Atualmente o conceito de família tradicional, constituída pelos pais, filhos e avós, tem dividido espaço com outras constituições familiares. Essa nova concepção de “grupo familiar” tem sido redefinida nas últimas décadas e assim como os filhos são gerados no corpo e no coração, também foram concebidas várias mudanças no conceito de família. Hoje elas podem ser compostas por casais que moram juntos, por casais que moram em casas separadas mesmo estando juntos, por mães de “produção independente”, por mãe e pai solteiros, divorciados, adolescentes, casais hétero e homossexuais com filhos adotivos, diante de todas essas transformações na concepção de grupo familiar será que podemos considerar o casamento como uma instituição falida ou em processo de falência? Cada tipo de família possui uma identidade própria e nelas estão entrelaçadas no mínimo três gerações que interagem. Essas interações podem sofrer variações devido ao tempo, às novas necessidades e aos valores que mudam junto com o conceito de família. Como podemos compreender a dinâmica das relações familiares através do conceito de “FALO”? Como lidar com os sentimentos que emergem destas mudanças? Minha proposta é juntamente com o leitor percorrer esse caminho do novo, que traz angústia, mas também gera transformações significativas. É importante mencionar que não podemos percorrer esse caminho sem falar em sexualidade. Esse é o nosso espaço, onde a sexualidade está no cerne de cada temática que irei abordar.

Aqui: Tu falas, eu “FALO”!

É um trocadilho bastante sugestivo, que traz neste jogo de palavras a possibilidade de muitas interpretações, apesar do som e da representação escrita da palavra serem parecidos ou iguais, os significados e aplicações são diferentes. O efeito é humorístico, mas segundo Freud, brincando pode se dizer de tudo, até mesmo a verdade.

Então, como continuação dessa brincadeira apresento o conceito de “FALO” conforme J. D. Nasio escreveu em seu livro Lições sobre os 7 Conceitos Cruciais da Psicanálise:

O termo “falo”, raramente utilizado nos escritos freudianos é por vezes empregado para qualificar o “estágio  fálico”, momento particular do desenvolvimento da sexualidade infantil durante o qual culmina o complexo de castração. Freud utiliza mais genericamente o termo “pênis”, todas as vezes que se trata de designar a parte ameaçada do corpo do menino e ausente do corpo da mulher. … Coube a Jacques Lacan ter elevado o vocábulo “falo” à categoria de conceito analítico e reservado o termo “pênis” para denominar apenas o órgão anatômico masculino. Não obstante, em numerosas ocasiões, Freud já havia esboçado essa diferença, que Lacan se esforçaria para acentuar, mostrando como a referência ao falo é prevalente na teoria freudiana. Por isso Lacan pôde escrever: “Está aí um fato totalmente essencial … –  seja qual for o remanejamento que ele [Freud] tenha introduzido em sua teorização …, a prevalência do centro fálico nunca foi modificada.”

Esse conceito é de grande relevância para as relações interpessoais. Afirmo que o sucesso ou fracasso das relações, sejam elas familiares, sociais, institucionais (quando digo institucional me refiro também as igrejas). O sucesso das relações depende em grande proporção da compreensão desse conceito que deve ser assimilado sem culpa, vergonha ou julgamento. Lembrando que, quando eu falo em “FALO” estou trazendo um termo utilizado nos escritos freudianos e lacanianos. Falar em “FALO” é falar sobre sexualidade infantil e adulta. Através do conceito de “FALO” podemos compreender a hétero e a homossexualidade, as relações fracassadas entre pais e filhos, marido e mulher, pastores e ovelhas, e inúmeras outras questões de grande relevância para os relacionamentos; podemos compreender o que está na origem das relações abusivas de poder e dominação.

Convido a todos para juntos percorrermos esse caminho de novas descobertas e transformações.

Helena Chiappetta Ψ