Mais um “show” evangélico virou escândalo. A banda “Diante do Trono” em recente excursão pelos Estados Unidos, viu-se envolvida em uma tremenda confusão na cidade de Danbury, no estado de Connecticut.

Parece que surgiram informações contraditórias acerca do preço dos ingressos e do aluguel da casa de eventos, e até mesmo sobre a presença de cambistas, que geraram conflitos entre os organizadores, o que pode até mesmo desembocar em um processo.

Não me cabe aqui fazer qualquer tipo de juízo de valor sobre o ocorrido ou sobre os envolvidos. Eu até que tentei fazer contato com a equipe da revista “Palavra”, que estava à frente da iniciativa, mas não obtive resposta. E de toda forma, seja lá o que tenha acontecido de fato, pouco vai me surpreender; eventos evangélicos têm se tornado cada vez mais seculares e capitalistas, que fica difícil separar o joio do trigo.

É bom salientar, no entanto, e antes que me apedrejem em praça pública, que as informações que tenho são de que o testemunho do “Diante do Trono” foi impecável. Estavam completamente alheios aos detalhes da organização do evento e nem mesmo cachê cobraram.

O que mais me chocou, no entanto, nem teve muito a ver com os culpados ou inocentes do episódio. Fiquei abasbacado com os valores envolvidos. Perto de 40 mil dólares só de passagens, cerca de 18 mil de aluguel do espaço, fora hospedagem, alimentação, ofertas, deslocamentos, etc… Tudo somado poderia chegar perto da casa dos 100 mil dólares! E por uma noite!

A primeira coisa que me vem à cabeça ao ver tais cifras, é pensar em como essa dinheirama poderia ter sido melhor utilizada; trata-se de, praticamente, o salário anual de duas famílias de missionários ou o orçamento anual de muito orfanatos. Pense só quantos projetos sociais e de evangelização poderiam ser ajudados por uma quantia tão alta.

Jesus se defrontou com uma situação similar, como podemos ler no evangelho de Mateus, Capitulo 26:7-13. Uma mulher derramou sobre Jesus um jarro inteiro de um perfume caríssimo à época. Algo de um valor tão grande que os apóstolos se escandalizaram, dizendo que o dinheiro poderia ter sido usado para ajudar os pobres. No entanto Jesus repreendeu aos seus discípulos e não à mulher. No meu entender, não que as afirmações deles estivessem erradas ou que a atitude da mulher fosse um exemplo a ser seguido, mas Jesus enxergou o que havia no coração das pessoas.

Certamente que o dinheiro gasto no perfume poderia ser aplicado de forma efetivamente mais altruísta, mas a mulher estava tão profundamente arrependida de seus pecados e tão angustiada em expressar aos pés de Cristo sua gratidão, que suas ações foram justificadas pela fé. Do outro lado, por mais razão que os apóstolos tivessem em seus argumentos, Jesus bem sabia o que se passava em seus corações e que suas intenções passavam longe do amor ao próximo e do bem comum, naquele momento. Estavam mais com inveja e ciúme do que qualquer outra coisa. Por isso a repreensão.

Você que quer se meter a produzir shows evangélicos, tenha em mente sempre que suas ações serão julgadas a partir daquilo que traz em seu coração. Se a intenção é impactar a comunidade, proclamar o evangelho, fazer diferença, ser “sal e luz”, então um evento evangélico, seja ele qual for, não tem preço.

Qualquer investimento para ganhar vidas é justificável. Mas, se suas intenções estão mais ligadas a fazer dinheiro fácil e se auto-promover, então você não é nada diferente dos mercadores do templo, que o mesmo Jesus expulsou à chicotadas, dizendo :”a minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões”. Somente Deus poderá julgar o que se passa no coração das pessoas.

Um abraço,

Leon Neto