unidade em questões políticas, dizendo que o cristão tem que se associar a este ou aquele candidato? Como se não houvesse prós e contras em qualquer tipo de candidato que seja (cristão ou não).

Muitos cristãos estão querendo ocupar ingenuamente ou sutilmente o lugar de Deus. Tenha calma, raciocine aqui comigo: se até o presente momento o Todo-Poderoso tem demonstrado misericórdia para com todos, por que a igreja quer amar apenas alguns? Amar apenas os que comungam das mesmas crenças e ideias? Pense! Amar apenas os que nos amam, não é cristianismo!

Infelizmente ao que parece nós cristãos estamos interessados muito mais por sede de poder do que sede de Justiça. Queremos espaço nos governos, estarmos associados ao poder temporal e humano.

Estamos buscando o reino deste mundo ao invés do Reino de Deus que tem valores para colocar este mundo de cabeça para baixo no bom sentido do termo!

Analise, pare e perceba, a cada dia o Muro de Belial está crescendo tijolo a tijolo: Outro dia no Twitter um jovem senhor, o qual em seu perfil havia o seguinte dizer: “patriota e apaixonado por Jesus”, este mesmo ofendeu ao comentarista Caio Blinder do Manhattan Connection da Globonews discordando com a seguinte frase diabólica: “- Judeu filho da p***”. Essa é a nova modalidade dos (terrivelmente) evangélicos que estão surgindo no século XXI. Estamos produzindo uma verdadeira aberração à doutrina cristã da compaixão e da misericórdia.

Anos atrás eu já havia alertado, noutra rede social a um evangélico que havia postado sobre o então Deputado Federal Jean Wyllys dizendo que este era uma “desgraça, um nojento que iria para o inferno de cabeça para baixo”. Por mais que eu tenha divergências significativas com este ex-Deputado, de modo algum o Evangelho de Jesus Cristo me autoriza a odiá-lo e a querer a derrota de quem quer que seja! Por mais ingênuo que seja esse meu cristianismo, eu o prefiro do que ter um embasamento ao ódio sofisticado, travestido diabolicamente de apologia cristã.

O Muro de Belial no Brasil produz divisão, ódio, rancor, agressões, rixas, fake news, dissensões, ciúmes, iras, invejas, facções, e competição. Esse muro está tendo o apoio de todos os lados (direita/esquerda).

E o pior agora tem alguns líderes cristãos (espero bem intencionados) que não atentaram sobre a gravidade de defender um golpe militar no Brasil, um sabotamento da ordem democrática, onde a Lei de Segurança Nacional aponta como crime para tal ato, e a Constituição Federal proíbe terminantemente e criminaliza de maneira inafiançável e imprescritível. Existem mecanismos em nossa frágil democracia para evitar radicalizações violentas sejam de qual ideologia for.

Sou conservador em termos doutrinários, e da aplicabilidade ética do cristianismo (usos e costumes), mas não flerto com a extrema direita radical e nem com a extrema esquerda radical. E por falar da Alemanha, eu decidi ter a Social Democracia Alemã como modelo possível e alcançável, a qual foi capaz de reeducar toda uma nação; capaz de trazer oportunidade e bem estar com muitos subsídios sociais para todos, inclusive para a classe média alta. Um país outrora contaminado no passado pelo horror do nazismo, mas que foi capaz de dar a volta por cima e mudar a sua história sem negar o seu passado monstruoso e se tornar um dos 7 países mais ricos e industrializados do mundo. A Alemanha agora unificada, um país livre, liberto, democrático, com liberdade de expressão, com imprensa livre, com liberdade religiosa, liberdade de ir e vir, um país capitalista de bem estar social que suporta o diferente e sua diversidade.

Eu não quero a intervenção das Forças Armadas, do Exército.

Eu quero a intervenção do Senhor dos Exércitos; é nEle em quem esperarei!

Que o Muro de Belial no Brasil caia por terra em nome do Senhor dos Exércitos, e este grande país, esta grande nação seja a Terra da Promessa, a Terra da Providência, Terra da Liberdade, lugar de alegria, paz, amor e prosperidade para todos!

Unidade, Igualdade e Equidade! Sem extremismos!

Deus abençoe a todos os Brasileiros, de esquerda, centro, direita!

Atenciosamente de cabeça para baixo, sabotando e derrubando pouco a pouco o Muro de Belial!

Estêvão Chiappetta <><