Para o papa Bento XVI, o Estado e a religião não podem nem devem caminhar juntos. Ele reconhece, porém, que sem os valores éticos da fé, especialmente da cristã, a sociedade e o Estado não “conseguiriam se sustentar”.

As posições do Pontífice constam do livro “L’elogio Della Coscienza” (“O Elogio da Consciência”, em tradução livre), que será lançado amanhã na Itália.

Trata-se de uma coletânea de transcrições de palestras, aulas dadas em universidades e discursos feitos por Joseph Ratzinger entre 1991 e 2000, período em que ele ainda não exercia o pontificado, que teve início em 2005.

Na obra, que teve a publicação autorizada pela Santa Sé, o Papa chama a atenção para o risco de que o Estado passe “a manipular a verdade”, sob a ameaça de transformar a gestão pública em uma “eficiente associação para cometer crimes”.

Nos textos aos quais a ANSA teve acesso, Bento XVI delineia sete princípios que devem nortear as relações entre Estado e religião.

Segundo ele, o Estado não deve ser visto como uma fonte única “de verdade ou moral” e não pode promover “uma liberdade totalmente privada de conteúdos”.

Neste sentido, o Papa propõe que a Igreja Católica funcione como uma instituição que está “à parte”, com atuação independente.

Além dos vínculos entre Estado e religião, aos quais é dedicado um capítulo inteiro, o livro traz também reflexões sobre aborto, sexo e eutanásia, entre outros temas.

Fonte: Ansa

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