O rosa-choque do gabinete do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), que morreu de um acidente vascular cerebral e foi enterrado nesta quarta-feira em São Paulo, será substituído pelo vermelho-sangue do deputado que assumirá sua vaga na Câmara, o coronel Jairo Paes de Lira (PTC-SP).

Aos 55 anos, o coronel da reserva da Polícia Militar, Paes de Lira, disse que é contra o casamento de homossexuais, é contra o aborto, defende a pena de morte e acha que todo o cidadão de bem deve ter uma arma em casa para se defender. Será uma mudança da água para o vinho na Câmara.

– Não posso aceitar a chacina de uma criança no ventre materno. A vida começa no momento da concepção – disse ao GLOBO, por telefone, o coronel Paes de Lira, ao explicar sua posição contra o aborto.

Ele deverá assumir a vaga de Clodovil Hernandes na Câmara, mas espera ser convocado, dentro de 48 horas, pela presidência da Casa, para assumir o cargo em Brasilia. Entre as coisas que o coronel Paes de Lira espera primeiro ser convocado para depois falar mais de forma ampla, é sobre o destino da decoração rosa do gabinete espelhado do deputado Clodovil.

– É claro que a decoração será mudada. Não tenho nada contra o rosa, mas esse não é meu estilo. Vou adotar uma deocração padrão adotada por outros deputados, mas é evidente que o deputado Clodovil levava uma vida totalmente antagônica à minha. Tenho uma história de vida, formada na Polícia Militar, diametralmente oposta à do Clodovil. Respeito as posições que o deputado adotava, pois todos são filhos de Deus, mas não posso concordar com elas. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher, tenho três filhos e não aceito o aborto, o casamento gay. A constituição é clara quando diz que o casamento é a união entre um homem e uma mulher – disse o coronel, considerado de linha-dura.

Eleito com pouco mais de sete mil votos, quase todos obtidos junto a policiais militares e “daqueles cidadãos de bem que votaram no referendo de 2005 pelo direito de se armar”.

– Defendo que o referendo de 2005 seja aplicado na plenitude e que as pessoas de bem possam se armar para defender suas famílias no interior de suas casas – disse o coronel.

Para ele, a pena de morte é “um remédio social”, embora ele não esclareça em que circunstâncias a pena de morte poderia ser aplicada no Brasil.

Ele mesmo define seu perfil.

– Sou conservador, defendo a família, a pátria e a religião. Tenho um perfil duro e uma história dura na preservação da ordem pública – conforme ele defendia em seu site de campanha quando foi eleito pela legenda como primeiro suplente na esteira dos mais de 500 mil votos obtidos por Clodovil Hernandes em 2006 pelo PTC (atualmente o estilista estava no PR, mas a vaga de suplente é do PTC pelo qual ele se elegeu).

O coronel Paes de Lira fez curso superior na Academia do Barro Branco (que forma policiais militares de São Paulo), que já comandou e fez pós-graduação na Universidade Mackenzie, instituição que já foi considerada reduto da direita paulista.

Fonte: O Globo Online